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Biquínis de Portugal para o mundo

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Há pelo menos uma forma de garantir que os biquínis da Latitid
deem a volta ao mundo: começar com inspiração no Porto, dar a
volta e acabar no mesmo sítio. O ponto de partida – 41º09″01.79N””
– é a foz do rio Douro, explica a designer de moda Marta Fonseca, 25
anos, que se inspirou nas rochas da região (cores, textura) para
criar os primeiros 24 modelos. Desafiada pela irmã Inês, três anos
mais velha, gestora, Marta começou no ano passado a desenhar a
primeira coleção, que marcou a estreia da Latitid, criada no início
deste ano.

A ideia de Inês era só uma promessa de “ajudo-te no que puder”
mas tornou-se na razão para a gestora pedir a demissão na Jerónimo
Martins e dedicar-se a tempo inteiro à marca. “Quando lhe falei no
assunto só queria ajudar e seguir com o meu trabalho. Mas a Marta
desenhou quase 30 modelos e pensei: isto é ou não é. Despedi-me
com a crise no auge, as pessoas não tinham trabalho e eu a
despedir-me!” Com a ajuda da tia – que faz a produção, controlo
de qualidade e contactos com fornecedores e fábricas -, Inês e
Marta arrancaram.

“Chegar à fábrica e dizer que queremos criar uma marca é
complicado. As fábricas têm de acreditar e há clientes que dão
mais rentabilidade, de certeza absoluta”, diz Inês, entre SMS da
irmã a pedir-lhe que organize os biquínis por cores e chamadas de
clientes para marcar visita ao showroom da Rua Garrett, Chiado.

A primeira coleção da Latitid implicou grande parte do
investimento de cerca de 15 mil euros previsto para este ano (Inês
quer o retorno no final de 2013) e inclui 24 modelos, com três a
cinco variações de cores cada. “Há sempre preto e outras cores.
São mais de 100 versões. Era o objetivo: ser uma marca para todas
as mulheres. Desenvolvemos um segmento jovem e um de senhora (para
mães e filhas) com cortes e cores distintas, para criar uma marca em
que seja praticamente impossível uma pessoa chegar e não gostar de
nada. O foco era também vender para fora – só era possível tendo
um leque enorme de escolha.”

A decisão de produção alargada em modelos revelou-se uma dor de
cabeça para a fábrica. Por isso, Inês tratou de procurar outros
mercados – a Latitid vai estar já este verão à venda numa loja em
Madrid e, a partir do site, para todo o mundo – para aumentar os
pedidos de produção. “Claro que o mercado português é perfeito
para testar a marca – tem influência dos brasileiros e é muito
exigente – e vamos ter sempre um pé cá, mas queremos crescer fora.”
A época de vender biquínis ainda estar a começar, mas Marta já
trabalha na nova coleção, que estará pronta em setembro. “É um
ano antes, o que é muito ingrato porque faz-se o investimento muito
cedo em relação ao período de retorno”, diz Inês, que quer
chegar aos mercados latino-americanos já no ano que vem.

Retrato

A Latitid é uma marca familiar criada por Inês, Marta e
Fernanda. Um dos fatores de diferenciação é a qualidade da licra.
As três sócias investiram cerca de 15 mil euros em capitais
próprios no negócio que quiseram criar pequeno, com o mínimo de
custos fixos possíveis. A Latitid produz também roupa de praia
[T-shirts, calções e vestidos]. O preço dos biquínis varia entre
73 e 85 euros.

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