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Bizturi. O ponto de encontro entre clientes e designers de moda

João Andrade e Rafael Vaz são os dois fundadores da Chromatikborn, startup que tem a plataforma Bizturi. (Diana Quintela/ Global Imagens)
João Andrade e Rafael Vaz são os dois fundadores da Chromatikborn, startup que tem a plataforma Bizturi. (Diana Quintela/ Global Imagens)

A empresa ambiciona ser um marketplace para o segmento de moda premium e de luxo. Além de vender roupa vai permitir conhecer melhor as peças.

João Andrade trocou Lisboa pelo Porto logo depois da licenciatura. Os anos que por lá passou permitiram-lhe mergulhar nos meandros da indústria da moda e continuar a apostar na sua formação académica. Regressou há algum tempo à cidade natal e percebeu que os seus conhecimentos casavam bem com os de Rafael Vaz, que passou mais de uma década na banca de investimento. Juntos criaram uma startup que sonha mudar o mundo da moda. “A Chromatikborn é uma empresa que nasceu em Lisboa. Somos duas pessoas [os dois fundadores]. Criámos esta startup que está ligada ao desenvolvimento de software para a indústria da moda”, explica João Andrade.

O pontapé de saída já foi dado. Os empreendedores criaram uma solução que ambiciona ser um ponto de encontro para estilistas e clientes, que está totalmente operacional desde o início de outubro – depois de ter estado três meses em testes. “O primeiro produto que desenvolvemos, que é a Bizturi, é para a área da comercialização. É um marketplace que tem como objetivo vender artigos de moda que estejam nos segmentos premium e de luxo. Estamos a trabalhar diretamente com marcas e com designers de moda – neste momento, acima de tudo nacionais -, mas com a intenção de chegar ao mercado internacional.”

A criação deste site, por si só, não se distingue muito de outras soluções que já estão disponíveis. Contudo, um conjunto de outras características permitem-lhe diferenciar-se. Rafael Vaz nota que na Bizturi há “conteúdos sobre o designer, sobre o que o inspirou a criar aquela peça e sobre a marca”, algo que não é recorrente.

A ideia é ainda que, em breve, esteja disponível um blogue dentro da área de cada marca com conteúdos sobre esta, que podem ser criados quer pelos próprios estilistas quer por terceiros, como influenciadores. “Estamos a falar de um segmento [premium e de luxo] em que não há uma plataforma que os trabalhe desta forma.” Os outros sites “ou trabalham grandes marcas ou trabalham as massas. Não há uma plataforma que trabalhe de alguma forma este segmento e que crie esta ligação de proximidade do designer com o cliente final”.

Há ainda outros detalhes. João Andrade, que desenvolveu este ponto de encontro e que, na Chromatikborn, está mais ligado à área técnica, nota que a segunda solução em que estão a trabalhar vai ser inovadora e terá uma vertente um pouco diferente. “É um projeto que vamos lançar em 2019 e que tem uma componente disruptiva um pouco mais à frente. Aquilo que fizemos com a Bizturi foi criar um primeiro cliente para aquele que vai ser o nosso segundo projeto. É um software que permite interligar designers de moda com marketplaces. Já conseguimos fazer um primeiro cruzamento e fazer um teste desse software que estamos a desenvolver.”

Acreditam que esta segunda ferramenta tem “um potencial enorme porque existem muitos marketplaces com quem poderemos comunicar mais à frente”. E socorrem-se dos números para traçarem um retrato do segmento onde estão a entrar. “O mercado da moda a nível mundial é gigante; representa cerca de 2% do PIB mundial e continua em crescimento. Além do mercado [de moda] ser muito grande, o de luxo tem sido o segmento que mais tem crescido nos últimos tempos. O comércio eletrónico também tem sentido um aumento significativo nas vendas que têm transitado do retalho físico para o e-commerce. Se juntarmos as peças: o mercado de luxo – que está em grande crescimento – com o mercado de comércio eletrónico – que também está em expansão – conseguimos encontrar oportunidades.”

Até aqui, a startup foi financiada por capitais próprios dos fundadores. Mas isso pode mudar em breve. João Andrade e Rafael Vaz estimam que nos próximos seis a 12 meses vão necessitar de cerca de 500 mil euros e para isso precisam de investimento. “Não estamos só à procura de dinheiro. Temos de sentir que as pessoas que vão estar connosco conhecem bem a indústria da moda, que tem as competências e ligações importantes para que isto funcione”, diz João Andrade.

O montante será utilizado para o crescimento da equipa e desenvolvimento do software. Além disso, estão a preparar-se para dar os primeiros passos na internacionalização da Bizturi. “O mercado natural mais próximo será o de Espanha, mas a ambição é crescer a nível europeu, pela proximidade e pela facilidade do modelo logístico. Outro dos mercados que queremos abraçar de uma forma muito rápida ao nível de consumidor, e a nível de designers no futuro, é o norte-americano. Nova Iorque e também Londres porque são duas grandes metrópoles ligadas à moda e que têm um público bastante capacitado e aberto a este tipo de negócio.”

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