BLIP: esta empresa mima os funcionários e quer contratar mais 15

ng3093595

Os “blippers” são uma espécie diferente: vão trabalhar de cabelo molhado, se lhes apetecer; fazem reuniões de trabalho em calções enquanto tomam o pequeno-almoço juntos; fazem pausas para jogar matraquilhos ou ir ao ioga, se o trabalho não está a correr como devia; têm almoços saudáveis cozinhados na empresa por uma cozinheira dedicada, mas depois saem para beber um refresco a meio da tarde; e o prémio/orçamento mensal de cada equipa pode ser gasto no que mais falta fizer, desde consolas de jogos a sessões de manicure para as senhoras. E estas são, espantosamente, “mais de 10% dos trabalhadores da empresa, ou seja, mais do que nos próprios cursos de engenharia informática”, desvenda Sofia Reis, gestora de operações na Blip.

A Blip nasceu em 2009, quando um dos seus fundadores trabalhava para a Yahoo em Londres e percebeu que podia viver da produção de software para outras empresas. Instalou-se no Porto e em pouco tempo captou a atenção de um grupo internacional, a Betfair, que a adquiriu em fevereiro do ano passado. A Blip trata, agora, das aplicações para desporto e transações online do grupo. No último ano, a Blip tornou-se num “exemplo para o grupo em métodos de trabalho, estando alguns a ser replicados pelas equipas da Roménia” e multiplicou a faturação para os 6 milhões de euros previstos neste ano fiscal (maio a abril, como em Londres). De um grupo de dezoito pessoas, a Blip cresceu até as atuais 113 e ainda está a contratar “até serem 140”, este ano, podendo crescer “ainda mais para o ano”. Uma tarefa que, todavia, não tem sido fácil.

“Recebemos muitos currículos, mas as pessoas nem sempre correspondem ao perfil que procuramos”, adianta Sofia Reis. “Precisamos que tenham flexibilidade, tolerância à mudança e que saibam pensar. Autónomos, mas responsáveis. Além disso, queremos pessoas que entendam que a parte social faz parte e integra-se neste trabalho”, explica.

Afinal, os jogos de matraquilos ou na consola, entre outros projetos e “brincadeiras” no local de trabalho, não são tão inocentes como poderia pensar-se. “Os jogos desenvolvem a capacidade de trabalho, principalmente neste tipo de função em que podemos passar muitas horas concentrados num problema e onde, por vezes, parar e distrair a mente é a forma mais eficaz de chegar a uma solução”, adianta a arquiteta, de 34 anos, que defende ainda que “com o ambiente certo, as pessoas produzem mais e melhor”.

Outra dificuldade no recrutamento para um emprego onde os estudantes são recrutados “à saída da faculdade” e os estagiários começam com salários “entre os 900 e os 1200 euros”, é a emigração e a “fuga de cérebros” devido ao desemprego generalizado. “Já sairam funcionários porque tinham o marido ou a mulher desempregados cá e, ao emigrar, conseguem salários que permitem ao casal viver mesmo que só um trabalhe”, lamenta Sofia Reis. O “sonho da Blip é conseguir fazer regressar esses jovens que partiram”, até porque quer constar também “entre as melhores empresas do Mundo para se trabalhar”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
7. Aeroporto de Londres Heathrow

Oficial. Portugal fora do corredor turístico do Reino Unido

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Decisão do Reino Unido é “absurda”, “errada” e “desapontante”, diz Santos Silva

O primeiro ministro, António Costa.     MANUEL DE ALMEIDA / POOL/LUSA

António Costa admite despedimentos na TAP com menos rotas e aviões

BLIP: esta empresa mima os funcionários e quer contratar mais 15