Design

Bomerango. Uma mesa para escrever em pé enquanto descansa as costas

Mesa da Bomerango existe em dois tamanhos: para crianças até aos 11 anos e para adultos. (Fotografia: D.R.)
Mesa da Bomerango existe em dois tamanhos: para crianças até aos 11 anos e para adultos. (Fotografia: D.R.)

A história começa assim: primeiro, António Mota Vieira, 43 anos, fez contas. Quantas horas trabalhamos sentados em frente a uma secretária?

E quantas vezes nos levantamos para contrariar a má postura e alongar os músculos?

Foi a pensar no resultado desta conta simples que o engenheiro biológico começou a desenvolver a Nómada Desk, na Bomerango, uma mesa que cresce à medida das necessidades do seu dono. E que evolui mediante a posição desejada, ao longo dos dias.

“Inspirados no movimento norte-americano do mobiliário funcional, quisemos criar uma mesa evolutiva em dois modelos, um de criança [até aos 10, 11 anos] e outro de adulto, cujo projeto parte muito das nossas necessidades e de ver o que se estava a passar lá fora”, explica António, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Com capitais próprios fundou, em 2012, a Weproductise, uma incubadora de projetos em Ponte de Lima, para servir de base à criação de produtos de design inovadores.

A empresa começou a desenvolver peças de mobiliário funcional no início de 2015. No entanto, o engenheiro biológico decidiu há mais de dois anos aplicar toda a experiência em planeamento, gestão, execução e controlo no desenvolvimento de novos produtos, usando o que de mais recente havia no campo dos novos materiais e produtos inovadores. Inspirou-se em modelos de negócio semelhantes que já existiam nos Estados Unidos e no Japão e, três meses depois de ter começado a desenhar o projeto, arrancou com a reconstrução dos edifícios que pertenciam a um terreno herdado dos pais. Tinha 40 anos quando decidiu recomeçar.

standingdesk_shark_mdf_cinza_4Com capitais próprios fundou, em 2012, a Weproductise, uma incubadora de projetos em Ponte de Lima, para servir de base à criação de produtos de design inovadores. O modelo pioneiro desenvolve tanto produtos para outras marcas, empresas ou designers como projetos de produção própria, e funciona num espaço coabitado por um Fabstudio e showroom, oficinas de trabalho, cowork e espaço para workshops e, além disso, gabinetes com camas – uma verdadeira guesthouse LaranjaLimão – e espaços verdes exteriores para acomodar clientes que precisem de alojamento.

Ao projeto juntaram-se, de imediato, cinco designers, um engenheiro, um marketeer e um especialista em multimédia, que fazem parte da equipa, cuja principal vocação é estabelecer parcerias com outros criativos e empresas.

A equipa conta hoje com dez pessoas, conta António Mota Vieira. Para conseguir pôr de pé o projeto precisou de investir 260 mil euros, em tecnologia de ponta – impressora 3D, robôs, corte a laser, impressão digital -, financiamento dividido com a Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Lima e pelo Proder – Programa de Desenvolvimento Rural. E, em 2014, inaugurou, dentro do mesmo projeto, a primeira loja de impressoras 3D, Pop Eco Spot, em Braga.

A loja, com peças de decoração para o lar e brinquedos didáticos feitos a partir de tecnologia de ponta, vende também criações da incubadora. O cliente pode ainda, por exemplo, fazer o seu próprio porta-chaves numa impressora 3D da loja e até participar num workshop onde aprende a fazer os artigos, mediante um valor mínimo de compras. Ao mesmo tempo, também pode comprar os equipamentos de tecnologias de ponta e fazer o mesmo trabalho em casa.

“Queremos que as pessoas façam parte do processo de montagem dos nossos produtos e, por isso, as peças não têm parafusos. O nosso core business são peças que vão embaladas e que os clientes podem, facilmente, montar em casa. Mas que são, ao mesmo tempo, um produto de um trabalho de design assente numa necessidade que precisa de resposta”, esclarece.

Os produtos para casa e escritório são, por enquanto, os favoritos da incubadora criativa. Por isso, estão já a trabalhar numa coleção para têxteis especialmente pensados para mobiliário.

Na equipa ligada ao projeto Weproductise trabalham 10 pessoas.

Na equipa ligada ao projeto Weproductise trabalham 10 pessoas.

Além das novas peças, a mesa Bomerango é um dos produtos em constante transformação: a versão básica está à venda online e já chegou a países como Alemanha, França e Holanda. Mas, em breve, a Weproductize espera lançar uma versão mais tecnológica da mesa que permite trabalhar confortavelmente em pé ou sentado. Em causa, a evolução da Bomerango: uma versão da mesa com direito a regulação da altura de forma elétrica e um contador de calorias por estimativa de maneira a que os utilizadores possam estimar o bem para a saúde que fazem enquanto trabalham.

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