Brands&Ninjas. O olho das marcas na loja

A startup Brands&Ninjas não pretende usurpar o papel das equipas comerciais das marcas mas complementar o serviço. Utilizam "ninjas" para ver como estão as marcas nos pontos de venda.

Remontando a tempos feudais no Japão, um ninja era uma espécie de agente secreto. Atualmente, qualquer pessoa pode ser um ninja, sem precisar de capacidades especiais e disfarces. Um telemóvel e alguns minutos disponíveis são o que é preciso para ser um ninja dos tempos modernos. Isto, claro, se aceitar a missão de ajudar as marcas a perceber como estão posicionadas nos pontos de venda.

A ideia para o lançar a startup Brands&Ninjas começou a pairar na cabeça dos fundadores em 2017 mas foram precisos quase dois anos de maturação para começar a ver a luz do dia. A empresa desenvolveu uma plataforma que está assente numa comunidade de pessoas - que apelidam de ninjas -, que fazem a avaliação da presença das marcas nos pontos de venda. São os ninjas que têm como missão fazer uma avaliação rápida da forma como os produtos estão representados no ponto de venda, colocando as informações numa aplicação móvel da marca, confirmando as informações com uma fotografia. As marcas acedem à informação pela plataforma. As missões não são, contudo, voluntárias. Ou seja, os ninjas só se deslocam para fazer esta análise depois da marca ter requisitado o serviço à startup.

"A ideia já vem desde 2017, foi trabalhada por mim e pelo Hugo [Hugo Varrúcio] devagarinho e só agora é que chegámos ao mercado. O Hugo já trabalhava no retalho e começou a aperceber-se que, cada vez mais, nas lojas das grandes superfícies os produtos que estavam em determinados expositores não correspondiam ao que o expositor deveria ter", explica José Pedro Moura, CEO da Brands&Ninjas. Hugo aliou-se a José Pedro e assim nasceu esta startup.

A plataforma foi desenvolvida por uma empresa de software de Coimbra - a Red Light Software, que é liderada por Miguel Antunes e Toni Gonçalves, ambos também sócios da Brands&Ninjas. "Começámos os dois [José e Hugo] a validar a nossa ideia com marcas. A primeira que abordámos foi a Delta que, na verdade, foi o nosso primeiro cliente e quem nos ajudou a crescer", diz o CEO. Em 2019, e com a chegada de Miguel e Toni, os primeiros passos para um protótipo funcional, "que pudéssemos começar a utilizar e com o qual pudéssemos a abordar outras marcas" arrancou. "Foi aí que começou a entrar a Sonae MC e um bocadinho mais tarde a Navigator".

A startup assegura que não quer substituir as equipas comerciais que trabalham para uma marca, mas dar informação adicional, e em tempo útil, para que possa haver um reforço e otimização. Os ninjas conseguem visitar tanto lojas de retalho pequenas como grandes e aglutinar mais informação útil em pouco tempo, ajudando assim as equipas comerciais a controlar os seus objetivos e campanhas e, mais do que isso, a planear a atividade comercial.

"Estamos quase a lançar a versão 1.0, aquela que vai deixar de ser beta", diz José Pedro Moura. Com os ninjas no terreno, a plataforma vai dando às marcas dados estatísticos em tempo real e as marcas podem fazer download de um ficheiro mais exaustivo com todas as métricas recolhidas durante as missões.

"As pessoas que fazem parte da nossa comunidade não o fazem só porque querem ajudar as marcas, mas também porque são remuneradas. Por cada ida a um ponto de venda para verificar como é que está qualquer coisa, relacionada com determinada marca, os nossos ninjas recebem no mínimo três euros. Quem faz a distribuição do dinheiro somos nós, mas o modelo de negócio desta empresa prevê que a marca nos pague e nós redistribuímos o dinheiro pela comunidade", acrescenta o responsável.

Com uma equipa que supera os 700 ninjas, entre os objetivos da empresa está consolidar a sua presença em Portugal em vários setores, como farmácias, balcões de bancos, gasolineiras, stands de automóveis, redes de outdoor, franchising, entre outros.

Apesar de o ano ainda estar no início, a ambição é alcançar 200 mil euros anuais de faturação. "Ainda assim, é um ano em que estamos muito preocupados com o desenvolvimento do nosso produto. Por isso, se começarmos a ver que começa a crescer muito, que começamos a ter muitas empresas e os pedidos começam a ser muito diferentes, a dada altura podemos ter de travar um bocadinho a entrada de novos clientes para não sofrermos com algum desfoque", defende o CEO.

No mapa da empresa está também a internacionalização, pensada para o próximo ano, "acompanhando alguns clientes que já temos em Portugal eventualmente em mercado espanhol". "Parece-nos que a internacionalização vai existir, mas já a seguir a uma segunda ronda de investimento. Esta primeira ronda [da Core Angels Portugal] permitiu-nos terminar a nossa plataforma, estar no mercado, crescer. Mas o projeto vai precisar de uma segunda ronda que pensamos levantar para o final do presente ano", estima José Pedro Moura.

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