Web Summit

Web Summit: Caçar capital, mostrar novos produtos e fazer contactos

Web Summit.
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Uma dúzia de líderes explicam o que viram ou foram fazer à cimeira e dão nota positiva, no exame final

Absolutely amazing. A expressão mais usada por Paddy Cosgrave durante a última semana resume a energia e o fervor que inundaram o Parque das Nações, em Lisboa. Pelas portas da FIL e do Altice Arena passaram 59 115 participantes, mas houve outros 20 mil que ajudaram a pôr o evento de pé. As portas fecharam-se pela última vez na quinta-feira e voltam a abrir-se na mesma data dentro de um ano. Até lá, as janelas de oportunidade vão manter-se abertas para as 1200 startups que escolheram Portugal como montra para se dar a conhecer.

A rampa de lançamento não podia ser melhor: o evento envolveu 2600 jornalistas internacionais e 1400 investidores que se passeiam pelos corredores como ‘olheiros’ e são fortemente abordados, num ambiente de movimento permanente. Raramente fecham negócios na feira, deixando-os para mais tarde.

Houve ainda 1200 conferencistas de topo. Pela passadeira vermelha passaram gestores de grandes multinacionais como a Google, Facebook, Amazon ou Microsoft. E o palco principal da cimeira, no Altice Arena, encheu-se por diversas vezes com um público sedento de tecnologia e informação. As salas mais cheias foram também as mais eufóricas.

Primeiro, com Sophia. O robô, que na semana passada recebeu cidadania da Arábia Saudita e que partilhou o Centre Stage com o humanóide Einstein na terça-feira, conquistou o público e os fotógrafos. Falou do futuro da Inteligência Artificial que, afinal, está aqui tão perto, e deixou 20 mil boquiabertos. “Sei que muitas pessoas têm medo que os robôs destruam o mundo ou fiquem com os seus empregos. Não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar com os vossos empregos”, disse Sophia. Isto antes de Stephen Hawking deixar um alerta: “A inteligência artificial pode ser o melhor ou a pior coisa que já aconteceu à humanidade”

Não foi a única cena a saltar da tela dos cinemas para o Parque das Nações. A Uber anunciou, na quarta-feira, uma parceria com a NASA para gerir o tráfego aéreo de baixa altitude. A era dos carros voadores está ao virar da esquina.

E, ao terceiro dia, a chave de ouro. O antigo Pavilhão Atlântico começou a encher-se mais rapidamente do que o habitual para acompanhar o desfile de luxo guardado para o fim. Lotação esgotada para ouvir Caitlyn Jenner e a primeira ovação do dia. Falou-se de género, de aceitação de um ‘fato’ que não servia. A seguir, Sara Sampaio e nova enchente para ver de perto a modelo da Victoria’s Secret a falar de ativismo.

Mas o melhor ficou mesmo para o fim. Com Al Gore as cadeiras foram poucas e a meia hora voou. O ex-vice-presidente dos EUA encheu o palco com a paixão de quem está em campanha eleitoral e não poupou críticas à política, à poluição e, claro, a Trump.
A multidão abraçou-o com uma ovação em pé que repetiu quando Marcelo Rebelo de Sousa entrou em palco onde deixou o pedido para mais Web Summit. Não para o ano, que já está garantida, mas para 2019 e 2020. “Portugal merece-o. Lisboa merece-o”.

Web Summit 2017

Miguel Pina Martins, CEO da Science4You

“Quanto maior, mais oportunidades há”
Para nós, o importante é estar com pessoas, marcar reuniões, tentar explorar oportunidades de negócios. Não consegui acompanhar os palcos e havia muitos que gostava de ter acompanhado, mas temos uma vantagem que é depois ficar tudo online. Para o ano acho que o ideal é que fosse maior. Quanto maior, mais oportunidades há, quanto mais oportunidades há mais vale a pena vir para cá e estar cá e fazer o tal networking. Esse é o ponto, quanto maior melhor. Acho também que funciona muito bem o fórum para speakers. Eu fui convidado para falar por isso tive acesso aqui a uma série de coisas que estão fora desta Web Summit mas colocam ali um público bastante premium onde estão CEOs, chairmans, isso tudo, e tem sido muito interessante o networking que se consegue nesse espaço. Se isso puder continuar e aumentar também o tamanho da própria Web Summit, seria muito interessante.

Web Summit 2017

Celso Guedes de Carvalho, Presidente da Portugal Ventures

“Detetámos oportunidades de investimento para fazer já no 1º trimestre 2018”
O balanço é muito positivo. Fomos claros a definir os nossos objectivos: captar oportunidades de investimento, pois somos o venture capital mais ativo em Portugal a fazer investimentos e é muito importante contactar uma série de empresas nas quais queremos investir no próximo ano e, nesse sentido, fizemos uma selecção. Fizemos 27 reuniões com essas empresas escolhidas e esse objectivo ficou cumprido, e detetamos as melhores oportunidades que queremos concretizar já no primeiro trimestre do próximo ano. O segundo objectivo foi alavancar a participação das nossas empresas, foram 17 do nosso portefolio ao WS e algumas lançaram novos produtos e soluções, e ajudamo-las a fazer contatos com outros players mas também com outros investidores estrangeiros, para outras rondas de investimento ou para promover o nosso desinvestimento, devolvendo retorno a investidores, que também é importante. (Veja o vídeo da entrevista)

Manuel Caldeira Cabral

Manuel Caldeira Cabral, Ministro da Economia

“Excedeu todas as expectativas”
No ano passado foi espectacular, mas este ano a edição da WS excedeu todas as expectativas. Esteve mais gente, empresas renovadas e mais interessantes, e vieram 270 portuguesas. Várias startups surpreenderam-me, como a OutSystems que já ultrapassou 100 milhões de euros de vendas e tem mais de 300 pessoas a trabalhar, e a Feedzai, que já é uma referência a nível mundial na segurança dos pagamentos bancários. Foi uma vitória para Portugal ter corrido tudo bem, as pessoas saíram daqui com uma imagem melhor de Portugal e haver notícias de investimentos e de criação de empregos. (Veja o vídeo da entrevista)

Web Summit 2017

Vasco de Mello, Presidente da Brisa

“O país fica no mapa da tecnologia e da inovação”
A Brisa considera que a WS é uma iniciativa importante para o país, porque o coloca no mapa na senda da tecnologia e do país inovador e que tem um bom acolhimento para os empreendedores e desse ponto de vista era importante a Brisa estar presente, para mostrar aquilo que tem estado a fazer nos últimos tempos. A Brisa é vista, hoje, como uma empresa de infraestrutura rodoviária, gerindo um conjunto de autoestradas e aquilo que temos vindo a fazer é transformar a empresa numa visão onde éramos um puro operador de infraestruturas rodoviárias para um operador de mobilidade. Isto quer dizer ter o cliente no centro das preocupações, como foco principal da nossa atividade, o que levou a passar do carro para o cliente. Isto representou na Brisa uma transformação da missão, que agora é prestar mobilidade eficiente às pessoas. Hoje quando pensamos em mobilidade não podemos deixar de pensar na sustentabilidade, que é essencial. Temos, como país e como parte do mundo, objetivos importantes em termos da descarbonização que tem de ser feito da forma mais eficiente, tendo em conta os impactos ambientais e sociais que o transporte tem. Foi isso que viemos apresentar. Surpreendeu-me o interesse manifestado por um número tão grande de pessoas, a presença de empresas diversas e a componente internacional, que é muito importante para o país. (Veja o vídeo da entrevista)

Web Summit 2017

João Vasconcelos, Gestor e ex-secretário de Estado da Indústria

“As empresas portuguesas preparam-se melhor”
Provavelmente para muitos, mais importante do que o WS é o Founders, evento à porta fechada para 150 fundadores de empresas, normalmente aquelas que vemos nos filmes de Silicon Valley, de centenas de milhões, que decorre em Lisboa e que foi o evento original criado por Paddy Cosgrave, só depois veio a WS. No meu caso, o interesse sempre foi atrair investimento e empresas para Portugal. Hoje Portugal está mais preparado para a WS e mais adulto, notei isso este ano. E as empresas portuguesas prepararam-se melhor para a WS, quer as startups quer as grandes. Houve mais presença de empresas portuguesas e de decisores portugueses. Perceberam que isto não é uma coisa para miúdos, para geeks ou para nerds, perceberam que isto é o futuro. Aconteceram na WS discussões sobre indústria automóvel com CEO mundiais, agricultura, moda, impacto social. Mas eu sempre medi o impacto da WS numa geração, através dos 10 mil bilhetes quase grátis que deu a estudantes. (Veja o vídeo da entrevista)

MathiasThomsen

Mathias Thomsen, diretor-geral de Mobilidade Urbana da Airbus

“Procuramos parceiras de aviação”
Quando um novo mercado está a ser criado, é a força do ecossistema que nos pode fazer avançar. É ótimo estar na Web Summit, em Portugal, a falar para startups, que poderão ser nossas parceiras de desenvolvimento de tecnologia, que serão necessárias daqui a alguns anos. A nossa função, numa empresa como a Airbus, é abrir o mercado tão depressa quanto possível. Precisamos de fazer isso em menos de cinco anos para que o investimento tenha um bom retorno. Estamos na Web Summit à procura de startups que possam ser nossas parceiras, através da nossa aceleradora de aviação.

João Bento

João N. Bento, Managing director da Novabase

“Internacionalizar a Wizzio foi uma das razões para ir à WS”
A Novabase veio apresentar a Wizzio, plataforma que vai permitir aos bancos competir com as fintech. Elas estão a aparecer e a ter um espaço grande nos serviços financeiros e os bancos têm que reagir. Esta plataforma serve para que os bancos possam reagir. Penso que oestesestão numa fase em que perceberam que faz mais sentido estarem aliados às fintech e explorarem as sinergias que têm com elas do que rejeitarem esse movimento. Ao mesmo tempo os bancos têm um caminho a fazer e têm de equiparar o nível de resposta dos seus serviços ao nível dos serviços das finech. O que muda? Bom, muito recentemente o Banco de Portugal autorizou as pessoas a abrirem conta sem esar presencialmente, e issio pode ser feito através de uma app e em que por vídeo vê a cara da pessoa e o documento de identificação da pessoa e isto é aquilo que nós chamamos de costumer journey, e todos os bancos estão numa corrida para serem os primeiros a lançar e a nossa plataforma é um acelerador. Temos feito um ivnestimento significativo e mais de 30 pessoas a trabalhar nesta equipa. Internacionalizar foi uma das razões para ir à WS, para fazer o lançamento do Wizzio. O nosso home market é a Europa, onde não temos barreiras para fazer negócios e se conquistarmos a Europa, seguramente, conquistaremos o mundo. (Veja o vídeo da entrevista)

Web Summit 2017

Miguel Fontes, CEO da Startup Lisboa

“Contactar pessoas que seriam difíceis de aceder”
“Foram dias energizantes e esgotantes também. Foi incrível estar com gente de tanta parte do mundo e estabelecer contactos com pessoas que, de outro modo, seriam difíceis de aceder. Foram contactos institucionais, com investidores e startups e o balanço é muito positivo. Eram dois os nossos objectivos: um ligado à Startup Lisboa e ao seu portefolio de startups, ajudando-as a promover o que estão a fazer e na atracção de investimento, e outro objectivo ajudar a crescer o ecossistema no seu todo em Portugal, e em Lisboa em particular, estabelecendo relações com os players que possam ajudar ao ecossistema. Para nós, foi bom saber também que a WS não ficará só por mais um ano. (Veja o vídeo da entrevista)

Web Summit 2017

Cristina Campos, Diretora-geral da Novartis Portugal

“Esta é uma forma de trabalhar no futuro”
A Inteligência Artificial foi uma das tendências que marcaram a cimeira que Cristina Campos considera que poderão influenciar o futuro da indústria farmacêutica. Essa é, de resto, já uma realidade na Novartis. “Já temos alguns pilotos, chat bots, na área da literacua da saúde, para ajudar o doente em ter um apoio extra de como gerir a sua doença”, conta. Defende uma maior proximidade do sector farmacêutico ao ecossistema de startups, tendo lançado o programa Techcare, do qual há 11 finalistas de um total de 64 candidaturas. Seis países europeus estão interessados em olhar para as soluções propostas para as levar para eventual piloto ou escalá-las a nível europeu ou global. “Acreditamos que esta é a verdadeiramente a forma de trabalhar no futuro”, defende. (veja o vídeo da entrevista)

luis manuel

Luís Manuel, Administrador da EDP Inovação

“Procuramos boas ideias e agilidade”
A EDP trouxe os seus cinco programas de apoio a startups. Um é o EDP Open Innovation, ecossistema onde encontramos uma grande quantidade de startups mais avançadas, cujo programa terminou em outubro e levámos à WS as três startups melhor classificadas da edição deste ano. Depois temos três programas focalizados em determinadas geografias, os EDP Starter, um em Espanha, outro em Portugal e outro no Brasil, que procuram fazer com que as empresas que vamos encontrando procurem ter relações de trabalho com a EDP. E temos o programa, o Free Electrons, que é internacional e que nos envolve a nós e a mais sete outras utilities. Quando nos relacionamos com startups procuramos boas ideias e capacidade de se movimentarem rápido. A EDP tem um objetivo: investir em inovação, até 2020, cerca de 200 milhões de euros. (Veja o vídeo da entrevista)

Web Summit 2017

Carlos Castro, Fundador da Mobiware

“Demoraríamos anos a conseguir estes contactos”
Fomos apresentar a Ivaware, aplicação móvel de android – e já a ser preparada para ios e web, que ajuda trabalhadores independentes na declação de IVA. Mostra em tempo real o valor que vão entregar ao Estado na próxima declaração e divide as despesas pelas três categorias. O objectivo da ida à WS foi o networking com empresas com as quais podemos integrar a aplicação. Balanço: demoraríamos anos a conseguir os contactos que fizemos na WS e tivemos mentor hours com uma americana que nos deu ideias excelentes para chegar ao nosso target. Foi bom! (Veja o vídeo da entrevista)

afonso carvalho

Afonso Carvalho (16 anos), Co-fundador

“Somos a Uber dos telefones e fizemos o primeiro pitch”
Somos a Uber dos telefones! E conseguimos fazer o primeiro pitch no palco da EDP. Este é um conceito prático, inovador e revolucionário em Portugal e no mundo, já que só havia algo semelhante em África. Baseia-se na reparação de telefones, computadores e tablets em que somos nós que vamos ter com o clientes e em 24 horas fica reparado. A ideia nasceu quando eu tinha 14 anos. O meu sonho é ser empresário. (Veja o vídeo da entrevista)

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