Web Summit 2018

Caçar investimento na Web Summit? Podem tirar o unicórnio da chuva

Habib Ahmed, Harvest Holdings
(Diana Quintela/ Global Imagens)
Habib Ahmed, Harvest Holdings (Diana Quintela/ Global Imagens)

São mais de 1200 as empresas que vêm à Web Summit com a esperança de levar um cheque no bolso. Mas não é aqui que os investidores põem a mão na massa

São a espécie mais rara da Web Summit, e por isso a mais valiosa. Têm a credencial azul céu, e levam as startups às nuvens só por se aproximarem. Mas para os investidores, a maior cimeira de tecnologia do mundo não é uma caça ao tesouro. A dimensão e a intensidade dos três dias de feira tornam os negócios numa missão impossível, confessam. Quanto muito, levam no bolso um cartão-de-visita que pode transformar-se um dia em investimento.

“Isto acaba por ser mais um ponto de encontro do que uma oportunidade para fechar negócios. Os investidores, por norma, vêm à Web Summit para falar com empresas que já conheciam de outras ocasiões”, explica Felix Krause, da innogy Ventures, que veio de Berlim com a mira apontada às startups viradas para as cidades inteligentes.

Confessa que olha para os stands espalhados pelos pavilhões da FIL com alguma indiferença, por muito originais (e barulhentos) que sejam. “Sabemos em que áreas queremos investir e procuramos startups já em fase de crescimento, não queremos alphas em fase inicial. Se algum fundador vier ter comigo para se apresentar, a probabilidade de eu manifestar algum tipo de interesse nele é muito baixa”.

Quando fala de Lisboa como ponto de encontro, Felix refere-se não só às startups como a outros investidores. Diz que conhecer possíveis parceiros de investimento de risco na Web Summit acaba até por ser o objetivo principal do evento. “É da partilha de conhecimentos que nascem os bons negócios. Todos os investimentos que fizemos até hoje foi em parceria com outros fundos”, revela.

No mar de gente que circula pelos pavilhões da FIL, nem tudo o que vem à rede é peixe. Quem o garante é um “tubarão” do Brasil. “O problema da Web Summit, por assim dizer, é estar muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Para que o evento seja produtivo é preciso ter alguma disciplina”, conta Carlos Gamboa, da Fisher Venture Builde, que num ano e meio de existência investiu em cinco empresas.

O “investidor anjo” que já trabalhou em Portugal veio à Web Summit procura das tendências na área das fintech. Não espera, no entanto, aumentar o portfólio durante a visita a Lisboa. “Aqui espero fazer bons primeiros contactos. Mas nunca ninguém irá sair daqui com um cheque passado, até porque não é assim que funciona. Não se consegue avaliar o potencial de um negócio com base num primeiro contacto ou numa ideia gira”.

A concretização do investimento, explica, depende do sector e do volume de investimento. Do primeiro contacto ao negócio fechado chegam a passar mais de seis meses. “Do ponto de vista do investidor o mais interessante é circular e conhecer as empresas. Já vi aqui coisas interessantes mas também já vi empresas que parecem ter interesse à primeira vista e depois não dão em nada…”, lamenta.

Do Brasil para o Egipto o discurso não varia muito. Habib Ahmed, da Harverst Holdings, veio em representação da Entrepenuers Organization do Cairo. “Estamos sempre à procura de empresas para investir, seja na Web Summit ou noutro local qualquer, porque a oportunidade pode estar ao virar da esquina”. A cimeira “pode ser produtiva porque é aqui que estão as tendências, e venho aqui para que me impressionem”. Por outro lado, “pode ser avassalador”, tanto para investidores como para startups.

Para estas, mais do que os stands onde oferecem ioiôs ou óculos de sol a quem passa, a aposta deve estar no trabalho de casa, aconselham os investidores. Como por exemplo, no domínio do pitch. Para a Portugal Ventures, que está na Web Summit com o objetivo de falar com todas as startups portuguesas presentes no evento, são as apresentações rápidas que podem fazer a diferença na altura de levar o cartão-de-visita milionário para casa.

“Aqui não se avalia nada, só tentamos perceber que projetos podem encaixar na nossa estratégia de investimento. Depois da Web Summit convidamos as pessoas a apresentar formalmente o projeto”, explica Nuno Ferreira de Almeida, gestor de investimentos da Portugal Ventures, que também é da opinião que os stands não são o melhor palco para a captação de fundos.

No grande oceano que é a Web Summit, é preciso apanhar a corrente certa.

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