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Cada par de sapatos é único e pintado à mão

Susana e Sara investiram 10 mil euros
Susana e Sara investiram 10 mil euros

Os telefones podem facilitar o trabalho dos empreendedores. Mas Sara Ribeiro e Susana Colaço tiveram de pegar no carro e ir estrada fora, rumo ao norte do país, para terem respostas às perguntas delas.

Sara, 24 anos, estudou terapia ocupacional e Susana, 27, seguiu design visual no IADE.

Conheceram-se porque a irmã de Sara era amiga de Susana. Um dia decidiram juntar–se e criar uma empresa: não encontravam trabalho nas respetivas áreas de estudo e as perspetivas de futuro eram pouco animadoras. Em janeiro, com dez mil euros divididos pelas duas – com capitais próprios e ajuda das famílias – começaram a materializar a ideia da Girls Vinci, uma marca de sapatos de pele por dentro e por fora feitos à medida de cada cliente. Não que tenham em atenção a ergonomia dos pés, mas levam à letra o gosto e as necessidades de cada mulher.

Susana explica melhor: “Acho que é mais sonho de sapato. Às vezes temos o vestido e não temos os sapatos adequados. É mesmo para a pessoa ter um par de sapatos que mais ninguém tem. Acho que é o sonho de qualquer mulher.”

Sara e Susana costumavam fazer sapatos e acessórios para elas próprias e a ideia de abrir um negócio na área da moda agradava a ambas. “Queríamos fazer alguma coisa relacionada com moda. Mas moda, moda, ou seja, roupa, não queríamos muito. Na altura, era para tirar estilismo, mas achei que em Portugal seria muito complicado e só estudaria estilismo se fosse no estrangeiro. Então, estivemos a fazer pesquisa e tentámos perceber o que poderia resultar também numa ótica de expansão internacional. Decidimos fazer sapatos. Personalizados. Já existe a ideia de fazer snickers, personalizá-los, mas nunca sapatos feitos de propósito para serem personalizados.”

Só que passar da ideia à ação não foi simples. “Foi muito complicado encontrar fábricas para produzir. Somos uma empresa pequena que quer começar a trabalhar, mas havia um obstáculo, à partida, porque tínhamos de pedir quantidades mínimas. E quanto menos quantidade maior é o preço por unidade. Isso para nós tem sido complicado”, diz Sara.

Além dos números mínimos exigidos pelas fábricas – a primeira encomenda foi de cem pares de sapatos por cada modelo -, chegar ao contacto com os produtores de sapatos nacionais foi um processo lento e complicado. “O mais difícil foi responderem-nos das fábricas. Mandávamos e-mails, telefonávamos e não nos respondiam ou a pessoa responsável não estava. Diziam que ligavam e depois não ligavam.” Só que um dia, numa fábrica, conseguiram um contacto que iria mudar tudo. “A pessoa em questão já estava com muito trabalho e passou o nosso contacto a uma sócia. Era a primeira vez que ela estava a trabalhar com marcas em Portugal e, através dela, conseguimos fazer visitas a fábricas, escolher os modelos que iam ao encontro do que tínhamos desenhado e fazer as nossas propostas.”

Desenharam dois modelos de sapatos – umas sabrinas e uns sapatos de salto alto, recortados por dentro e compensados – e recorreram a uma plataforma de crowdfounding, a Massivemove, para arrancarem com a primeira encomenda. As duas sócias acham indispensável ter sapatos já produzidos pois, sendo as mulheres o público-alvo, as compras são feitas no momento em que se conhece a marca e o conceito. “As mulheres gostam de experimentar e comprar”, diz Sara.

A venda da marca online assume o papel fundamental para a Girls Vinci chegar ao público, mas as quatro lojas onde é vendida ocupam lugar de destaque na divulgação (Muuda e Essência Lusa, no Porto, Anthrop, em Coimbra e Sofico, em Sintra). O blogue e o site, além da página no Facebook, fazem o resto. “As ideias surgem de tudo. Do que gostamos, dos gostos dos amigos e amigas, de sugestões de clientes. Queremos vender os nossos desenhos mas também queremos que as clientes venham ter connosco e que nos digam o que gostavam de ver nos sapatos”, diz Sara.

E se uma cliente gostar de um modelo do portfólio, pode pedir para repetir? A resposta é não. “Não fazemos igual. Prometemos a nós mesmas que não íamos repetir: os sapatos são feitos à mão e seria difícil repetir o desenho – já é difícil no mesmo par. Pode ser do mesmo género, mas nunca com as mesmas cores. A amiga não vai poder ter os sapatos iguais, mas pode ter uns parecidos, com o mesmo conceito mas um pouco diferentes”, assegura Susana.

Os preços dos sapatos da Girls Vinci variam entre 85 euros (custo das sabrinas) e 150 euros (preço dos pumps – sapatos de salto alto clássicos ou compensados). Os sapatos começaram a ser vendidos em setembro e o investimento deverá ter retorno total em meados do próximo ano.

Assim, pode começar a planear as toilettes pela base: primeiro os sapatos e, só depois, as calças ou o vestido. Ou encomendar uns sapatos únicos da cor exata ou com um desenho que esteja relacionado com o tecido que escolheu para a roupa.

Com a coleção a crescer, os amigos de Sara e Susana até já conseguem saber que sapatos foram pintados por quem. “Acaba por ser bom termos gostos tão diferentes porque acabamos por ir ao encontro de estilos bem diferentes. Se fôssemos as duas da mesma área, íamos fazer coisas mais parecidas. Acaba por ser bom sermos de áreas diferentes”, conclui Susana.

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