Cama Solidária: Depois da Saúde, agora a ajuda é para a Educação

Uma fila de ambulâncias à frente do hospital de Santa Maria deixou Ricardo Paiágua inquieto e a questionar-se sobre como seria se ninguém ajudasse. A criatividade e o espírito empreendedor - é fundador da agência de criatividade UppOut - fizeram o resto, neste caso sem fins lucrativos. Com um logótipo e um site lançou o Cama Solidária. "Liguei a um amigo e pedi-lhe para me fazer o logo; falei com mais uns e no dia seguinte lançámos o Cama Solidária. Uma amiga de uma empresa de autocaravanas, que até estava a pensar fechar a empresa, emprestou as primeiras e rapidamente chegámos às 60 autocaravanas por todo o país", conta ao Dinheiro Vivo.

Em Lisboa, o Cama Solidária tem já o apoio da EMEL e autocaravanas em frente ao Santa Maria, mas também no Porto, em Loures, Cascais e Almada. E além das 60 autocaravanas, houve ainda quem disponibilizasse casas junto a alguns hospitais. "O que pedimos é que seja perto, para que os profissionais de saúde possam descansar. O que queremos é dar conforto e tempo aos profissionais de saúde", sublinha.

Para isso, tem o apoio permanente de 300 voluntários e mais de três mil na base de dados prontos a serem chamados assim que for necessário. Além do apoio das autocaravanas, o Cama Solidária está a fazer recolha de bens que possam ajudar os profissionais do SNS durante os seus turnos: desde mantas, a bebidas energéticas, os pedidos de quem trabalha na Saúde são alargados e nos primeiros dias os portugueses contribuíram para esta rede. Ainda assim, Ricardo Paiágua nota que "nesta semana houve uma quebra grande nas doações", que até já chegam a mais pessoas, além dos elementos dos hospitais. "Já houve casos de polícias a parar aqui a pedir ajuda com alguma coisa, porque também estão a trabalhar muito com esta situação toda", acrescenta.

Agora, os computadores
Com o Cama Solidária em movimento, e até já a contar com o apoio de algumas cadeias do retalho alimentar, o fecho das escolas e a sucessiva decisão de dar aulas online voltou a trazer inquietação a Ricardo Paiágua. "A ideia surgiu na noite do último domingo", confessa. "Tive de comprar um computador para uma sobrinha e ao falar disso num grupo de Whatsapp uma das voluntárias que estavam nas autocaravanas explicou que ela própria estava a assistir às aulas pelo telemóvel. E isso deixou-me a pensar", conta.

Voltou então a repetir o processo. Novo pedido de logótipo, novo site criado e novo projeto lançado: o Computador Solidário está já a funcionar em www.computadorsolidario.pt e nos primeiros dias conseguiu angariar mais de mil computadores. "Basta entrar no site, inscrever-se e dizer que tem um computador para doar ou que necessita de um equipamento e depois fazemos o desenvolvimento do processo. Vemos quem está mais perto de quem precisa do computador e combinamos a entrega. Acreditamos que 90% das pessoas que se inscrevem precisam mesmo e mesmo que haja sempre alguém que se tente aproveitar, o importante é conseguir ajudar quem precisa." Ainda assim, explica, cada candidato terá de assinar uma declaração sob compromisso de honra sobre a sua situação e sobre os motivos por que necessita do equipamento.

Na semana em que o governo desbloqueou as verbas para a compra de mais computadores para as escolas entregarem a alunos para as aulas à distância, que começam no dia 8 de fevereiro, Ricardo Paiágua conta que já teve várias instituições a pedir ajuda para terem acesso a computadores para os seus alunos, mas também de empresas que querem saber como podem ajudar. "Conseguimos também uma parceria com uma empresa que repara equipamentos para garantir que os computadores ou tablets estão em condições."

Ajuda preciosa à divulgação do projeto, António Raminhos foi o primeiro voluntário a aparecer nas autocaravanas estacionadas junto ao Santa Maria. O humorista entregou um computador em caixa e fez um vídeo, que circula nas redes sociais, sobre como ajudar a iniciativa Computador Solidário.

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