Camisolas do Projeto Serra ajudam a preservar a natureza

Marca 100% portuguesa quer relançar a "moda do pastor". À venda online, parte das receitas vão reverter para a promoção dos territórios.

Lançado em outubro, após dez meses de conceção e desenvolvimento, o Projeto Serra está a ter uma "grande recetividade" junto dos amantes da natureza, com metade da produção já vendida. Em desenvolvimento está a coleção de verão, que trará novidades, alargando a gama de oferta às t-shirts, além dos agasalhos. E 2022 marcará o início da internacionalização da marca de vestuário, que irá expor os seus artigos nas pop-up stores da Associação Nacional de Jovens Empresários, na semana da moda de Londres e de Milão.

Esta é uma iniciativa de três primos - Tiago Pinto, Ricardo Amaral e João Duarte -, todos ligados ao escutismo e à natureza. Sempre tiveram o sonho de ter um negócio em conjunto e ligado às atividades ao ar livre. Quiseram comprar um parque de campismo, lançar um blogue de viagens, mas acabaram por decidir-se pela criação de uma marca de camisolas polares, 100% nacionais, com as quais pretendem sensibilizar os consumidores para a "riqueza das tradições e das comunidades" das serras e montanhas de Portugal, relançando "a moda do pastor".

O Projeto Serra foi lançado em outubro, com uma coleção piloto de quatro modelos de camisolas - Soajo, Freita, Estrela e Pico -, inspiradas nas serras portuguesas, como o nome o indica. Cada uma é produzida de acordo com as matérias-primas, tradições e técnicas de manufatura típicas de cada território. A camisola Freita, por exemplo, é produzida em 55% pura lã e 45% algodão, contando ainda com um capuz em burel; a Pico é feita em malha polar 100% poliéster reciclado e inclui um bolso no peito com detalhe em algodão riscado colorido e botão de vime, sendo estes feitos à mão por artesãos dos Açores.

A produção está a cargo da Gasportex, de Lousada, especializada em roupa desportiva e fornecedora de grandes marcas internacionais, como a americana Patagonia ou a sueca Haglöfs. Para arrancar, foram produzidas 400 camisolas, 100 unidades de cada modelo, metade das quais está vendida. Todas online, no site da marca. Foi entretanto lançada uma camisola de Natal, inspirada na Serra da Estrela, uma edição limitada e exclusiva, e um terço da produção está já vendida.

Os preços variam entre os 105 e os 155 euros. Tiago Pinto reconhece que é um produto caro, mas lembra que se trata de peças com matérias-primas totalmente nacionais e de elevada qualidade. "Não nos fazia sentido promover as serras portuguesas com malhas do Bangladesh, que seriam obviamente muito mais baratas. Quisemos que fosse um produto 100% nacional e quase aspiracional. Além de que não se pretende incentivar, ainda mais, o fast fashion. São peças para durar uma vida, passando de geração em geração", explica o jovem empresário.

E porque a iniciativa pretende ser mais do que uma simples marca de vestuário, parte dos lucros obtidos com a venda dos seus produtos reverte para ações de sensibilização e promoção dos territórios, tendo sido escolhido um embaixador da marca em cada um deles, "filhos da terra" que ajudarão a escolher os projetos a apoiar. Por exemplo, parte das vendas do fim de semana da Black Friday vão permitir oferecer materiais de construção ao Corpo Nacional de Escutas, que está a restaurar a aldeia de Drave, na Serra da Freita, em Arouca.

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