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Carlos Moedas: “Queremos que as empresas fiquem na Europa”

Carlos Moedas, Comissário Europeu para a inovação e Ciência. Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens
Carlos Moedas, Comissário Europeu para a inovação e Ciência. Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens

Comissário da Inovação e da Ciência destaca mecanismos de apoio financeiro da UE para startups e pequenas e médias empresas

A Comissão Europeia esteve na Web Summit com uma mensagem clara: apresentar as ferramentas de apoio prestadas há vários anos mas que ainda são pouco utilizadas pelas startups e pequenas e médias empresas. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o comissário para a Inovação e Ciência, Carlos Moedas, reforça a necessidade de as empresas europeias ficarem no continente e não passarem para os Estados Unidos se precisarem de angariar investimento.

Carlos Moedas destaca ainda o reforço do financiamento para apoiar os fundos europeus de capital de risco e refere que a União Europeia quer entrar em segmentos de mercado onde os fundos de capital de risco não ser presentes

Quem pode ganhar mais com a Web Summit: as startups com a Comissão Europeia ou vice-versa?

Quem pode ganhar mais é Portugal, com este ambiente extraordinário. Isso é único, porque há alguns destes eventos na Europa mas não há tão grande como este. A Web Summit também é muito boa para a Europa, porque precisa de posicionar-se na área de empreendedorismo, em conseguir que as empresas não sejam só criadas na Europa e que também cá fiquem e a Web Summit tornou-se algo de extraordinário. Para a Comissão Europeia, a cimeira foi muito boa para apresentarmos os nossos projetos, como a Capital da Inovação da Europa, que foi Paris. Isso deu-nos um palco de quase 20 mil pessoas e que no continente não teríamos. O mundo no futuro será feito das startups.

A Comissão Europeia vai a tempo de integrar-se neste ecossistema? O que podem fazer mais?

Já estamos muito integrados: financiamos desde startups a pequenas e médias empresas (PME) há muitos anos, com o Instrumento PME. Mas temos de fazer isto de forma mais clara, para que as pessoas saibam que existe. Queremos que a inovação tenha uma só marca na Europa, com o conselho europeu de inovação. As pessoas sabem que podem vir, sejam pequenas e médias empresas, sejam micro empresas, sejam pessoas com ideias, que podem vir bater à porta deste conselho. Esta fusão é importante porque os programas europeus estavam muito fragmentados. A Web Summit serve para informar que temos muito financiamento disponível para as startups, com marca europeia.

Esta é uma alternativa mais fiável ao capital de risco?

É completamente diferente, porque estamos onde não está o capital de risco, quando não pensa que arrisca demais. Por exemplo, se um cientista tiver uma boa ideia, não entra o capital de risco mas sim a Comissão Europeia, com as bolsas para jovens cientistas. Também estamos no capital de risco e estamos a lançar um fundo para todos os fundos na Europa e entrar em segmentos onde o capital de risco não está e é muito pequeno. Estamos a ajudar as capitais de risco a ser maiores e a poder investir mais. Se na Europa uma empresa precisar de 10 milhões de euros de investimento, vai encontrar capital de risco; se a mesma empresa continuar a crescer e precisar de 60 ou 70 milhões de euros, já não encontra. Isto faz com que as empresas acabem por ir para os Estados Unidos ou a China. Queremos que as empresas fiquem na Europa.

Poderá haver um programa europeu de coinvestimento em empresas?

No âmbito do conselho europeu de inovação, estamos a estudar maneiras mais inovadoras e criativas para financiamento, seja através de bolsas monetárias ou bolsas cofinanciadas por capitais de risco.

Se na Europa uma empresa precisar de 10 milhões de euros de investimento, vai encontrar capital de risco; se a mesma empresa continuar a crescer e precisar de 60 ou 70 milhões de euros, já não encontra. Isto faz com que as empresas acabem por ir para os Estados Unidos ou a China. Queremos que as empresas fiquem na Europa.

Ainda está em estudo?

Temos várias ideias de coinvestimento e temos mesmo parcerias público-privadas (PPP) na área da ciência que funciona – apesar de saber que em Portugal esse termo tem uma conotação diferente. Estas PPP ajudam na área da saúde. A vacina para o Ébola foi criada graças a uma PPP.

De que forma estas iniciativas afetam um cidadão europeu no dia-a-dia?

Quando vemos as pequenas empresas portuguesas a beneficiar do Instrumento PME – apoio de 50 mil a 3 milhões de euros – isso muda-lhes a vida. O mesmo com a ciência, graças às mais de 100 bolsas dadas a portugueses, do conselho europeu de investigação, e que permitiram que eles ficassem a casa.

E que medidas existem para o empreendedorismo social?

Vamos ter uma grande conferência esta semana, na Fundação Calouste Gulbenkian, que vai abordar todas as áreas, como a saúde, proteção das pessoas, compras públicas e inovação social. Esta inovação é essencial nesta Europa. O investimento público tem de ser conjugado com o investimento privado para criar soluções para as pessoas.

Paris foi eleita a Capital da Inovação da Europa. O que podem fazer as cidades portuguesas para ganhar este prémio?

Antes de mais, é preciso que haja mais cidades a concorrer e muitas podem fazê-lo.

O que distingue as cidades portuguesas?

Lisboa tornou-se um centro para a inovação, pela capacidade científica, e consegue atrair conferências como a Web Summit, que têm trazido investimento para o país. Porto, Aveiro, Braga e Coimbra também são grandes polos de atração, sobretudo as universidades, que estão no centro, e têm empresas em redor.

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