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Carol Rossetti. Mais do que ilustrações de mulheres

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Com ilustrações traduzidas em 15 idiomas, Carol Rossetti lança o livro Mulheres, um contributo no diálogo sobre os direitos das mulheres

Quando, em 2014, iniciou a produção de ilustrações para se obrigar a fazer um desenho de uma mulher por dia, Carol Rossetti estava longe de imaginar o que a esperava. Centenas de pessoas identificaram-se ou viram nos desenhos a amiga, a vizinha, a colega, a filha, a prima, a irmã, a mãe…

“E a minha página do Facebook tornou-se um ambiente em que as mulheres de todo o mundo trocam ideias”, conta a ilustradora natural de Minas Gerais, a viver em Belo Horizonte, Brasil. Este trabalho foi destacado pelo Facebook Stories. Daí, até os media internacionais repararem nele, como a CNN, Huffington Post ou Cosmopolitan, foi um saltinho. E até ao livro, outro instante.

Apresentado em Portugal no Dia Mundial da Mulher pela Chá das Cinco, chancela da editora Saída de Emergência, o livro Mulheres – Retratos de Respeito, amor-próprio, direitos e dignidade já tem direitos vendidos para os EUA, Espanha e México. Mas adivinha-se que outros países se seguirão, pois a sua força está nas mulheres desenhadas com traço forte, acompanhadas de frases inspiradoras.

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“Elas quebraram tabus e espalharam a mensagem de que as mulheres são fortes, merecedoras de respeito tal como são, independentemente das opiniões e julgamentos dos outros”, defende Carol Rosseti. Uma mensagem adotada por diversos movimentos de defesa dos direitos das mulheres ou até feministas, e com os quais a ilustradora, de 27 anos, também se identifica. Porém, defende que não é pessoa para determinar o que é ou não é o feminismo. “Eu tenho uma voz, mas não sou a voz do movimento”, esclarece, citando José Saramago: “Aprendi a não convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.”

Em vez disto, a ilustradora que descobriu o seu talento aos 4 anos, quando os pais lhe ofereceram um estojo de lápis de cor, prefere o diálogo, que ficou facilitado com as redes sociais. “Antes as pessoas conversavam entre amigos, em casa, em espaços pequenos, agora falam com pessoas do outro lado do mundo. Não é uma moda. É algo que vai crescendo, com pontos de vista diferentes, ficando mais rico por causa do contacto com outras culturas.” Prova disso é o seu projeto, que passados dois anos, “vai indo muito bem”. Sucesso extensível aos outros trabalhos de ilustração traduzidos em mais de 15 línguas.

Insistindo que “o primeiro passo para qualquer mudança é o diálogo, Carol Rossetti acredita que isso pode ajudar a aprovar leis, por exemplo, a favor do aborto ou na proteção das mulheres contra a violência doméstica. Mesmo que “algumas pessoas ou marcas se queiram apropriar desse discurso para autopromoção ou exploração comercial”.

Neste sentido, a pergunta: O que acha da Mattel ter cedido à pressão de acabar com a Barbie com a imagem estereotipada da mulher e criar uma nova mais próxima da mulher real? “Se a marca fez isso com o objetivo de vender mais, não interessa, o que importa é que ela fez algo”, diz. E vai mais longe: “Todas as histórinhas contadas numa propaganda, filme ou novela formam a sociedade, dando as ideias do que é certo ou errado.” Dá um exemplo: “A minha tia não fala sobre feminismo, nunca pensou no assédio de rua, mas, quando vê propaganda que fala disso, começa a pensar no assunto.”

0751_001No seu livro, a ilustradora propõe algo bem mais complexo e difícil: o feminismo interseccional, ou seja, o diálogo que inclui pessoas de várias etnias, necessidades, trans, homossexuais, bissexuais, pobres, famintas, sem-abrigo, analfabetas ou até com doenças mentais. “Sim, é algo difícil, mas não temos como fugir disso”, diz entre risos, frisando que é preciso ultrapassar os obstáculos culturais, as referências que vêm do senso comum e que abrangem pessoas fora deste movimento, como o homem que faz assédio de rua ou que bate na mulher.

Neste âmbito, Carol Rosseti lançou recentemente também a cartilha ilustrada Vamos Conversar, um projeto em que participou com a ONU Mulheres e várias instituições brasileiras sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres. E em vias de se tornar um projeto maior da ilustradora criou as personagens Lila e Sú, destinadas a falar sobre esta temática com crianças em idade de formação. Tudo porque o diálogo tem de começar cedo.

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