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Casa do Impacto. Para startups que querem mudar o mundo

A Casa do Impacto funciona no Convento de São Pedro de Alcântara FOTO: DR
A Casa do Impacto funciona no Convento de São Pedro de Alcântara FOTO: DR

É o mais recente hub empreendedor da capital do país. Abriu em outubro e já acolhe cerca de tinta empresas.

Azulejos antigos, com motivos religiosos, convivem em harmonia com frases motivadoras e cheias do jargão próprio do universo das startups nas paredes dos corredores labirínticos do Convento de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. A antiga casa de frades da ordem de São Francisco acolhe agora fazedores que querem mudar o mundo. A Casa do Impacto é o mais recente hub empreendedor da capital portuguesa. Sob a chancela da Santa Casa da Misericórdia, o espaço foi inaugurado em outubro de 2016 e já acolhe 30 empresas. Em comum têm o objetivo de querer adicionar valor – social ou ambiental – ao meio onde se inserem. São as chamadas startups de impacto.

Inês Sequeira, a diretora do hub, recebe o Dinheiro Vivo numa sala ampla, estilo palacete, com tetos altos e paredes adornadas, mas de decoração simples. É difícil que a conversa não resvale para a arquitetura do local. Mas a responsável consegue aguentar o foco na missão da Casa do Impacto. “O que queremos é que isto seja uma one stop shop para empreendedores de impacto social. Eu refiro muito o impacto e não o empreendedorismo social, porque acho que o empreendedorismo social é uma definição que está um bocadinho ultrapassada, porque remete para non profit, para associações e cooperativas. E o drive das startups que temos aqui é fazer dinheiro, como todas as outras. A diferença é que querem criar impacto social ou ambiental no meio onde se inserem”, explica.

A Casa do Impacto trabalha a todo o gás para ajudar as suas empresas. Funciona como incubadora, aceleradora (estão atualmente a aceitar candidaturas para um programa que vai arrancar em setembro), fazem avaliação de impacto e, em breve, vão ainda constituir um fundo de investimento. “Estas startups de impacto têm muita dificuldade em levantar o primeiro financiamento e nós queremos colmatar essa necessidade e ao mesmo simplificar o acesso ao dinheiro. Noutros fundos para estas áreas o processo é muito longo e demora-se muito tempo a libertar o acesso ao dinheiro. Isso faz com que empresas destas, que estão sempre com a corda ao pescoço, acabem por morrer pelo caminho.” O fundo, que será anunciado no último trimestre do ano, apostará na filantropia – e não numa lógica de capitais de risco. Vai funcionar por objetivos: à medida que as startups os atinjam, será libertado o dinheiro.

Inês Sequeira lamenta que, em Portugal, as empresas de impacto ainda sofram de alguma discriminação. “Muitos dos investidores portugueses ainda olham para estas startups como pouco interessantes para investir.” A razão? “Ainda há um bocadinho de preconceito. Como se estas startups não tivessem a mesma capacidade de levantar dinheiro.”

Mas a diretora da Casa do Impacto está confiante que as mentalidades estão a mudar. A tendência para querer mudar o mundo é, cada vez mais, uma aspiração dos empreendedores a nível global e, nos Estados Unidos e em outros ecossistemas mais maduros, a aceitação e preferência por este tipo de negócios é cada vez maior. “Nos Estados Unidos já perceberam que esta tendência pode ser vantajosa. Porque além do lucro, causam impacto na sociedade. Acrescentam muito mais valor e eu acredito que esse é o futuro. Em Portugal, estamos agora a despertar para isto mas nos próximos anos haverá um grande caminho a percorrer.”

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