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CellmAbs. Uma ‘biotech’ que trabalha para derrotar os tumores

Foto: Global Imagens
Foto: Global Imagens

A startup biotecnológica está a trabalhar para desenvolver uma nova terapêutica para tratamento de cancros sólidos. A equipa quer começar testes pré-clínicos dentro de 18 meses.

Lutar contra o cancro. A ideia não é nova, mas numa guerra com demasiadas derrotas qualquer novidade na área oncológica é bem recebida. E se trouxer uma abordagem disruptiva, capaz de nos fazer olhar a doença a uma nova luz, a da potencial cura, tanto melhor. Foi esse o ponto de partida que levou a CellmAbs, startup biotecnológica portuguesa, a meter-se numa verdadeira aventura: desenvolver uma tecnologia inovadora para combater os cancros sólidos, tendo por base de trabalho a nova geração das imunoterapias e direcionando-se a casos sérios como o cancro do pâncreas, o colorretal, o da bexiga, o gástrico ou o da mama, entre outros.

Os investigadores portugueses que fundaram a empresa simplificam o projeto: trata-se de uma imunoterapia, um método de tratamento oncológico que induz as próprias células do paciente a lutarem contra a doença.

Nuno Prego Ramos, cofundador da CellmAbs com outros dois cientistas, conta ao Dinheiro Vivo que a tecnologia inovadora em que a biotech está a trabalhar tem por base uma investigação que foi iniciada no CEDOC (Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova) e à qual se juntaram desde então vários institutos internacionais. “Foi um conjunto que, na altura, era liderado pela professora Paula Videira (cofundadora da empresa, a par de Carlos Novo), e fazem mesmo parte da patente”, explica o empreendedor.

Mas afinal em que se baseia este tratamento inovador? Nuno explica que o alvo da investigação “é um açúcar muito específico que existe apenas nas células cancerígenas e que, portanto, é expresso nas superfícies dessas células e não surge nas normais”.

Neste momento, a empresa está a trabalhar para desenvolver um “anticorpo que se liga” ao tumor “e que vai bloqueá-lo; só irá ter essa interação com as células tumorais e ao fazê-lo acabamos por conseguir provocar a reação: o crescimento do tumor reduz-se”.

Fruto de anos de investigação científica, na prática, o que esta solução ambiciona é encontrar o açúcar presente nas células tumorais, de forma a impedir o crescimento do cancro e em simultâneo estimular o sistema imunitário a reagir contra as células alteradas pela doença.

“Durante os últimos anos fomos fazendo vários ensaios e estudos in vitro” nomeadamente em tecidos humanos, concretiza Nuno Prego Ramos. E neste momento “já conseguimos fazer prova de conceito da eficiência e do potencial da tecnologia”, diz. Ou seja, os primeiros passos mostram que o que foi desenvolvido até aqui vai na direção certa.

Por muito bons indicadores e resultados que se tenha conseguido até agora, o caminho que ainda têm pela frente até estas soluções poderem chegarem ao mercado é longo e complexo. E nele pesa a capacidade financeira, pelo que o financiamento recebido pela CellmAbs tem sido determinante para o seu progresso.

A empresa recebeu recentemente uma ronda de investimento da Portugal Ventures, sociedade pública de capital de risco, que lhe vai permitir integrar dois programas de desenvolvimento de terapêuticas inovadoras e personalizadas. Dentro de cerca de 18 meses, Nuno Prego Ramos antecipa que a biotecnológica esteja finalmente a arrancar para os testes pré-clínicos, durante os quais vão ser avaliadas nomeadamente a eficácia e a segurança da solução em animais.

O processo requer alguns anos de estudos, seguindo-se outros passos igualmente morosos. Quando as autoridades derem luz verde, a terapêutica tem ainda de ser sujeita a testes clínicos para se avaliar devidamente a sua viabilidade em seres humanos – um processo que demora igualmente anos. Neste sentido, e caso consiga a aprovação das autoridades competentes, a solução desenvolvida pela CellmAbs ainda terá de ultrapassar diversas provas até estar em condições de chegar aos pacientes. As grandes farmacêuticas internacionais estão atentas ao desenvolvimento científico realizado pelas startups na área da biotecnologia, mas nem para essas gigantes os processos são menos complexos ou morosos – pelo que, ainda que uma multinacional se interessasse pelas tecnologias desenvolvidas por esta startup, não haveria atalhos. O conjunto de procedimentos, ensaios e testes a que estas soluções estão sujeitas é regra para todos.

Sediada no Departamento das Ciências da Vida do campus da Caparica da FCT, atualmente a CellmAbs tem na sua estrutura os três fundadores, mas prepara-se para crescer, para poder responder a todo o trabalho que tem pela frente. “Estamos à procura em Portugal e lá fora. Neste primeiro ano, vamos precisar de quatro pessoas altamente qualificadas, com um know-how muito específico nesta área”, explica Nuno.

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