moda

Change. Mudar está-lhe na pele

Marta Leitão estudou Comunicação Social
Marta Leitão estudou Comunicação Social

Nem sempre o mercado acompanha as fases da vida. Marta Leitão, de 30 anos, trabalhou, até março, em agências criativas e de meios. Viciada em viagens, regressou da Índia no final de fevereiro.

“As viagens fazem parte de tudo o que sou, são o ponto de viragem de qualquer coisa. Todas foram marcantes. Diziam-me que a Índia ia mudar a minha vida.” A viagem à terra do shanti shanti (paz, tranquilidade) não foi decisiva. Foi coincidente. “Disseram-me: Marta, não é a altura certa, com este mercado.” “Mas é a altura certa para a minha vida”, respondeu.

Marta Leitão, que estudou Comunicação Social na Universidade Católica, nunca pensou seguir jornalismo e era fascinada pela internet e comunicação online. Por isso, sempre trabalhou na área. Esteve da Fullsix, na Euro RSCG, na Fuel e, mais recentemente, na agência de meios Iniciative, onde tratava da estratégia digital, “a minha área”. Uma das áreas dela, na verdade.

“Depois havia a moda, um bichinho que nunca saía do caminho. Sempre alterei a minha roupa, era eu quem vestia as minhas amigas quando iam a casamentos. Tenho um closet que não acaba e transformar peças de roupa sempre foi uma coisa que fiz. Mudar os acessórios, tornar as peças diferentes. Tinha um blogue de moda onde ia colocando as fotografias, o que ia fazendo. Mas nunca me dediquei a 100%.” Até agora.

Há menos de um mês, Marta lançou a Change, uma marca de peças de roupa em segunda mão e vintage, personalizada, que arrancou com uma linha de calções. Foi “o ponto de viragem”. “Surge um bocado como as mensagens que aparecem nos pacotes de açúcar: ‘Um dia gostava de mudar de área, gostava de criar o meu emprego. Hoje é o dia.’ No último ano pensei nisso, mas não muito a sério, pensei no que queria fazer. Estou sempre a pesquisar blogues, lojas internacionais, o que está a ser feito lá fora, sou viciada em viagens.”

Aos 30 anos, sem filhos e com uma paixão por moda, decidiu arriscar. Despediu-se da agência e dedicou-se à marca a tempo inteiro de modo a reduzir o tempo de preparação e começar a faturar o mais rápido possível. “O nome teve que ver com a minha mudança pessoal, ao início era Second Chance, mas a segunda oportunidade podia levar a falsas interpretações e ser muito pesado, por poder referir-se à minha segunda oportunidade de vida. E não era isso que queria transmitir. Change vem do que vou fazer com as peças: dar nova vida a peças usadas e vintage.”

A Change tem já 14 modelos de calções (o preço varia entre os 45 e os 80 euros) e a ideia é ter um número de cada modelo no showroom. E, depois, ir fazendo mais e lançando novidades semanalmente e à medida que surgem as encomendas, cuja entrega demora, no máximo, uma semana. “Porquê calções para começar? Por ser verão, serem festivaleiros e porque é um produto com força. Se começasse com várias coisas ao mesmo tempo não teria tanto impacto. Estes calções faziam-me lembrar a Califórnia, as patinadoras na praia. Falei do projeto a muito pouca gente. Para conseguir criar não podia ouvir todas as opiniões: Agora quero ouvir opiniões, mas naquela altura para saber o que queria fazer exatamente precisava de me concentrar.”

Marta pega em calças Levi’s 501 e aplica-lhes tecidos, tachas, rendas, tudo, para criar peças exclusivas e diferentes das que se vendem nas lojas. “Quando meto uma coisa na cabeça, vou até ao fim. Decidi tentar. Se não correr bem, tenho um bom percurso profissional, volto a pôr o currículo na mochila e depois logo se vê”, explica a empresária. Marta não quer revelar quanto investiu, mas diz que que “qualquer pessoa com algumas poupanças tem esse valor”.

Os calções da Change também têm versão masculina, mas são as mulheres quem mais pergunta, encomenda e compra e já houve modelos que seguiram para o Brasil e para Itália. Os planos passam por fazer crescer a marca, exportar para o resto do mundo e vender, pelo menos, dez calções por semana. “Ainda quero fazer muita coisa em Portugal, mas o objetivo é internacionalizar e levar a marca para fora. E continuar online, a não ser que tenha uma loja que contribua para a publicidade da marca. Mas isso seria um trabalho a pensar mais na parte de publicidade e marketing.” E depois dos calções? Ainda não sabemos. É o segredo da Marta.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Altice sobre compra TVI. “Estado perdeu 200 milhões num ano”

Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Altice sobre compra TVI. “Estado perdeu 200 milhões num ano”

Combustíveis

Petróleo sobe em flecha. “Não haverá impacto perturbador nas nossas algibeiras”

Outros conteúdos GMG
Change. Mudar está-lhe na pele