ChemiTek: Este amaciador põe os painéis solares a render mais

Startup de Esposende está presente em mais de 60 países graças a um produto de limpeza que torna os painéis solares mais eficientes. Nova ronda de investimento vai acelerar crescimento durante este ano.

É a partir de Esposende que a ChemiTek está a tornar os painéis solares mais eficientes. Esta startup criou um líquido para a limpeza destas infraestruturas em parques solares, empresas ou mesmo em particulares de 65 países. Este ano vai ficar marcado por uma nova ronda de investimento, de até 2 milhões de euros, para acelerar o crescimento internacional.

"O nosso principal produto é o solar wash protect. Tem o aspeto de um amaciador líquido, que serve para diluir em água e que elimina, por exemplo, os dejetos dos pássaros, pólen e ferrugem dos painéis solares. Os aditivos também tornam a superfície do vidro antiaderente à sujidade", explica o líder e fundador desta empresa, César Martins.

O líquido é vendido às empresas contratadas pelas gestores de parques solares, que depois utilizam máquinas para a manutenção destas instalações. No caso dos particulares, o líquido é comprado pelas empresas que vendem e cuidam destas unidades.

No final do mês, as empresas "ganham entre 70 e 100 mil dólares de energia", ou seja, entre 57 e 82 mil euros. Além disso, os painéis apenas precisam de ser limpos "a cada quatro meses, em vez de ser mês sim, mês não".

Nascida em fevereiro de 2018, a ChemiTek recebeu um investimento de 800 mil euros em 2019, liderado pela sociedade pública de capital de risco Portugal Ventures e que também contou com a participação do fundo de capital de risco da Startup Braga (SBS).

Dois anos depois, a empresa está a levantar um novo financiamento, entre 1,5 e 2 milhões de euros. "É uma pré-série A para acelerar o nosso crescimento, para podermos entrar nos Estados Unidos e apostar no mercado asiático." A operação deverá ser concretizada numa altura em que a startup está a aumentar a equipa, de seis para 12 pessoas. Os reforços servem sobretudo para a área de vendas.

No ano passado, a ChemiTek registou mais de um milhão de euros em vendas. Mas, até chegar a este ponto, César Martins teve de avaliar a orientação. "Criei a empresa como uma aposta na área das tintas. Mas depois de uma série de formações encontrei um colega que tinha uma instalação de painéis solares. Depois de conversarmos, comecei a perceber que eles precisavam de ser limpos. Faltava manutenção."

Com meses de pesquisa e uma formação académica baseada na química e na nanotecnologia, o fazedor associou-se à Startup Braga para ajudar o construir o modelo de negócio. Ao mesmo tempo, César tentava validar a solução no Instituto de Nanotecnologia local.

Os primeiros clientes vieram do Norte da Europa e "tiveram uma melhoria de até 4% no desempenho dos painéis solares". Com o mercado da limpeza destes painéis a poder valer 10,8 mil milhões de dólares por ano em 2030, o fazedor encontrou o rumo da empresa.

Mas da unidade industrial de Esposende também saem produtos para a limpeza de barcos ou de comboios. No ano passado, durante o primeiro pico do coronavírus, a empresa chegou a fabricar um desinfetante sem álcool que, além de eliminar o SARS-CoV-2, também era eficaz contra outros vírus, como o ébola.

Nos próximos anos, a ChemiTek quer afirmar-se como "a referência na área da manutenção, com uma série de soluções específicas, como os espelhos de reflexão do sol". Também se pretende chegar aos países áridos, "que têm de lidar com poeiras e que precisam de outras opções para a limpeza".

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