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Chitas e mantas alentejanas viram sapatos

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Ainda que possa não ver, há um pouco das tradicionais botas cabreiras alentejanas nos sapatos que saem da oficina de Helena Amante e Miguel Marques.

Os irmãos são a quarta
geração no ofício. Mas quiseram diferenciar-se e escolheram as
mantas alentejanas e as chitas de Alcobaça como materiais de eleição
da suaShoes Closet. A ideia original era que a marca associasse as
raízes portuguesas a um sapato “de gama alta, muito elegante, mas
muito confortável”. Com apenas dois anos de existência, a marca
está já a vender para a Alemanha, os EUA e o Japão. E enquanto
estuda a abertura de lojas pop up no Algarve e no Porto, para testar
o conceito, avançou já com a sua própria loja online.

Miguel e Helena são irmãos e a ligação aos
sapatos começou com o bisavó, que tinha um atelier de botas
alentejanas, e prosseguiu com o avô que se transferiu para Lisboa e
se dedicou ao retalho, mantendo “algum fabrico por encomenda,
personalizado”.

Ele engenheiro e ela licenciada em Gestão mas com
formação em design, os dois irmãos quiseram avançar com um
“projeto diferente”, que aliasse “o aspeto estético ao fator
ergonómico”, associando um produto com um “valor acrescentado
muito forte, elevada qualidade e design diferenciador”. Assim
nasceu, em 2011, a Shoes Closet.

Os sapatos contam com uma elevada componente
manual e são totalmente produzidos em São João da Madeira. Em cada
época, a Shoes Closet lança quatro linhas, sendo que duas delas
(uma em cada estação) são coleções permanentes e que jogam com
os materiais tradicionais: no verão são as chitas, no inverno as
mantas. Uma forma, diz a designer, de conseguir “apresentar fora de
Portugal produtos que têm uma relação direta com as raízes do
país, de uma forma mais sofisticada, mais chique”. De ano para ano
vão mudando cores e padrões para dar nova vida à coleção, que
conta ainda com uma linha casual chic, uma mais elegante e uma mais
eclética.

A Shoes Closet, que hoje conta com uma concept
store em Lisboa, num espaço que agrega marcas de todo o país – a
Embaixada, no Príncipe Real -, nasceu com um investimento inicial de
50 mil euros, garantido com financiamento bancário. “Foi difícil,
na fase de arranque da Shoes Closet, porque coincidiu com a altura em
que a banca fechou o crédito”, conta Miguel Marques.

Mas conseguiram. Agora, o objetivo é vender cada
vez mais para fora, atingindo os 80% de exportação. Um projeto que
está no bom caminho: na feira de calçado de Dusseldorf do ano
passado, a dupla conseguiu pôr três modelos no desfile de abertura.


Retrato

A Shoes Closet foi criada em 2011. O investimento
inicial foi de 50 mil euros, obtido por financiamento bancário. Com
vendas para a Alemanha, EUA e Japão, a exportação representou já,
em 2013, 65% do total. Perspetivas para 2014 apontam para 150 mil
euros de faturação. Primeira concept store abriu no Principe Real
em setembro de 2013. Em estudo estão pop ups no Porto e no Algarve.

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