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Cinco minutos e um par de botas de borracha colorida e com cheiro a limão

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A crise dos 40 materializou-se em forma de inovação. Quatro décadas depois de começar a produzir componentes para calçado, a Procalçado criou a primeira marca de moda a pensar no mercado mundial. Os sapatos coloridos já faturam três milhões de euros/ano

Há máquinas que não param em vinte e quatro horas de trabalho. Nem as máquinas param nem as cabeças descansam. Apesar de uma história com mais de quatro décadas, a idade não pesa no dia-a-dia da Procalçado. Prova da jovialidade da marca é a recém-nascida Lemon Jelly, a primeira marca-moda do grupo e uma espécie de olhar nos olhos dos clientes, sem necessidade de intermediários.

“Nos nossos sonhos [a Lemon Jelly] começou há mais de dez anos mas, na prática, só há dois. Começou do sonho de querermos avançar na nossa área produtiva com produtos mais inovadores. E de podermos chegar mais perto dos consumidores finais, desenvolvendo ideias e conceitos para um público mais abrangente, um público mundial”, conta José Pinto, CEO da Procalçado.

A marca arrancou anos depois de a empresa ter começado a produzir calçado do mesmo género para marcas como a inglesa Hunter. A certa altura, chegou o momento de arriscar um produto pensado e feito pela equipa da Procalçado. Testaram novos processos, desenvolveram técnicas, criaram moldes. Investiram 5 milhões de euros. E começaram.

A ideia de criar uma marca própria, que permitisse chegar ao mercado em nome próprio – sem etiquetas de outras marcas e com muito design à mistura -, avançou à medida que a Procalçado ia recusando clientes. Não havia maneira de fazer diferente, sublinha o administrador do grupo. “Fácil nunca é e nunca será porque, na verdade, ao pretendermos criar algo que não estava no mercado, que não existia no nosso país, tornou-se muito mais difícil esta aventura de experimentar materiais, procurar e desenvolver conceitos de produção, tecnologias de moldes. Não estávamos preparados: foi mudar uma mentalidade e começar tudo de novo”, destaca.

A cada cinco minutos, um par de botas Lemon Jelly – com cheirinho a limão – é produzido, por máquina, na fábrica de Pedroso, Vila Nova de Gaia. O aroma a limão propaga-se pela linha de produção e até parece fazer esquecer o barulho das máquinas. Mas o objetivo da Procalçado quando criou a marca era muito mais do que criar pares de sapatos cheirosos para o mercado mundial. “Queríamos, acima de tudo, validar o nosso projeto industrial, porque o nosso cariz industrial está e estará sempre no nosso core e na nossa filosofia. Conseguimos, através de novos projetos de inovação, chegar mais longe – ao mundo, com novos produtos – e continuar a vingar, conseguindo manter uma estrutura equilibrada e saudável do negócio”, diz.

Mas, como é que, com mais de 40 anos, se mantém o espírito de inovação todos os dias? José Pinto esclarece: “Acho que, acima de tudo, tem que ver com a nossa capacidade de resistir e de continuar a querer experimentar. E, ao mesmo tempo, da capacidade de sofrer enquanto desenvolvemos coisas novas. Isto é tudo uma grande aventura que parece fácil mas que, na verdade, tem por trás o esforço de muita gente, muitos recursos, muitas pessoas, que connosco conseguem fazer isto.”

Com uma faturação anual de 23 milhões de euros – três dos quais decorrentes da marca Lemon Jelly -, na Procalçado trabalha uma equipa de 350 pessoas. A fábrica de Pedroso produz cerca de 120 mil pares de sapatos por dia e reutiliza grande parte do desperdício em materiais como a borracha.

Dois anos depois do lançamento da primeira coleção, as botas e as sandálias de borracha colorida – quase em início de verão, a marca ultima os preparativos para a apresentação da coleção primavera/verão 2016 aos distribuidores – destacam-se no mercado europeu, com França, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Portugal à cabeça, e começam a dar os primeiros passos no Leste europeu e em países asiáticos como a China, Hong Kong e, mais recentemente, o Japão e também no Canadá.

Com experiência de trabalho para marcas como Luís Onofre, Hunter e Carolina Herrera, o projeto da Procalçado começou com a marca For Ever, o braço produtor de componentes para calçado. Mais tarde, com base na experiência adquirida, o grupo lançou a Wock, a primeira marca de calçado injetado direcionado para o mercado de profissionais e, no início de 2013, a Lemon Jelly.

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