Cleanwatts: Acelerar a transição energética na Europa, no Brasil e EUA

Empresa espera duplicar vendas este ano, sendo que, em três, os mercados internacionais deverão valer três vezes mais do que nacional. Com 50 trabalhadores, a Cleanwatts quer contratar mais 20.

Resultado da fusão da portuguesa Virtual Power Solutions (VPS) - empresa de Coimbra especializada na monitorização e gestão remota de consumos energéticos - com várias startups de tecnologia limpa no Brasil e no Reino Unido, a Cleanwatts pretende "simplificar, ampliar e acelerar a transição energética". Michael Pinto, CEO e cofundador da empresa, promete "transformar a complexidade inerente a esta transição numa proposta de valor simples para os clientes: energia limpa, inteligente, de origem local e a preço inferior ao da rede".

Para o responsável, o setor da energia "tem sido um clube privado de empresas conservadoras, com interesses instalados, e não muito inovadoras", sendo este um dos motivos que explica que estejamos "40 anos atrasados na descarbonização energética". E embora recém-criada, a Cleanwatts beneficia da larga experiência da VPS, operando, "com sucesso", um portefólio de mais de dois mil locais, "monitorizando, otimizando e gerindo mais de dois terawatts/hora de energia para uma ampla carteira de clientes", que vai desde empresas de média a grande dimensão, como bancos, indústrias várias, hotéis e aeroportos internacionais na Europa e no Brasil. A ANA-Aeroportos de Portugal é um dos seus clientes.

O objetivo é, precisamente, usar o sucesso da VPS no desenvolvimento de software de gestão de energia para alavancar novas oportunidades no domínio das soluções de produção local de energia limpa. "O desafio da implementação de sistemas e serviços inteligentes de eficiência energética para o desenvolvimento de comunidades de energia só pode ser entregue a um parceiro que tenha as plataformas digitais adequadas e a experiência necessária para gerir a complexidade e o volume de dados relativos à produção e ao consumo de energia em tempo real, de forma precisa e consistente", defende Michael Pinto. Em pipeline estão já 20 comunidades, em todo o território nacional, correspondentes a mais de 10 megawatts, e a empresa está já a olhar para o mercado europeu para crescer neste segmento.

Tecnologia digital e inovação são as vantagens competitivas da empresa, que garante estar "a melhorar continuamente" os seus produtos com recurso a "algoritmos avançados, inteligência artificial e tecnologia de blockchain. Sobre os vários benefícios da sua oferta, a Cleanwatts destaca a redução de até 30% nos custos de energia, através da eficiência obtida, e de até 10% nos custos operacionais, por via da otimização de processos e equipamentos. Já os custos de manutenção podem ser cortados até 20%, com recurso a mecanismos preditivos.

Nascida em plena pandemia, a Cleanwatts assegura que a covid-19 até acelerou o seu lançamento, já que constituía uma oportunidade para apoiar empresas e setores mais afetados pela pandemia a melhor gerirem os seus custos operacionais. "A eficiência energética inteligente e o acesso a energia limpa a preços acessíveis refletem diretamente alguns dos desafios impostos pela pandemia, nomeadamente oferecendo não só um maior controlo e previsibilidade sobre despesas operacionais, mas também menor dependência de fontes de energia mais poluentes e com um custo progressivamente mais elevado", diz Michael Pinto.

A empresa concluiu, com sucesso, em dezembro de 2020, uma ronda de investimento de mais de 1,2 milhões de euros, valor subscrito, em parte iguais, pelas capitais de risco LC Ventures e Portugal Ventures. Fechou o ano com "resultados financeiros positivos", que não quantifica. Só a VPS faturou, em 2019, três milhões.

Para este ano, a expectativa é, no mínimo, de duplicar vendas. "O início de 2021 está a ser marcado por uma expansão do pipeline de vendas, com vários novos negócios e parcerias interessantes na Europa, Brasil, Estados Unidos e Japão", sublinha o gestor. A expectativa é que, no fim do ano, as vendas internacionais representem já um terço do total; dentro de três anos, é esperado que representem "três vezes mais" do que a faturação em Portugal. Com 50 trabalhadores, a empresa pretende, este ano, contratar mais 20 novos quadros.

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