Clynx: Videojogos portugueses levam fisioterapia (ainda) mais a sério

Solução permite recuperar de problemas músculo-esqueléticos em casa ou num ginásio e como complemento às sessões presenciais. Clínica CUF Alvalade é um dos parceiros da startup nascida no Técnico.

A Clynx usa os videojogos para ajudar os pacientes a recuperar melhor de lesões musculoesqueléticas. A solução é um complemento ao trabalho dos profissionais de saúde e é uma ajuda para levar a fisioterapia (ainda) mais a sério. Clínica CUF Alvalade e o Centro Hospitalar do Oeste (unidade de Caldas da Rainha) são os dois principais parceiros.

A startup funciona a partir de um modelo de subscrição junto das clínicas, que depois definem se querem submeter os pacientes à solução e quanto vão cobrar-lhes. A tecnologia implica que o utilizador tenha o mínimo de autonomia e um computador com sistema operativo Windows.

Tudo funciona sem que o paciente tenha de colocar qualquer equipamento no seu corpo - ao contrário de outras soluções que existem no mercado. Todos os movimentos, repetições e ângulos de amplitude e de desempenho são acompanhados através de uma câmara, que não está a gravar ou a transmitir o exercício. O dispositivo tem de ficar a dois metros da pessoa.

"Queremos uma recuperação mais agradável e motivadora para o paciente. Foi por isso que optámos pelo videojogo e pela câmara", destacam ao Dinheiro Vivo os fundadores da Clynx, Joana Pinto e Gonçalo Chambel.

A câmara inclui uma solução de processamento, que transforma imagem em dados. A informação é registada e colocada em gráficos no portal do fisioterapeuta, que consegue ver relatórios de sessões, perceber quantas sessões o paciente fez naquela semana (clínica ou em casa), que exercícios foram feitos e que parâmetros foram recolhidos.

Através de sensores infravermelhos, a câmara também consegue perceber onde está o corpo da pessoa e onde estão as articulações em três dimensões. Com as medições devidamente feitas, é possível detetar erros na postura durante os jogos.

A câmara é ligada ao computador através de um cabo USB e depois pode ser utilizada no ginásio das clínicas ou em casa. Os jogos são disponibilizados através de um programa instalado no computador. Passar debaixo de postes ou levantar os braços à altura certa são dois dos desafios propostos.

A solução chegou ao mercado no ano passado e já foi utilizada por mais de 100 pacientes em Portugal.

Até aqui, Joana e Gonçalo superaram várias provas de obstáculos. A ideia da Clynx nasceu em 2017. Os dois fazedores estudavam no Instituto Superior Técnico e conheceram-se na Junitec, entidade para criação de jovens empresas.

"A nossa primeira ideia era gamificar a reabilitação física. Só que estávamos a partir para a solução sem entender o mercado". Foi preciso falar com fisioterapeutas e pacientes para perceber melhor o que tinham de fazer.

A Clynx foi registada no ano seguinte mas o trabalho avançou de forma progressiva porque Joana e Gonçalo ainda estavam a estudar. A participação em concursos foi fundamental para cobrir as despesas de desenvolvimento e ganhar reconhecimento de parceiros.

Em 2018, foram reconhecidos pela entidade europeia EIT como uma das startups mais inovadoras em saúde digital. No final de 2019, a startup foi uma das três vencedoras do GovTech, concurso para soluções de desenvolvimento sustentável promovido pelo Governo português. Em novembro deste ano, ganharam o prémio de inovação Grow, do grupo José de Mello.

A primeira ronda de investimento chegou no mês passado, em fase pre-seed (pré-semente). Foram injetados 150 mil euros através da sociedade de capital de risco Think Bigger Capital. A entidade espanhola financia as startups que estão incubadas na Demium, que tem um escritório em Lisboa. É neste local que a Clynx tem atualmente as suas operações.

Atualmente com sete pessoas - seis delas a tempo inteiro - a Clynx quer começar a acelerar o crescimento. Há projetos piloto a decorrer com o grupo Lusíadas e em clínicas de Cascais e dos Açores. A startup também já olha para o estrangeiro e tem testes prontos a arrancar em Itália e na Alemanha.

Aumentar o número de exercícios, sobretudo para as costas e postura lombar, também estão nos objetivos para os próximos meses. A startup quer ainda acrescentar a fisioterapia neurológica e respiratória.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de