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Cogumelos em borras de café

Gumelo é um dos negócios mais originais
Gumelo é um dos negócios mais originais

Pegue na embalagem de papel e corte-a pelo picotado. Faça um ‘x’ com uma faca na proteção de plástico, coloque a caixa numa zona da casa com luz mas sem exposição direta ao sol e borrife com água. Duas borrifadelas por dia. Nem mais, nem menos. Espere dez dias. Vai ver os seus ecogumelos crescerem. Colha-os, lave-os, ponha-os num tacho. Cumpra a receita. Os seus cogumelos produzidos a partir de borras de café estão prontos a servir.

João Cavaleiro, Rui Apolinário e Tiago Marques, todos com 32 anos, conhecem-se desde miúdos, altura em que viviam todos em Almeirim. Em 2009, João, que estudou Microbiologia, encontrou e leu vários artigos sobre experiências feitas noutros países que envolviam cogumelos feitos com matéria de desperdício e decidiu começar a fazer experiências em laboratório.

Dois anos depois das primeiras experiências – e de testar a produção noutros ambientes fora do laboratório -, chegou à solução certa: um substrato estável que permite produzir cogumelos comestíveis a partir de borras de café. Mais uma confirmação da lei de Lavoisier. “A ideia é gerar um alimento de valor acrescentado a partir de material vulgarmente tratado como desperdício”, diz João Cavaleiro ao Dinheiro Vivo.

Em Portugal, geram-se mais de 65 mil toneladas de borras de café anualmente – consideradas desperdício, já que apenas 0,2% do café é usado para fazer um expresso. Para além do impacto negativo no meio ambiente, esta quantidade de borras de café daria para produzir mais de 13 mil toneladas de cogumelos frescos. Desde o início do projeto e até ao final do ano passado, a Gumelo tinha reaproveitado cinco toneladas de borras de café.

“O grande passo foi passar de uma pequena escala de produção – em laboratório e em casa – e transpor os bons resultados para uma escala maior. Decidimos tentar encontrar gente que quisesse apostar no projeto mas, já durante o processo – e com interesse de vários investidores -, percebemos que não era alternativa. Queríamos uma coisa nossa”, explica João Cavaleiro.

Sem recurso a créditos bancários, João, Rui e Tiago investiram 14 mil euros na criação da empresa, de maneira a conseguirem pôr tudo a funcionar, desde o fabrico ao sistema de distribuição. “Quando começámos a perceber que, em ensaios a uma escala maior, a percentagem de produto que funciona e que não se degradava era superior a 90%, decidimos avançar.”

Com parcerias com empresas de hotelaria, restauração e cafetarias, os três sócios pegaram no desperdício que resultava dos cafés bebidos na zona de Almeirim – borras de café -, recolheram-no e começaram a produzir os kits da Gumelo na “fábrica” da empresa. A expansão do negócio não é um quebra-cabeças para os três amigos – além do biólogo, o trio conta com um designer (Rui) e um farmacêutico (Tiago) -, já que pode ser feita à medida das necessidades do negócio. “É tudo feito por nós, sem quaisquer intermediários. Desde a produção à comercialização e distribuição em todo o país.”

A horta de cogumelos da Gumelo já vem montada e basta vaporizá-la duas vezes por dia para ter uma colheita de Pleurotus ostreatus (a espécie de cogumelos produzida com o substrato da Gumelo) em 20 dias, no máximo.

Os primeiros kits começaram a ser vendidos em outubro e, no final do ano, o investimento inicial já tinha sido recuperado. Mas o investimento na Gumelo não se restringe a este produto: João Cavaleiro está a investigar e a desenvolver novos produtos ecológicos, sempre envolvendo a produção de cogumelos. No primeiro semestre deste ano, a Gumelo vai explorar os mercados espanhol e da Europa do Norte (Suécia, Finlândia e Noruega são destinos prioritários no primeiro semestre de 2013). A exportação dos produtos da marca vai dar uma ajuda considerável na faturação estimada de cem mil euros, até ao final deste ano.

Os ecogumelos estão à venda online e em lojas em todo o país (veja a lista no site). Depois da primeira colheita, só tem de voltar a borrifar… e esperar pela seguinte. Siga a Gumelo no Facebook.

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