Web Summit

Collision. O que trouxeram os portugueses que foram à Web Summit de Toronto?

Membros da delegação portuguesa no Collision, em Toronto. 
(foto: Facebook da Startup Lisboa)
Membros da delegação portuguesa no Collision, em Toronto. (foto: Facebook da Startup Lisboa)

Mais de 50 portugueses foram a Toronto participar no Collision, a conferência irmã da Web Summit.

Trouxeram muita coisa. A delegação portuguesa, liderada pela Made of Lisboa e a Startup Portugal, que esteve na maior cidade do Canadá para o Collision, veio cheia de contactos, de parcerias, de acordos e de projetos futuros. E, para além de participarem na conferência irmã da Web Summit, que se realizou de 20 a 23 de maio em Toronto, a comitiva de Portugal visitou ainda centros tecnológicos, universidades e incubadoras.

Em concreto a DMZ, a maior incubadora do país, despertou a atenção da Startup Lisboa. “Foi uma agenda muito ocupada, que tentámos capitalizar ao máximo. Começámos a pensar numa pareceria com uma incubadora local, a DMZ, que tem um perfil muito parecido ao da Startup Lisboa. A ideia é podermos ter algum suporte naquele lado do mundo para dar apoio aos nossos empreendedores e eles também, por sua vez, terem o nosso apoio a quem da comunidade deles quiser vir para a Europa”, explica ao Dinheiro Vivo Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa, que, ainda assim, deixa uma ressalva. “É uma ideia ainda inicial, não quero criar grande expectativa. Foi um primeiro contacto.”

Mais do que um projeto de intenções foi o memorando de entendimento que as cidades de Lisboa e Toronto assinaram entre si, para um apoio mútuo aos empreendedores de cada uma. “São ambas cidades que apostam no empreendedorismo, na criatividade, na inovação e no conhecimento; são cidades onde a diversidade multicultural é um facto e onde as pessoas e instituições a acolhem e algumas até estimulam; são cidades seguras; são destinos referência nos seus países; ambas estão em países que são vizinhos de países maiores – e portas de entradas para mercados apetecíveis; ambas as cidades têm boa fama e reúnem simpatia e boa vontade, de forma geral”, lê-se numa publicação na página do Made of Lisboa.

A parceria entre as duas cidades não é de agora. Quando estavam a concorrer para ser o novo local de acolhimento do Collision, uma delegação canadiana veio a Lisboa, perceber como é que os portugueses tinham segurado a Web Summit. “Lembro-me bem quando as autoridades de Toronto estiveram em Lisboa, com quem me reuni, e que me perguntaram como é que tinha sido o processo de trazer a Web Summit para Lisboa, o que é que nós tínhamos feito. Partilhámos muita informação e só lhes pedi que tivessem um compromisso de honra connosco: que a estratégia deles não fosse para deslocalizar a Web Summit. E não foi. Foi para levar o Collison de Nova Orleães para Toronto,” conta Miguel Fontes.

Depois destes contactos, o diretor da Startup Lisboa assumiu que tinha bastante interesse em ver como as autoridades de Toronto tinham concretizado a conferência. “É uma dinâmica muito parecida à da Web Summit, em termos de conteúdos, com uma dimensão menor, mais ainda assim grande. Foram 27 mil participantes.” E desses, mais de cinquenta pessoas eram portuguesas. “Pudemos expor os nossos empreendedores a um ecossistema muito interessante, porque Toronto é uma porta de entrada para um ecossistema muito maduro, seja o próprio mercado canadiano, seja o mercado norte-americano. Portanto foi uma forma excelente de criarem contactos nessa parte do mundo,” continua Miguel Fontes, que acrescenta que “de todos os portugueses que lá estavam acho que o feedback foi muito positivo, toda a gente a dizer que tinha feito ótimos contactos, que tinha sido muito interessante, que tinha conhecido realidades novas. Agora, no que é que vai dar? Só o tempo o dirá. Mas acho que valeu a pena, seguramente.”

João Jesus, CEO e cofundador da Cuckuu fazia parte da delegação e assume que sim, que valeu a pena. Mas admite também que havia pontos que podiam ter corrido melhor. Desde logo, ressalva que a organização do Collision ainda pode aprender muito com a da Web Summit, em Lisboa. “Achei mais confuso do que aqui. Eu estava em Media, ao meu lado estava gente de Turismo, depois, do outro lado, de Robótica. Não havia a divisão que há aqui, o que tornava difícil para os investidores de uma certa área encontrarem tudo o que estavam à procura.”

Investidores aqui é a palavra-chave. O fazedor assume que esse fator devia ter estado também mais presente no programa da comitiva que organizou a presença portuguesa no evento. “Estiveram sempre dispostos a ajudar e sempre presentes. Houve muito esforço para mostrar como é que era o ecossistema do Canadá. Era interessante para muita gente, eu também fui a algumas coisas. Houve visitas a universidades, etc. O que acho que podia ter havido mais era essa ligação mas com investidores. Agora com a Web Summit, Portugal tem algum peso e podíamos ter usado isso para pedir à organização do Collision para organizar uma sessão de pitch com as nossas empresas para um grupo de investidores. Teria ajudado imenso”, conclui.

 

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