Novas ideias

Comissão Europeia: “Há cada vez mais empreendedores por escolha e por paixão”

Carlos Moedas, Comissário europeu da Ciência e Inovação. Fotografia: Amin Chaar / Global Imagens
Carlos Moedas, Comissário europeu da Ciência e Inovação. Fotografia: Amin Chaar / Global Imagens

No Dia da Europa, a CE debate o empreendedorismo e todas as questões que o rodeiam com debates e workshops

Esta terça-feira, 9 de maio, é o Dia da Europa, e Bruxelas está a celebrar esta data em Portugal com o anúncio dos vencedores da “Bolsa de Empreendedorismo”, um dos programas de apoio a novos projetos no espaço comunitário.

A Fundação Champalimaud recebe esta terça-feira um dia cheio de debates focado nas questões do empreendedorismo. Para falar um pouco sobre o trabalho da Comissão Europeia nesta área, o Dinheiro Vivo fez algumas questões a Sofia Colares Alves, chefe de representação da Comissão Europeia no nosso país.

Para esta responsável, há cada vez mais portugueses empreendedores “por escolha e por paixão”. Sobre a Bolsa do Empreendedorismo, Sofia Colares Alves assinala que este evento pretende potenciar outras iniciativas realizadas no nosso país e não propriamente concorrer com elas.

Estamos na 5ª edição da Bolsa de Empreendedorismo. Que balanço faz do projeto?
Faço um balanço bastante positivo. Temos tido uma grande adesão e excelentes avaliações tanto nos concursos como nos eventos ao longo destes anos. Vemos claramente que há ideias muito boas, por vezes simples mas transformadoras, e que basta um pequeno impulso e apoio para não se perderem numa gaveta. Um elemento importante da Bolsa é a questão de criar redes, pôr pessoas e organizações em contacto direto. Isso permite claras sinergias mas também permite dar coragem e pares (pessoas na mesma situação ou já com experiência da mesma situação) que são essenciais para fazer o continuo caminho de resiliência e de inovação que é o dos empreendedores.

A Bolsa serve também para mostrar muitas oportunidades da União Europeia que existem para apoiar os empreendedores, a inovação, a cooperação e a ponte entre educação e o mercado de trabalho e isso tem sido um resultado claro conseguido nas várias edições.

  • Tem notado uma evolução na participação de equipas portuguesas, em termos de número e qualidade, a acompanhar o crescimento da tendência empreendedorismo que o país atravessa?

Sim. É clara a evolução em termos de maturidade nas organizações que trabalham este tema, nas discussões que surgem nos workshops, e nos projetos que se candidatam. A grande evolução é na qualidade. Empreendedores sempre fomos, mas agora parece que há cada vez mais empreendedores por escolha e por paixão. Há evoluções claras também na diversidade tanto no perfil do empreendedor como nos temas dos projetos, no tentar juntar a viabilidade económica às questões da sustentabilidade e da resolução de problemas sociais e em algo essencial para a comissão europeia – cada vez mais os negócios são baseados em conhecimento académico, em investigação, em tecnologia e em parcerias nacionais e internacionais. Isto são elementos essenciais para o que acreditamos ser o caminho: crescimento económico com base no conhecimento e numa sociedade mais justa e participativa.

  • A Bolsa de Empreendedorismo concorre com muitos outros eventos para startups, tanto públicos como privados. Como é que se distinguem?

A Bolsa não pretende concorrer mas sim potenciar o que todos os outros fazem. Queremos ajudar a fortalecer a cooperação neste ecossistema que é essencial para a prioridade número um do nosso trabalho como Comissão Europeia – incentivar o emprego e o crescimento sustentável. Por isso, o evento é feito totalmente em parceria com mais de 80 organizações e oradores muito diversos e essenciais nas várias fases e necessidades de um projeto. Conseguimos contribuir para que esses parceiros trabalhem cada vez mais juntos. De qualquer forma, achamos que todos somos poucos para estimular o empreendedorismo de qualidade e a permitir que as pessoas tirem ideias da gaveta ou a ajudar os já empreendedores a fortalecer os seus modelos de negócio e projetos de vida – esses são os objetivos dos nossos concursos que dão, mais que prémios financeiros, formação, acesso direto a uma rede de contactos, um selo de qualidade e energia aos que participam.

  • Isso acontece também a nível geral. Há uma crítica dos players do ecossistema que dizem que a UE, com as suas 28 legislações diferentes e os vários processos burocráticos, é preterida em termos de iniciativas (financiamentos e concursos de pitch) a outras de governos nacionais e privados. Como comenta?

Uma das prioridades do trabalho da Comissão Europeia é exatamente resolver os bloqueios que ainda existem no mercado único, avançar com passos concretos para o tornar mais digital e mais harmonioso e criar um sistema mais propício ao investimento e à inovação. Por outro lado, e embora nem sempre seja evidente, muitos dos programas nacionais de financiamento e de apoio a projetos e formação são feitos com base nos instrumentos europeus ou em cooperação com a UE. Temos um papel de facilitador de outros agentes e é positivo que haja cada vez mais iniciativas de apoio ao empreendedorismo e a boas ideias.

  • Por vezes a própria informação é também um pouco confusa. Que passos recomendaria a uma startup que quisesse apoio comunitário para o seu projeto?

Existem muitos tipos de apoios europeus e isso, embora possa parecer confuso, permite chegar a uma grande diversidade de projetos e ter um enorme impacto. O meu conselho seria falar primeiro com a CCDR da sua região já que são os gestores de vários fundos europeus em Portugal e podem orientar cada empreendedor no que fará mais sentido ao seu projecto. Depois, podem ainda falar com o Banco Europeu de Investimento – nomeadamente sobre as oportunidades do Plano Juncker – e com os pontos de contactos em Portugal do Horizonte 2020 – o programa europeu que apoia a inovação. A Comissão Europeia tem muita informação disponível, por exemplo, nesta página online dedicada exatamente a apresentar muitas destas oportunidades.

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