Como é que as startups dizem "olhem para mim" na Web Summit?

Num evento que reúne milhares de empreendedores, empresas e investidores, não é fácil ser-se notado. Uma localização física e o uso das redes sociais podem facilitar a vida às startups que querem sobressair, dizem os fundadores.

Cerca de 70 mil pessoas, 2600 startups e mais de mil investidores. Estes são os números anunciados pela organização da Web Summit para a sétima edição da cimeira tecnológica em Lisboa. O cinto parece apertar cada vez mais para os empreendedores que, entre tantos outros milhares, de tudo têm de fazer neste evento para serem notados. No fundo, dizer: "Estou aqui. Olhem para mim!". O ritmo é pujante e o espetro da competição está mais alargado. E eis que surge a pergunta: Que estratégias adotam os fundadores de startups para arrecadar atenção no meio de uma multidão?

Para Vasco Pedro, CEO e cofundador da Unbabel, existem três formas. A primeira é através das bancas no evento, que possibilitam às jovens empresas ter "um grande impacto, por meio de uma forte componente visual", tanto ao nível da marca, como do produto. "É um local onde um grande número de participantes passa ao longo dos quatro dias do evento e, por isso, ideal para gerar awareness para uma startup ou um novo projeto", diz.

A segunda, um formato já testado pela portuguesa que criou a plataforma de tradução humana movida a inteligência artificial, consiste em participar em painéis, debates e mesas redondas, contribuindo com conhecimento e know-how sobre um determinado tópico que seja relevante para a cimeira. De acordo com o CEO, será ainda uma vantagem assumir o papel de orador nalguns dos palcos temáticos, "isto porque existe um local de networking fenomenal que é o lounge dos oradores (speakers lounge) onde é possível ter reuniões e conversar com as mentes mais brilhantes do mundo", justifica.

O último aspeto, que não deve ser deixado de lado por qualquer empreendedor, na opinião do Vasco Pedro, é a proatividade. "É essencial descobrir quem vai estar no evento e agendar reuniões com os participantes que podem ter algum interesse para o crescimento da startup."

A startup de deeptech Didimo, que desenvolveu uma plataforma que permite a criação de avatares em 3D em 60 segundos, também marcará presença na feira de empreendedorismo. Para a sua fundadora e CEO, Veronica Orvalho, é essencial que cada empresa contribua à sua maneira para esta comunidade global que se reúne em Lisboa há sete anos, guiada pelo objetivo comum de "criar um mundo melhor através da inovação".

Todos os que entram neste evento "são sonhadores" e têm ali oportunidade de "provar o seu conceito perante investidores e parceiros". Independentemente da dimensão que tenham, todas as startups devem fazer um esforço para acrescentar valor, participando em painéis e agendando reuniões com os líderes da indústria. "A chave aqui é a proatividade perante um mundo que se abre em novembro", refere, sublinhando a importância da conexão física entre colegas, amigos e investidores, "especialmente depois de uma pandemia".

Milana Dovzhenko, cofundadora e diretora de recursos humanos do Bairro, startup nacional de entrega de produtos de supermercado, diz que ter uma localização no evento é crucial, considerando esta a melhor forma para estabelecer contactos com investidores ou potenciais clientes. Para aqueles que ambicionam tornar-se numa referência no seu setor, ser um speaker da Web Summit é o primeiro passo, dado que este é um momento para criar credibilidade, partilhando o know-how e estratégias de negócio.

Um tópico que assume ainda relevância, na perspetiva da responsável, são também as redes sociais. Num mundo que se vê (e quer) cada vez mais tecnológico, onde as pessoas se conectam sobretudo através de dispositivos móveis, é importante que se comunique a presença na cimeira, podendo isto acrescentar "bastante visibilidade, facilitar conexões e ser contactado".

O uso destas ferramentas, bem como de outros meios de comunicação, permitem percecionar quais são os investidores e outros players da indústria que têm interesse no evento e, assim, agendar conversas previamente, uma vez que durante a cimeira "é muito complicado conseguir esta disponibilidade". "Praticamente todos têm o tempo muito contado e desdobram-se entre inúmeras conversas e reuniões que já agendaram, bem como entre intervenções nos palcos que não querem perder."

Para estes empreendedores, o planeamento da sua estadia na Web Summit é essencial - em particular, nesta edição, que bateu recordes no número de startups, investidores, empresas e participantes.

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