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Compare o mercado. Balança para o melhor seguro

Rafael Lemos diz que o serviço da Compare o Mercado funciona para as massas e com grande volume de utilizadores.
Compare o Mercado."> Rafael Lemos diz que o serviço da Compare o Mercado funciona para as massas e com grande volume de utilizadores.

A ideia foi importada de Londres, onde Rafael Lemos e o sócio, Manuel Mello, viveram. "Quando voltei queria comprar um seguro automóvel e notei que não havia plataformas de comparação de preços. Tive de procurar companhia a companhia e ligar a mediadores. Todo o processo foi moroso comparativamente àquilo a que já estávamos habituados", conta Rafael, a propósito do momento em que surgiu a ideia de negócio que levou à criação da Compare o Mercado.

Decidiram desenvolver uma plataforma com base num pressuposto simples: ajudar as pessoas a perceber quais as melhores ofertas de seguros, créditos e, mais recentemente, na área das telecomunicações.

“Como é que funciona?” Rafael pega em papel e caneta e começa a desenhar. Três cabeças do lado direito que representam os clientes, um círculo grande do lado esquerdo em representação da plataforma. “O que fazemos é disponibilizar gratuitamente ferramentas de comparação: trazemos tráfego e capacitamos os utilizadores, que ficam mais informados acerca do que existe no mercado.” A partir do momento em que captam tráfego para o site, aos utilizadores são pedidos dados pessoais. É aí que começa a segunda área de negócio da empresa.

“A ideia é recolher dados das pessoas que usam a ferramenta gratuitamente para compararem dados do mercado e distribuí-los pela rede de seguradoras.” A distribuição não é feita ao acaso, assegura Rafael. As parcerias B2B (business to business) baseiam-se em critérios predefinidos pelos próprios mediadores e pelas seguradoras. “Fazemos a ponte entre quem está a procurar e quem está a vender”, diz o cofundador da Compare o Mercado, esclarecendo a base do negócio.

“A ideia é conseguirmos pôr em contacto estas pessoas com empresas, a nível local.” Depois de já ter dado ao consumidor uma ideia dos preços, para que possa perceber qual é o melhor preço do mercado do produto que procura, os pedidos são reencaminhados, com base em critérios como o código postal, a ideia do cliente e o tipo de produto procurado.

“A pessoa pode comparar os preços e as características do produto e é contactada, idealmente, por alguém que esteja perto do local e com quem se possa encontrar. Se eu sou mediador de seguros não vida – carro, saúde, etc. – não vale a pena enviar a esse mediador pessoas que querem produtos vida, como PPR. Este é um tema que influencia a vida de muita gente“, avalia Rafael.

Com um investimento que preferem não adiantar mas que terá ultrapassado algumas centenas de milhares de euros, a Compare o Mercado tem, além de Rafael e Manuel, um terceiro sócio que entrou com um terço do capital.

Com 20 mil consultas online a cada mês, a relação com os visitantes da plataforma possibilitam à startup proporcionar cerca de 2000 contactos entre cliente e fornecedor por mês. Na lista de parceiros estão seguradoras como Liberty, AXA, Vitória, Groupama, Mapfre e ACP, e o próximo passo da empresa deverá passar por acordos de exclusividade que permitam aos clientes que compram produtos como seguros e créditos ter condições especiais sempre e quando a compra for feita através da plataforma portuguesa.

É um serviço que funciona para as massas. É preciso ter um grande volume de utilizadores para que faça sentido“, diz Rafael, sublinhando as semelhanças entre o Compare o Mercado e produtos dedicados a outros mercados, como o caso do Skyscanner, que permite comparar preços de viagens. E se entre os produtos mais procurados está a comparação dos preços das telecomunicações, a empresa prepara-se para investir em novos produtos, como seguros multirriscos, de running e de caça, de maneira a aumentar a oferta e, com isso, multiplicar o tráfego. É que sempre que um utilizador se inscreve e compara os preços e as condições dos produtos disponíveis na plataforma, a empresa está a fazer negócio: os pequenos mediadores pagam à cabeça pelos contactos e os grandes pagam uma comissão de entre 5% e 20% de cada vez que fazem negócio.

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