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Conheça os vencedores da primeira edição do Blue Bio Value

empreendedores, fazedores; startups

O programa de aceleração de startups Blue Bio Value teve a sua primeira edição em 2018. Os três projetos vencedores – a holandesa Hoekmine e as portuguesas Undersee e a SEAentia – receberam um total de 45 mil euros para desenvolver os negócios ligados à economia do mar.

Hoekmine. Bactérias transformadas em cores
A startup holandesa tem uma tecnologia inovadora de desenvolvimento de cores com base em bactérias marinhas, substituindo assim o uso de produtos químicos. Estas cores podem ser usadas por várias indústrias: como a têxtil – para o fabrico do vestuário -, a cosmética e automóvel. “A Hoekmine foi fundada (em 2016 na Holanda) depois da descoberta de uma colónia bacteriana colorida e brilhante, isolada no porto de Roterdão (Holanda). Nunca tínhamos visto nada do género, tanto em termos de intensidade como [na forma] como as cores podiam mudar”, conta ao Dinheiro Vivo, Radi Hamidjaja, um dos fundadores.

A partir daí, começaram o processo de investigação das causas da mudança de cor das bactérias e desenvolveram estudos ao nível da genética do fenómeno e conseguiram “resolver o mecanismo de geração de cor”. Tendo percebido que a preservação do material colorido era possível “e sabendo que o mercado necessitava de cores [obtidas] através de uma forma sustentável, a empresa começou a desenvolver o processo de produção comercial para chegar ao mercado”. Já tem protótipos criados e está à procura de investidores e de eventuais parceiros industriais. O financiamento da empresa tem sido feito através de subsídios governamentais.

Undersee. Sensores a vigiar a água em tempo real
Jorge Alexandre Vieira queria lançar algo inovador. Quando pôs mãos à obra, o primeiro projeto que desenvolveu foi uma espécie de veículo subaquático com o objetivo de recolher dados da água (como a qualidade) e fundi-los com dados satélite. Em 2015, acreditava ser pertinente apresentar uma candidatura a um programa de incubação da Agência Espacial Europeia. A resposta foi, contudo, negativa. Este feedback foi meio caminho para uma reformulação do projeto e uma nova candidatura. “Em vez de desenvolver um veículo, a proposta foi um sistema multissensor que fosse facilmente adaptável a qualquer plataforma. Este sistema [pode ser colocado] em barcos, boias e outras plataformas que já existem para retirar dados da água em tempo real para uma plataforma cloud e, depois, fundir com dados satélite. Em 2016 fomos aceites no programa.

Aí o projeto Undersee começou”, explica Jorge Alexandre Vieira, CEO da startup. Estiveram dois anos neste programa, onde desenvolveram o primeiro protótipo. A seguir ingressaram no Blue Bio Value onde “demos conta que haveria uma boa oportunidade para a aquacultura e começámos a focar mais nessa área”. Jorge Vieira acredita que este programa lhes abriu a porta para o que vinha a seguir: a aceleradora norueguesa Katapult Ocean, onde estiveram três meses e receberam um financiamento de 150 mil dólares. A chegada à Noruega permitiu-lhes cumprir um dos seus primeiros objetivos: tentar entrar neste mercado, um dos maiores na área da aquacultura. As perspetivas para já parecem ser positivas, mas a empresa de Coimbra não se quer ficar por aqui. Ambicionam também expandir o negócio para o Chile.

SEAentia. Produzir corvina de uma forma sustentável
Durante vários anos, João Rito foi investigador académico. Percebeu durante este percurso que queria afastar-se um pouco desta carreira e transformar o conhecimento em negócio. Assim nasceu a SEAentia, uma startup que está a trabalhar na produção sustentável em aquacultura de corvina, explica João Rito, cofundador da SEAentia, “com um sistema que é eficiente e o mais sustentável de produção animal atualmente. Permite-nos cultivar e comercializar o peixe com a garantia de biossegurança, rastreabilidade, proteção ambiental e qualidade. Garantindo, por outro lado, o melhor bem-estar dos peixes”. Mas dar o salto da investigação para o mundo das empresas não foi fácil. Foi aí que entrou o Blue Bio Value.

“Criar uma empresa é completamente diferente de ser investigador. Sabia que tinha de me rodear de conhecimentos mais relacionados com a área do negócio. Para colmatar essa falha achámos que a candidatura ao Blue Bio Value seria uma mais-valia.” Dotados de “pequenas grandes ferramentas” que aprenderam com a aceleração, a startup de Cantanhede está ativamente à procura de financiamento para conseguir avançar para a prova de conceito e protótipo. E porquê a corvina? “Há uma necessidade constante de diversificação de aquacultura mundial. A corvina é uma das espécies que é considerada como uma nova espécie para a aquacultura. O consumidor, principalmente na Península Ibérica, conhece, gosta e reconhece a qualidade, mas que é muito pouco produzido. É um peixe promissor para o desenvolvimento de aquacultura; cresce muito rápido, é muito resistente a doenças e tem uma performance técnica ótima, muito pouca gordura e a que tem é rica em polinsaturados.”

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