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Construa a sua marca: o seu melhor barómetro são os outros

Arruda é o guru mundial de marca pessoal
Arruda é o guru mundial de marca pessoal

A entrevista estava marcada para 6ª feira à tarde. Não sei o que me passou pela cabeça para a ter marcada na agenda só no sábado.

À hora marcada, um dia antes, o telemóvel toca. “Estamos à sua espera para a entrevista com o William Arruda“. Vergonha. Desfaço-me em desculpas, mas por azar já tinha uma coisa marcada à mesma hora. Fica combinado para o dia seguinte – a data original, e errada, na minha agenda. Veja aqui o site.

O percalço adianta o trabalho de preparação da entrevista: a primeira pergunta está decidida. “Como posso eu alterar a má imagem deixada à primeira vista?” Isto é: como posso fazê-lo pensar que sou uma boa profissional, que tenho uma boa marca pessoal, se cometi uma gafe ao primeiro contacto.

“As primeiras impressões são muito importantes. Instantaneamente temos uma ideia da pessoa. E essa impressão
só chega a mudar depois de a encontrarmos, pelo menos, mais 20 vezes.”, alerta William Arruda, o guru mundial de personal branding (marca pessoal). Fico a pensar. 20 vezes? E agora?

William tranquiliza-me: “Para alterar a imagem que alguém tem de nós temos de conhecer a sua
opinião já existente. Assumir o que aconteceu – o seu caso – e trabalhar para uma nova
oportunidade. Agora estou aberto para, de facto, conhecer e dar outra
oportunidade.”

O especialista em personal branding (veja aqui a página de William Arruda no Facebook) acredita que é mesmo assim: os outros são o nosso melhor espelho e, por isso, são um dos fatores essenciais da construção da marca pessoal. O outro é o conhecimento que temos de nós próprios, sempre consolidado com a impressão que os outros têm de nós. Os dois fatores são, por isso, complementares.

“É muito mais difícil tentar ser o que não se é. Se
tenta permanentemente ser uma coisa que não é, dá muito trabalho.”, acrescenta.

William Arruda esteve em Nova Iorque, Miami e Buenos Aires antes de vir a Lisboa para fechar o 1º Congresso de Personal Branding em Portugal, organizado pela Progma. Todos os dias, o especialista em marca pessoal fala com dezenas de pessoas sobre o assunto. Arruda diz que para construir uma marca pessoal forte é fundamental “tentar dar o seu melhor todos os dias, em tudo o que faz, em todas as
relações com outras pessoas.”

Face à competitividade atual, William desmistifica que todos tenham que ser os melhores nas respetivas áreas. Diz antes que uma boa marca pessoal é um profissional “muito bom” que tem qualquer coisa que o torna único. “A relação que estabelecemos com as pessoas torna-nos as preferidas delas para trabalhar, e torna-as as nossas preferências quando temos que escolher. Juntam-se as características que fazem de nós bons profissionais à relação que construímos com as pessoas em causa. Trata-se de ser muito bom e de oferecer uma coisa que é única.”

William diz que muita gente pensa que construir-se como marca é mostrar aos outros o quanto se é bom, só que a essa ideia é errada. “Trata-se de descobrir o que se é, o que nos faz bons no que fazemos, saber o que fazemos melhor.” E depois comunicá-lo, fazendo aquilo que nos torna únicos.

Por isso, construir uma marca é um processo de auto descoberta profundo. Mas…e os profissionais em início de carreira? Como podem saber o que são se não têm experiência? Para eles, William aconselha outro tipo de pesquisa: o destino. “É preciso ter um objetivo: ele dá a direção à sua marca, apresenta-lhe o caminho a seguir.”

E se pensa que o processo é simples, desengane-se. William acha que a construção de uma marca dura toda a vida, nunca dá descanso. “Há pessoas que pensam que existe uma fórmula mágica, que basta querer desenvolver uma marca sem fazer um esforço de trabalho. Acham que vão a um workshop e têm uma marca formada. Isso não se resolve num dia.”

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