Corações de filigrana impressos em 3D

Não foi por a atriz Sharon Stone exibir ao peito um coração de filigrana portuguesa que António Mota Vieira se lembrou de a recriar com biomateriais impressos em 3D. Por essa altura, já o mentor da incubadora de projetos Weproductise andava com a ideia na cabeça, inspirado "nos símbolos e identidades do povo português". Todo aquele frenesim nas redes sociais "apenas o ajudou a ter a certeza do interesse internacional pelo produto". E aperceber-se que o "artesanato tecnológico" até tinha pernas para andar e ter sucesso no mercado.

À primeira vista, pode parecer um bicho-de-sete-cabeças a

criação da coleção "Feel PiP", com corações flor e sol,

floral, minicorações sol e flor de filigrana, nas impressoras 3D. E

em várias tonalidades: dourado, preto, vermelho, azul, laranja,

amarelo, verde, magenta e branco - as mesmas "do material que lhe

dá origem, pois não lhes é aplicado qualquer acabamento final",

explicou o engenheiro biológico.

António Mota Vieira simplifica todo o processo, explicando que

"as peças são desenhadas a três dimensões e depois impressas em

3D. É um processo de apenas duas etapas: desenho e impressão".

Para que não restem dúvidas da simplicidade, acrescenta ainda que

"os produtos são feitos em PLA, um biopolímero, vulgarmente

denominado bioplástico, em formato de fio que é transformado em

camadas que tornam a peça bela e com qualidade". Além do

biopolímero, as peças também estão disponíveis em cortiça

natural e em MDF (um derivado de madeira). E a partir de 4,9 euros

podem estar acessíveis ao bolso de qualquer um, quase ao virar da

esquina, na loja Pip Eco Spot que António Mota Vieira abriu, há um

mês, em Braga.

Esta loja tem um conceito e um modelo de negócio inovadores:

vende ecoartigos para o lar e brinquedos didáticos feitos a partir

de impressoras 3D. O cliente ainda pode, por exemplo, fazer o seu

próprio porta-chaves numa destas impressoras 3D e participar num

workshop que lhe ensina a fazer os artigos, mediante um valor mínimo

de compras. Mas também pode adquirir estas tecnologias de ponta e

fazer em casa.

Mas voltando às peças de filigrana em 3D, estas também estão

disponíveis no site (aqui) sem serem cobrados portes

de envio nesta fase inicial de lançamento do produto. Em breve, a

coleção Feel PiP impressa em 3D será apresentada no Porto, Aveiro,

Coimbra e Lisboa, e estará à venda por todo o país.

Cada peça tem um número de série limitado, uma vez que a sua

materialização é feita unidade a unidade, através de uma

impressora 3D. Daí a denominação de artesanato tecnológico. Podem

ser usadas em colares, brincos e pregadeiras, peças que não são

impressas, mas sim as convencionais já existentes.

Na forja está a impressão em 3 D de outros motivos, como

borboletas e andorinhas, que serão, em breve, apresentados ao

público.

Recorde-se que

António

Mota Vieira lançou a incubadora de projetos Weproductise para a

criação de produtos inovadores de ecodesign e engenharia de produto (veja aqui).

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