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Cozinhas virtuais da Kitch recebem investimento de um milhão de euros

Rui Bento e Nuno Rodrigues são os fundadores da Kitch. (Fotografia: Beatrysa Lyashchenko e Diogo Coito)
Rui Bento e Nuno Rodrigues são os fundadores da Kitch. (Fotografia: Beatrysa Lyashchenko e Diogo Coito)

Startup fundada por ex-membros da Uber em Portugal recebeu financiamento dos investidores da Revolut e do Mustard Seed Maze.

A aposta em cozinhas virtuais desenhadas para os serviços de entrega de comida rendeu à startup portuguesa Kitch um investimento de um milhão de euros. Na primeira ronda de financiamento de sempre, esta plataforma foi investida, à cabeça, pelos fundos de capital Mustard Seed Maze e pelos britânicos da Seedcamp (investidores na Revolut). Esta injeção de capital vai servir para escalar o negócio lançado há menos de duas semanas pelo ex-líder da Uber em Portugal, Rui Bento, em conjunto com Nuno Rodrigues, outro ex-responsável local da plataforma de transportes.

A nível corporativo, a ronda de financiamento também contou com a participação do grupo de gestão de ativos Keys, que vai atuar como parceiro de investimento imobiliário da Kitch. A nível individual, estiveram envolvidos o presidente do Time Out Market, João Cepeda; o responsável operacional da Spotahome, Cleo Sham; e o líder da Emmac Life Sciences, Antonio Constanzo, segundo a nota de imprensa divulgada esta quarta-feira.

“O capital angariado nesta ronda de investimento irá possibilitar que a Kitch comece a desenvolver e a escalar as suas operações a partir de Lisboa, ligando os lisboetas aos seus restaurantes favoritos através de comida feita para entrega, oferecendo aos restaurantes novas formas para que possam desenvolver os seus negócios num contexto económico delicado, e dando um primeiro passo para tornar a entrega de comida mais sustentável”, referem os fundadores da Kitch, citados no mesmo documento.

Esta startup portuguesa conta com uma equipa de 11 pessoas, dedicada a tarefas como engenharia, marketing e operações. A Kitch “trabalha com os restaurantes para criar conceitos desenhados para serem consumidos em casa das pessoas – desde os ingredientes, passando pelas receitas, até às embalagens”.

“Deixamos a comida para quem a sabe fazer melhor: os restaurantes preferidos da cidade. O nosso trabalho é identificá-los e trazê-los para a nossa comunidade, e dar-lhes a infraestrutura e a tecnologia para que possam melhor servir todas as pessoas da cidade nas suas casas”, notou o ex-diretor-geral da Uber em Portugal à data do lançamento da plataforma.

No mercado português, não existem modelos semelhantes ao da Kitch: existem as plataformas de entrega de refeições, como a Glovo, Uber Eats e a SendEat; existe também o conceito de “kitchen hub”, da Cookoo, que centraliza oito restaurantes (começou com quatro restaurantes) num só local – que também está de portas abertas ao público – e que também entrega refeições ao domicílio.

Com o projeto de Rui Bento e Nuno Rodrigues, as parcerias são a principal aposta. Os tacos da Pistola y Corazón deram origem ao conceito Las Gringas; o sushi da GoJuu tornou-se no GoJuu Go e o ramén deste restaurante virou Tonkotsu Rámen; os pokés, teamkis e o sushi de fusão da Umikai são o conceito Nómada; a chef Marlene Vieira também vai reinventar a cozinha tradicional através da Kitch. Há ainda uma parceria para entrega em casa das cervejas da Musa. Para já, as refeições destes restaurantes virtuais podem ser encomendas através das aplicações de entrega.

Novo administrador

À conta desta ronda, a equipa de liderança da Kitch passa a contar com três membros: aos dois fundadores, junta-se um dos sócios líderes do Mustard Seed Maze, Orson Stadler. O Mustard Seed Maze é um fundo de investimento em inovação social que reúne a Maze (plataforma de apoio à inovação social da Fundação Calouste Gulbenkian) e os britânicos da Mustard Seed. A Kitch corresponde ao quinto investimento desde que o fundo foi lançado, em outubro de 2019, e que tem um orçamento, para já, de 35 milhões de euros.

Na semana passada, anunciaram o investimento na plataforma portuguesa de economia circular Rnters e na solução dinamarquesa de microseguros a plataformas de partilha e aluguer de bens Omocom. No final de abril, este fundo liderou a ronda de financiamento seed de 2,5 milhões de dólares (2,3 milhões de euros) na Platypus, startup dinamarquesa que desenvolveu uma plataforma para melhorar a cultura das empresas e evitar a perda de talento. Em dezembro de 2019, investiu na fintech StudentFinance, plataforma apoia a formação de pessoas na área tecnológica.

 

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