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Da Lota: Peixe e bolas de Berlim que fazem o verão durar o ano todo

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Elas querem manter-se desconhecidas à
sombra das marcas que fundaram e desenvolveram porque, asseguram, a
decisão faz que o protagonismo fique todo para o negócio e ele se
faça valer a si mesmo. Ou melhor, os negócios, porque as duas
ex-colegas de universidade materializaram duas ideias em apenas um
ano.

O negócio destas duas amigas – que preferem não revelar nomes,
caras ou formação – começou por convite de terceiros, mas já se
tornou uma atividade a tempo inteiro. Na altura em que tudo começou,
a empresa Foz da Nazaré – companhia de pesca por arrasto com sede em
Matosinhos – queria aumentar as vendas de peixe fresco e propôs-lhes
uma parceria. A ideia pareceu-lhes “excelente”, contam em
entrevista ao Dinheiro Vivo. Por isso, não demorou muito a tomar
vida. Rapidamente, as duas amigas começaram a desenvolver a marca, a
imagem e todas as questões relacionadas com a comunicação da Da
Lota
.

“A ideia que nós fazemos da compra
de peixe é que pouca gente sabe o que comprar, como comprar e nem
sequer tem tempo para ir a uma peixaria e escolher em condições.
Queríamos, acima de tudo, facilitar a compra de peixe fresco”,
conta Tânia Vasconcelos, da Foz da Nazaré, que desafiou as duas
amigas a criarem a Da Lota.

A ideia veio facilitar a vida a todas
as pessoas que gostavam de ter em casa peixe realmente fresco mas,
por uma razão ou por outra, não conseguiam. As encomendas são
feitas através do Facebook e entregues em casa dos clientes, tendo a
Da Lota criado cabazes para facilitar a tarefa difícil de escolher e
comprar o peixe adequado para cada ocasião.

Do barco saem diariamente várias
dezenas de quilos de peixe fresco. Depois de amanhado e embalado, o
peixe é organizado por encomenda e distribuído pelos cabazes da Da
Lota, que são posteriormente acompanhados por receitas e ideias para
confecionar cada espécie realçando o melhor dos seus sabores.
Finalmente, os cabazes são entregues em casa dos clientes. “E tudo
ao mesmo preço que se vende em qualquer peixaria”, asseguram as
sócias da Da Lota.

Em relação ao investimento, as
empresárias assumem o amadorismo dos primeiros passos do negócio.
“O início foi feito completamente às escuras, sem qualquer plano
de negócios, nem sequer contando com as previsões que toda a gente
faz. Foi o instinto que nos levou a começar e não fizemos grandes
investimentos. Houve pouco planeamento e as coisas foram acontecendo.
Concordamos que não somos um grande exemplo para quem quer começar,
mas a verdade é que foi assim que as coisas nos aconteceram.”

Em
contrapartida, a pesquisa de mercado foi feita seriamente.
“Verificámos que havia muito pouca oferta desta natureza. As
grandes superfícies fazem entregas de peixe mas com menos
proximidade ao cliente em termos de escolha, aconselhamento e atenção
no que respeita ao embalamento. Nós quisemos fazer tudo de forma
muito cuidada para que os clientes que recebem o peixe em casa ou no
local de trabalho sintam que estão a receber uma compra de luxo”,
assinalam as duas amigas. Assim, nos cabazes da Da Lota pode
encontrar uma oferta verdadeiramente diversificada, que vai do salmão
à pescada, do carapau ao cantaril, do peixe-galo ao goraz, entre
muitas outras opções disponíveis. Um cabaz de peixe para três
refeições para duas pessoas está à venda na página de Facebook
da Da Lota por preços que começam em 15 euros. Mas a conta pode
chegar aos 32 euros, quando se trata de um cabaz de peixe para três
refeições de duas a quatro pessoas.

O negócio de praia

A ideia de distribuir peixe ao
domicílio surgiu por proposta alheia – a ideia partiu da Foz da
Nazaré. Mas a Da Lota não é o primeiro negócio da dupla de
amigas. As viagens que têm no currículo, da Argentina à Austrália,
serviram para abrir horizontes e especialmente para inspirar um
passado com muitas memórias de barraquinhas de praia feitas de
tecidos com riscas coloridas. Foi dessas recordações que surgiu a
ideia de criar a Bolas da Praia, honrando os bolos que mais nos fazem
crescer água na boca quando os ouvimos apregoados, à saída de mais
um banho.

A marca de bolas de Berlim começou por
ser distribuída apenas nas praias do Porto – corria o verão de
2012. Mas este ano já se alargou às praias de Lisboa. “Quando
começámos queríamos vender só na praia, mas depois esquecemos a
ideia de limitar este prazer ao verão. Porque não torná-lo uma
realidade de todo o ano e fora da praia?”, questiona Graça Maia,
responsável pela comunicação das bolas em Lisboa e também no
Porto.

A equipa das duas amigas que criaram a
Bolas da Praia já integra seis pessoas – entre as duas cidades onde
chegam as bolas de Berlim -, mas está em vias de crescer. Para já,
à custa da recusa dos “muitos pedidos de franchising do produto”.

“A ideia de abdicar do controlo de
qualidade ainda não nos permitiu avançar. Temos uma atitude em
relação ao nosso negócio tipo mães-corujas que não querem que o
filho saia do ninho”, assumem as duas sócias e amigas. Mas as
solicitações são tantas que, mais dia menos dia, é provável que
voltem a alargar o negócio.

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