Dança e música. Cifrão em triplo salto para os negócios artísticos

Artista multifacetado é também gestor de uma escola de dança, de uma agência de bailarinos e de uma futura editora de música. Tudo lançado em contexto da pandemia

"Desde que me lembro de ser gente, sempre quis ser gestor. Tinha a influências dos meus pais, que também eram gestores". Foi assim o início da conversa para que Cifrão, nome artístico de Vítor Fonseca, contasse a sua história de bailarino, coreógrafo, cantor, ator e, agora mais do nunca, aquilo que sempre quis ser.

Chegou a frequentar o curso de Gestão de Empresas no ISEG. "Tinha a minha vida toda organizada para ser diretor ou dono dos meus próprios negócios", mas a veia artística impôs-se. "Despertei para as artes aos 16 anos e profissionalizei-me entre os 18 e os 20", e a academia ficou para trás.
"Na banda D"Zrt, nos contratos dos concertos e na negociação de valores já era eu que tinha mão em todos os negócios e nas empresas artísticas a que estive ligado".

Há 12 anos, criou, com a namorada, a atriz Noua Wong, uma agência de eventos. Mas "havia necessidade de a profissionalizar e incluir áreas que não estavam contempladas".

A expansão do negócio iniciou-se, então, com a criação de uma escola de dança, a Arcade Dance Center, contando já com um sócio adicional, o bailarino Vasco Alves. A academia abriu portas em outubro do ano passado. "Mas, depois da passagem pela escola, havia que criar mercado de trabalho para os bailarinos ali formados", explica Cifrão, para justificar a lógica de avançar, com os dois sócios, para uma agência de bailarinos - a Electric City Agency - que veio a concretizar-se em maio já deste ano.

Na mais recente empresa, querem ser representantes de bailarinos, gerirem as suas carreiras, com uma secção de anúncios e outra de vídeos, feitos na própria agência.

"E como os bailarinos também estão muito ligados à música, já estamos a preparar a abertura, para daqui a seis meses, de uma editora de música". Cifrão acredita que o projeto tem a ver com "a experiência de vida. Temos bailarinos que estão muito ligados ao RAP e ao hip hop, e há necessidade de mostrar ao mundo quem temos à nossa volta, as novas gerações. A parte artística leva-nos ao negócio. Criamos condições para trabalhar, isto é, construímos caminhos para mostrar ao mercado as nossas valências".

Tudo funciona no "hub criativo", como lhe chama, instalado no antigo laboratório de veterinária que funcionava no espaço do Palácio Baldaya, na zona de Benfica, em Lisboa. "Fizemos tudo do zero. Reconstruímos o edifício com a ajuda de bailarinos, por isso é que isto tem tão boa energia!".

Entre a escola de dança, a agência de bailarinos e a editora de música, os três sócios vão investir um total de 100 mil euros e contam, por agora, com cinco pessoas a tempo inteiro, na escola e na agência. Todos os bailarinos com quem trabalham são contratados, serviço a serviço. "Temos uma rede de 300 bailarinos e coreógrafos em catálogo, de várias idades e diferentes estaturas, mas também arranjamos alguém mais específico se for preciso. Conhecemos todas as escolas de dança do país".

A agência trabalha para espetáculos que as empresas queiram promover, mas o forte da atividade têm sido os festivais de verão, como o Rock in Rio ou o Meo Sudoeste. "Criamos espetáculos próprios, específicos para cada evento; seja em palco digital ou street dance, temos equipamento de audiovisual, de luz e de som, podemos fazer um espetáculo, por exemplo, de uma hora ligado à dança e à música... o que o cliente desejar. Temos uma equipa de criativos que traduzem para o espetáculo aquilo que o cliente quer, e ainda subcontratamos serviços se necessário".

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