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David Beckett. Não há startups de sucesso sem um bom pitcher

David Beckett defende que: “Os melhores empreendedores são aqueles que conseguem comunicar 
 o valor daquilo que têm.” Foto: Direitos Reservados.
David Beckett defende que: “Os melhores empreendedores são aqueles que conseguem comunicar o valor daquilo que têm.” Foto: Direitos Reservados.

Especialista mundial em pitch vem a Lisboa ajudar fazedores a saber vender ideias a investidores.

No mundo do empreendedorismo, o conceito de pitch não é estranho. Será relativamente difícil encontrar uma startup que, numa altura ou noutra, não tenha feito um pitch, ou seja, uma apresentação breve que, tipicamente, dura três minutos. Como se costuma dizer, “tempo é dinheiro” e, por isso, não é de estranhar que os empreendedores falem para uma plateia de investidores e que o seu destino fique quase traçado naqueles minutos. Se os investidores identificarem potencial no produto ou serviço que está a ser apresentado, abre-se uma porta: podem ser marcados encontros para perceber se há possibilidades de investimento.

David Beckett é um especialista mundial desta aérea, tendo criado o método The Pitch Canvas. Há anos que trabalha nele, sendo uma espécie de “treinador”. Estará na próxima semana em Lisboa e confessa ao Dinheiro Vivo que, com a sua experiência, percebeu que “os empreendedores são [pessoas] ocupadas” pelo que “não estão interessadas em teorias bonitas, mas querem ter algumas ferramentas que os ajudem a chegar onde querem estar”. “Os melhores empreendedores são aqueles que conseguem comunicar o valor daquilo que têm. Não há startups bem-sucedidas que não tenham um bom pitcher na sua equipa.”

No universo das startups, a taxa de mortalidade das empresas é elevada. Para Beckett, o sucesso ou o fracasso tem uma ligação direta à capacidade da empresa “em gerir pessoas, à medida que vai crescendo, e de interação com os clientes”. “O orgulho pode bloquear startups: não deixar que as pessoas com mais experiência liderem certos aspetos do crescimento da empresa, ou não ouvirem os clientes.”

A receita para se fazer um bom pitch é composta por vários ingredientes, entre eles conhecer a audiência e identificar qual o objetivo da apresentação. O passo seguinte passa por ponderar a intervenção e ter claro que “dor” é que querem diminuir ou eliminar com a solução. “Por fim, verbalizar o pitch para que possam receber feedback e encontrar as palavras que pretendem usar.”

Mas cumprir a receita à risca não é uma tarefa fácil. Entre as principais dificuldades, diz, está precisamente saber o que dizer. “Tornar a história humana não é fácil. Criar slides é também desafiante. Os pontos principais ou muito texto não funcionam num pitch – é necessário ser [algo] visual com imagens ou palavras-chave.” A somar a isto é preciso ter em conta que “muitos empreendedores estão nervosos quando fazem um pitch”, e que o relógio não para. Cumprir o tempo estipulado não é tarefa fácil.

David Beckett não esconde que há diferenças entre a população do norte e do sul da Europa. “No norte da Europa são muito económicos com a linguagem e mais factuais – o que é bom para gerir o tempo, mas pode ser um pouco frio. No sul, podem ser mais envolventes e quentes, mas é mais difícil respeitar o tempo.” Mas não tem dúvidas: “Os melhores pitch são nos EUA – é-lhes ensinado como fazer na escola e na universidade.”

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