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DefinedCrowd. Tornar as máquinas capazes de nos entender é com ela

Daniela Braga, CEO e fundadora da DefinedCrowd, startup portuguesa que está presente na área da inteligência artificial. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens
Daniela Braga, CEO e fundadora da DefinedCrowd, startup portuguesa que está presente na área da inteligência artificial. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Avaliada em mais de 20 milhões de euros, esta startup fornece dados de alta qualidade usados nos assistentes pessoais de eletrodomésticos

Falar com os eletrodomésticos é hoje cada vez menos estranho. Se comprarmos umas colunas da Amazon, as Echo, por exemplo, conversamos com a Alexa, a assistente pessoal inteligente que satisfaz os novos pedidos. Para que esta assistente funcione são necessários milhões de dados. Esta é a missão da DefinedCrowd, startup nascida em agosto de 2015 e fundada por Daniela Braga. IBM, Accenture e Nikon são algumas das empresas que recorrem aos serviços da plataforma portuguesa, avaliada em 25 milhões de dólares (21,5 milhões de euros).

“Os assistentes pessoais estão presentes nos smartphones, nos sistemas de navegação e até nas Smart TV. Para que isso possa acontecer, são necessários dados estruturados, de alta qualidade, e modelos de machine learning. Nós fornecemos os dados e estamos a evoluir rapidamente para os fornecer para os modelos de comunicação e interação homem-máquina por comunicação (voz, língua e compreensão)”, explica Daniela Braga ao Dinheiro Vivo.

Os dados, que passam por conversas, pesquisas nos motores de busca e perceção de nomes, marcas e verbos em determinadas ações, são recolhidos através de ferramentas e aplicações nos smartphones de mais de 10 mil pessoas inscritas na plataforma da DefinedCrowd. Depois deste processo, existe uma “limpeza” dos dados que serão usados pelos sistemas de inteligência artificial e que estão disponíveis para os data scientists em 46 idiomas.

Há também uma plataforma self-service, em que um data scientist pode chegar ao portal e escolher os esquemas de trabalho dependendo do segmento de indústria. “Posso lançar uma campanha quando me apetecer. É um processo transparente, em que o cliente tem acesso a todas as fases e com garantia de qualidade.”

Esta startup divide-se atualmente em dois países: em Portugal, tem escritórios em Lisboa e no Porto, dedicados à pesquisa e desenvolvimento; nos Estados Unidos, conta com um espaço em Seattle, onde se encontra uma equipa de vendas e que gere as áreas administrativa e financeira. Graças a estes três escritórios, há 20 pessoas que já trabalham para a DefinedCrowd.

Daniela Braga explica também que há vários gigantes tecnológicos mundiais, como a Microsoft e a Google, que “estão a tentar ser bons em todos os domínios”. Entre os Golias, a DefinedCrowd quer ser a empresa de referência em áreas como a indústria automóvel. “Aqui, o que é preciso é navegar bem na Europa, sobretudo quando se muda de país. Um GPS não precisa de saber dos dados das bolsas; precisa é dos nomes atualizados das ruas e dos espaços e pontos de interesse à volta. É tudo uma questão de dados. Só se pode ser excelente num domínio.”

Graças ao sucesso no mercado, a empresa participou, em maio, num evento em Nova Iorque, organizado pelo TechCrunch, um dos portais de tecnologia mais reconhecidos a nível mundial e que tem uma taxa de aceitação de candidaturas de menos de 3%.

17 anos de experiência

A DefinedCrowd nasceu oficialmente em agosto de 2015, mas tudo começou em 2014 pela mão de Daniela Braga.

“Atingi um ponto de maturidade na minha carreira em que percebi que tinha havido mudanças na tecnologia. Graças à cloud, é possível construir os modelos de línguas naturais [os idiomas] em apenas um mês, em vez de meio ano. Como hoje em dia há muito mais acesso à informação, achei que o mercado estava maduro para uma empresa deste género.”

A fazedora chegou a esta conclusão depois de ter acumulado experiências em Portugal e no estrangeiro. Daniela Braga foi professora universitária e investigadora no Porto e em Espanha, esteve sete anos na Microsoft (Portugal, China e Estados Unidos) e passou por uma empresa de soluções de voz para a indústria automóvel nos Estados Unidos. Aí, liderou uma equipa de 15 pessoas e esteve a desenvolver soluções de machine learning.

Daniela Braga é a única fundadora da DefinedCrowd e sente constantemente as dificuldades que uma mulher tem a liderar uma empresa tecnológica.

“Cada mês é uma guerra. O percurso de uma startup é uma montanha-russa de emoções: tenho dez momentos de adrenalina bons por cada momento mau. Sendo fundadora sozinha, é um percurso difícil. Sendo fundadora sozinha e mulher é três vezes mais difícil, por causa do investimento”, justifica a fazedora.

Assinala também a falta de representatividade das mulheres nesta área. “Vivo num mundo de homens desde o início da minha carreira. O investimento é feito essencialmente por homens.” Daniela Braga refere mesmo que na área de inteligência artificial, apenas 5% das pessoas que trabalham são mulheres.

Com contratos entre 10 mil e 200 mil dólares, a DefinedCrowd está a trabalhar na série A de financiamento, “que deverá estar concluída em setembro ou então no início do próximo ano”. Daniela Braga garante que a empresa tem receitas “desde o primeiro dia. Queremos continuar a ter clientes enquanto fazemos desenvolvimento tecnológico”.

Para ganhar quota de mercado, a DefinedCrowd pretende antecipar o lançamento de uma versão melhorada (Beta) da plataforma para os clientes empresariais. Quantos mais dados forem obtidos e tratados, mais inteligentes serão os robôs.

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