Descomplicar o complexo mundo dos cremes

Produtos naturais, personalizáveis, de "luxo acessível" - assim é o mote da Partner in Cream, uma startup criada em Portugal na área da cosmética de rosto.

A ideia de criar uma empresa ligada à cosmética surgiu da procura pelo creme de pele ideal dentro do universo imenso dos produtos que existem no mercado. Ida Bourjouane, francesa de Nice a viver em Lisboa há vários anos, fartou-se de comprar os mais variados produtos para o seu tipo de pele sem encontrar o que pretendia. Desistiu e decidiu resolver o problema por si. "Gastei muito dinheiro e tempo, e comecei a investigar uma fórmula para criar o meu próprio creme. E foi isso que fiz!". E com isso percebeu que, afinal, era possível simplificar a sua e a vida de milhares de homens e mulheres que querem cuidar da pele do rosto com o produto certo e de uma forma prática. "Basta conhecer o nosso tipo de pele. O mercado complica algo que pode ser simples", explica.

As fórmulas dos produtos da Partner in Cream foram criadas de raiz, "não são marca branca", faz questão de nos dizer, acrescenta que durante 18 meses fez muita pesquisa, tirou vários cursos na área até conseguir criar o seu próprio creme, com bons resultados, conta. Depois pediu ajuda a outras pessoas para testar a sua fórmula e criar cremes para vários tipos de pele. A partir daí, criou então uma fórmula de raiz, e depois levou um ano para obter todos os certificados necessários.

"Trabalhámos com um laboratório em França especializado em cosmética natural que nos ajudou a afinar as nossas fórmulas". Ida fala no plural porque, apesar de a ideia ter sido sua, a Partner in Cream é um trio. Há mais dois sócios que alinharam na aventura de tentar vingar no concorrido mundo da cosmética. Alexandre Braga, brasileiro de Campinas, e o português Diogo Campo são os outros elementos da empresa.

Com uma linguagem mais direcionada para o marketing, a sua área, Diogo Campo explica o conceito: "É uma startup portuguesa, com uma equipa internacional que opera no mercado do skin care natural e que oferece soluções customizadas a cada tipo de pele", em produtos que categoriza como "luxo acessível".

"Estamos orientados para o consumidor e temos uma abordagem diferente no mundo da cosmética, descomplicando a forma de tratar a pele do rosto", acrescenta Diogo Campo. Ida reforça a ideia do sócio: "O mundo da cosmética gera muita confusão de como se deve tratar a pele da cara e ninguém sabe ao certo que tipo de produtos tem de comprar. A nossa ideia é educar e simplificar a forma de tratar da nossa pele. A partir do momento em que percebes qual o tipo de pele e das tuas necessidades, é muito fácil".

A Partner in Creme tem, atualmente, uma gama com três tipos de creme e quatro séruns que permitem 12 combinações diferentes para outros tantos perfis de peles diferentes. "Daqui a algum tempo teremos uma gama de cinco cremes e seis séruns para passarmos a ter 30 perfis de pele diferentes, o que é bastante", explicam.

Sustentabilidade como prioridade

Um dos pontos que a equipa da Partner in Cream faz questão de sublinhar é a sustentabilidade. Mas que tipo de sustentabilidade? "Produzimos localmente, na Europa, e queremos ter uma produção ainda mais próxima no futuro. Por sua vez, os ingredientes são todos orgânicos e a fórmula é eficiente, simples e descomplicada. E temos embalagens recicladas." Também para o futuro está previsto um maior aproveitamento das embalagens. "Aquilo que pretendemos é que o consumo seja em volta de um creme e dois séruns, o que também ajuda a criar menos desperdício e combater o excesso de consumo", explica.

Criada em 2020, em plena pandemia, obtiveram um investimento da Portugal Ventures, fizeram uma campanha de crowdfunding e lançaram-se nas vendas no início de 2022. O negócio é recente, mas as vendas estão a correr bem, dizem. Neste momento, estão a iniciar uma nova ronda em busca de novos investidores "identificados com a nossa filosofia", explica Diogo Campo, acrescentando que o ideal será ter "investidores que nos abram as portas para uma maior distribuição do produto". Como negócio digital, as vendas têm poucas fronteiras, mas segundo dão nota, acontecem em vários países da Europa, sobretudo em França e Portugal. Mercados que, no mundo da cosmética, ainda são bem diferentes. "Em França há mais preocupação com a origem natural dos cosméticos, mas é algo que está a chegar a Portugal", indica Ida Bourjouane.

Futuro digital com um pé nas lojas

Sobre o futuro, Alexandre Braga, o outro partner, indica que terá sempre cariz digital, contudo, têm em conta que vendem um produto que o consumidor gosta de cheirar e testar e, por isso, diz ser importante ter uma maior presença em lojas físicas. Aliás, estão presentes em quatro lojas, em Lisboa, Cascais e Porto. Alexandre diz que há vontade de expandir para outras lojas físicas, "mas sempre com uma vocação digital e com um relacionamento muito próximo com os nossos clientes", insiste. Por isso mesmo, conta, estão em negociações com outra startup para um projeto piloto de uma tecnologia que permita fazer o scan do rosto numa loja para posterior diagnóstico e encaminhamento para os produtos certos para o tipo de pele.

Na curta vida da empresa, a maior dificuldade tem sido a entrada na distribuição física, no retalho, "sobretudo por motivos de escala de produção". Os primeiros meses também lhes deram um novo dado, conta Diogo: "Quando lançámos o projeto tínhamos em mente uma pessoa de 35 a 45 anos, mas as nossas vendas revelam que os nossos clientes têm uma idade que começa nos 25 e vai até aos 35 anos". Talvez pela comunicação que fazemos, talvez porque os consumidores mais velhos são mais fiéis a marcas e as mulheres mais velhas tendem a preferir produtos mais complexos tecnicamente". Certo mesmo parece ser o surgimento de uma nova forma de consumir cosméticos e produtos de beleza pela nova geração. Ida, Diogo e Alexandre dizem-se prontos para serem os parceiros ideais para essa nova tendência.

filipe.gil@dn.pt

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