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Eat Tasty. Um plano de negócio que é de comer e chorar por mais

Rui Costa e Orlando Lopes da Eat Tasty, com Francisca Veloso e Sara Batalha nas instalações da empresa. 
Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Rui Costa e Orlando Lopes da Eat Tasty, com Francisca Veloso e Sara Batalha nas instalações da empresa. Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Mais do que um produto inovador, a equipa da Eat Tasty desenvolveu um modelo de implementação que tem tudo para ser um sucesso.

Meados de 2015. Rui Costa e Orlando Lopes, dois colegas numa empresa de marketing digital, jantavam num restaurante do Porto. Nada de muito sofisticado, apenas um espaço que servia refeições diárias. Repararam que, à volta, as mesas estavam preenchidas. “Havia muita gente sozinha e outros comiam um pouco a despachar. Ou seja, não estavam a celebrar nada. Aquela era a sua rotina. Eram pessoas que tinham ido jantar fora porque ou não quiseram cozinhar, ou não gostam de o fazer, ou não tinham ingredientes. Mas se calhar, se tivessem opção, teriam preferido ficar em casa”, recorda Rui. Foi o momento Eureka dos dois colegas, que há algum tempo já pensavam em construir um negócio próprio. “Porque não criar uma comunidade de refeições caseiras? Ficámos a noite inteira a conversar sobre aquilo.” Parecia que tinham acertado em cheio. Afinal, no mundo atual, há poucos negócios tão sexy como os de comida. Os programas de MasterChef são em prime-time, os livros de receitas são best-sellers e os chefs de cozinha são rockstars.

Só que o problema dos negócios sexy é que já há muito pouco para ser inventado. Rui e Orlando passaram o verão a pesquisar o que havia. E ficaram com a sensação de que já existia mesmo tudo. “Acabámos por ver muita concorrência e muito dinheiro investido nestes negócios. Era um mundo gigante em que dificilmente seríamos disruptivos.” Mas a persistência é a melhor amiga do sucesso e os dois colegas não desistiram. Perceberam que já havia várias empresas com comunidades de refeições caseiras, com gente a fazer refeições nas suas cozinhas para entregar em casa de outras pessoas. O problema é que muitos desses negócios acabavam por falhar. E Rui Costa e Orlando Lopes estudaram o problema a fundo, até encontrar uma solução. “Houve um dia em que tudo bateu certo. Em que os números faziam sentido e a folha de Excel mostrava resultados incríveis,” conta Rui.

A solução milagrosa que encontraram estava relacionada com os cozinheiros. “É difícil manter uma pessoa a cozinhar em casa muito tempo, sem um rendimento seguro. Ela tem custos fixos e se não houver uma procura regular acaba por se desmotivar e desistir.” O custo de aquisição dos cozinheiros é o mais custoso destes negócios e se a taxa de desistências for alta, todo o projeto vai por água abaixo. Por isso, Orlando e Rui decidiram apresentar uma ideia inovadora: todos os cozinheiros que se juntassem à Eat Tasty teriam sempre um rendimento garantido. “O risco de não haver procura é nosso. Eles vão ter sempre o seu dinheiro assegurado.”

Depois da grande ideia, faltava a validação. Os dois fundadores foram procurar mentores, de todas as áreas que estariam relacionadas, de alguma forma, com o negócio: desenvolvimento de receitas, procura e compra de ingredientes, gestão da comunidade, questão legal, logística, tecnologia, marketing, comercial e vendas. Queriam que os verdadeiros entendidos no assunto lhes assegurassem que estavam no caminho certo. O passo seguinte era arranjar dinheiro para dar pernas ao projeto. “Não foi fácil encontrar investidores. Tínhamos um risco e um custo associado muito grande.” Mas conseguiram: em dezembro fecharam contrato com seis pequenos investidores. Mais tarde, em junho, haviam de vir os tubarões: a Caixa Capital, através do programa Lisbon Challenge, e a Sonae. No total, a Eat Tasty já angariou para o projeto 245 mil euros.

“Houve um dia em que tudo bateu certo. Em que os números faziam sentido e a folha de Excel mostrava resultados incríveis.”

Depois do primeiro investimento, a primeira contratação: um chef de cozinha. “Precisávamos de alguém que aceitasse este desafio, que era diferente de ir trabalhar num restaurante. Aqui, o chef não está a fazer sua a cozinha dele. Está a desenvolver receitas que vão ser partilhadas por milhares de pessoas”, explica Rui. A pessoa escolhida foi Rúben Couto, que trabalhou em cozinhas de estrelas Michelin e tem uma considerável experiência internacional. A entrada de Rúben marca também o momento em que Rui Costa e Orlando Lopes se despedem do seu emprego e se lançam a full-time no projeto. Os meses seguintes são passados a desenvolver receitas e conteúdos para os cozinheiros. Porque esta é uma parte importante do modelo de negócio da Eat Tasty: quem está em casa a cozinhar, não faz o que lhe apetece, segue um plano à risca. “Nós controlamos todo o supply. Escolhemos as pessoas a dedo, formamo-las, dizemos que ingredientes usar e que receitas cozinhar. Controlamos o produto e o preço.”

Em março de 2016, arranca a operação em versão beta. Era preciso validarem as receitas e começar a vender. Primeiro, iam ver se conseguiam entregar comida quente e se o cliente voltava a comprar. Depois automatizar o processo. Tudo construído pétala a pétala, desafio a desafio. “Ainda estamos em testes, até hoje, a perceber como o cliente consome, o que compra, a que dias da semana. Só estamos a atuar em Lisboa, à hora do almoço, sem grande divulgação. Tudo para criar processos para aumentar o raio de ação. Outras cidades e outros países”, conta Rui.

Mas devagar se vai ao longe. Neste momento, para além dos dois fundadores e do chef, trabalham outras sete pessoas no projeto. A Eat Tasty tem cinco cozinheiros e mais de mil utilizadores, que chegaram até eles muito pelo boca-a-boca. Porque a aplicação mobile só vai chegar em 2017 e, neste momento, para participar, é preciso uma inscrição por desktop. Cada refeição custa 5,90€.

Faz tudo parte de um plano minucioso de teste afinação. E depois de tudo testado e afinado, o que vai acontecer? “Depois vamos logo pôr isto em prática lá fora e chegar ao mundo inteiro.”

Fazedores que ajudam fazedores
No momento de arrancar com o projeto, houve duas pessoas que foram muito importantes para Rui Costa e Orlando Lopes: dois fazedores que fizeram toda a diferença.

O primeiro foi André Jordão, da Foodzai – uma plataforma portuguesa que, tal como a Eat Tasty, também dinamizava uma comunidade de cozinheiros. “O André foi essencial em ajudar-nos com todo o ensinamento que tinha trazido da sua startup”, conta Rui Costa.

O segundo foi Miguel Santo Amaro, da Uniplaces. “Já o conhecíamos e ficou super entusiasmado com o projeto quando lho explicámos.” Miguel acabou por ser um dos primeiros investidores da Eat Tasty.

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