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EDP Ventures. Capital de risco pode investir dez milhões em 2019

Luís Manuel, administrador da EDP Inovação
Luís Manuel, administrador da EDP Inovação

A EDP Ventures é o braço de capital de risco da elétrica. Já investiu em 23 startups e, neste ano, o número de participadas deverá crescer.

Luís Manuel é administrador da EDP Inovação, área em que está inserida a EDP Ventures. Em entrevista ao DV, admite que os investimentos da capital de risco da elétrica podem superar o montante alcançado em 2018 e ascender a cerca de dez milhões de euros.

Que balanço faz de 2018?

Foi um ano extremamente positivo, em que se bateram recordes a todos os níveis. Fizemos 16 operações de investimento, que é o dobro do que tínhamos feito em 2017. Nem todos foram em novas empresas. Começou a atividade do fundo EDP Cleantech FCR, que criámos com o apoio do IFD para investimentos em startups portuguesas ou estrangeiras que queiram passar a localizar em Portugal. Fizemos os primeiros seis investimentos desse fundo em 2018 – alguns deles a serem concluídos agora. Temos uma equipa que já não são apenas seis pessoas; há dois profissionais de investimento no Brasil.

Para o fundo do Brasil?

[A trabalhar com] o fundo do Brasil, que foi lançado em 2018.

Falou de um fundo que criaram para empresas estrangeiras que queiram vir para Portugal.

É o EDP Cleantech FCR, um fundo em que o investimento é 60% EDP e 40% do IFD. Usamos esse fundo seja para startups nacionais, sediadas cá, seja para casos de empresas que pensem em mudar-se completamente ou uma parte da sua atividade para Portugal.

Já têm casos?

Temos um primeiro caso. Uma startup americana, a PVComplete, que abriu um escritório no Porto. Mantêm a sua sede na zona de São Francisco mas têm um centro de tecnologia importante localizado na UPTEC. Fizemos um investimento significativo na empresa, que opera numa área que é importante. Acreditamos que aquilo que traz do ponto de vista de otimização do design dos parques solares é muito importante.

Quais as perspetivas para 2019?

A nossa previsão é de investir até bastante mais [do que em 2018]. Estamos a estimar cerca de dez milhões de euros de investimento ao longo de 2019 – através dos três fundos. Hoje, os três instrumentos de capital de risco que temos têm uma dotação para investimento de cerca de 70 milhões de euros, dos quais 30 estão investidos e portanto há 40 milhões para investir.

Não têm prazo para investir?

No FCR temos. É um fundo de 25 milhões de euros e tem até ao final deste ano para concluir os investimentos, embora tenhamos alguma expectativa – e pensamos que era positivo – de que esse prazo seja alargado em mais um ano.

Têm um programa de aceleração, o Free Electrons. Neste ano vai ter nova edição. Vai ser nos moldes das últimas edições?

O Free Electrons vai ser semelhante ao que foi em 2018. Terá um bootcamp, que será em Dublin, em abril; depois um módulo nos EUA, em maio. Em junho, um em Hong Kong e a final é cá, em setembro. Os módulos são semelhantes [aos dos anos anteriores] mas vamos sempre fazendo algumas melhorias.

Têm tido uma presença recorrente na Web Summit. Há contactos a ser negociados?

A Web Summit é algo de extremamente positivo para o ecossistema de empreendedorismo em Portugal. É um evento permanente e que traz muita gente – empresas e investidores. A Web Summit acaba por servir como um instrumento de consolidação daquilo que é o ecossistema em Portugal. Tratamos a Web Summit de uma forma um bocadinho diferente da que a maior parte das empresas que lá vai. Estamos ali não a vender. O que ali estamos a fazer é abrir a EDP às startups e a outras empresas que estão lá presentes. Acabamos por conseguir contactar com uma percentagem significativa das empresas que vão à Web Summit.

A EDP adota todas as tecnologias em que aposta?

Temos 23 participadas. Diria que destas, três em cada quatro já tiveram algum contrato comercial com a EDP. São muito raros os casos em que não. Há um caso, a SOLshare, que está no Bangladesh e o modelo de negócio foi o que nos atraiu. Queremos ver este modelo de negócio a funcionar e depois ver como podemos aproveitar isto dentro dos nossos mercados target. Com a SOLShare não temos nenhum contrato comercial. Há algumas que se calhar estão só em discussão e que não têm nada fechado. Mas são muito poucas.

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