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Fintech. Elas são senhoras num mundo onde as gravatas são rainhas

Ilustração de André Carrilho. © Proibido o uso editorial sem autorização da Global Notícias.  Esta fotografia não pode ser reproduzida por qualquer forma ou quaisquer meios electrónicos, mecânicos ou outros, incluindo fotocópia, gravação magnética ou qualquer processo de armanezamento ou sistema de recuperação de informação, sem prévia autorização escrita da Global Notícias.
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Em Portugal, as fintechs têm presença tímida. Mas como no resto do mundo, a cadeira do poder ainda é quase só para homens.

Tânia e Romana. É fácil nomeá-las porque são as exceções que confirmam uma regra ainda demasiado vincada quando o negócio cruza finanças e tecnologia. Já não é um clube reservado exclusivamente a homens, mas está a anos-luz da tão apregoada paridade.

“Há muito poucas mulheres nesta área [fintech]. É toda ela uma área nova; os homens começaram antes e, portanto, é natural que sejam mais eles a trabalhar no setor”, simplifica Romana Ibrahim, que com a Keep Warranty passou a sentar-se numa das poucas cadeiras nesta área que são ocupadas por mulheres.

Desde que as novas tecnologias chegaram à banca e aos seguros, cada vez mais as empresas de tecnologia financeira, as ditas fintechs, estão a mudar a forma como gerimos o dinheiro. E se Ásia e Estados Unidos estão mais desenvolvidos do que a Europa, chamando a si os grandes centros mundiais das finanças – apenas quatro firmas europeias constam da lista das 50 Fintechs de 2018 da revista Forbes -, há um traço transversal: este é um mundo de homens. “Enquanto CEO, sei que há muito poucas mulheres nesta indústria. Mas as mulheres têm estado a lutar de forma afincada para entrar na área tecnológica e em vários cargos”, garante Romana Ibrahim. A Keep Warranty, que fundou aqui há 14 meses – uma aplicação que permite guardar faturas -, não é a sua primeira aventura no mundo dos negócios. Quando viveu em Angola, a empreendedora, que nesta semana foi a única CEO portuguesa oradora no Paris Fintech Forum, representou marcas e fundou outras empresas antes de aterrar em Portugal e, depois de um episódio em que foi necessária a fatura de um dispositivo eletrónico avariado, lançar a sua fintech, que já trabalha em projetos-piloto com seguradoras mundiais.

“Lá fora, é natural haver mulheres em cargos de liderança, isso é assumido de forma natural. Por cá ainda há preconceito. Com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, acredito vamos conseguir ultrapassar, mas vai levar tempo.”

Tânia Barros é uma das fundadoras da Loqr, fintech que tem uma solução de autenticação que pode ser usada pela banca. Foi uma das poucas mulheres em Engenharia Informática na Universidade do Minho, onde conheceu os cofundadores – amigos de faculdade, continuaram ligados durante o percurso profissional e há quatro anos surgiu a ideia de lançarem a startup.

“Internamente não sinto [diferenças de tratamento por ser mulher]… já é uma relação de há muitos anos, sempre nos apoiámos. Mas no início foi difícil impor respeito, criar uma relação com os clientes. Aí houve alguma dificuldade acrescida por ser mulher.”

Durante o seu percurso, Tânia sentiu também a necessidade de adaptar a forma de se vestir e apresentar para passar a imagem de uma profissional mais experiente. Atualmente, “em Portugal não tenho sentido uma grande dificuldade face aos clientes, mas porque já construí uma imagem, eles já me conhecem”, explica. “A verdade é que o mercado português acaba por ser pequeno e eu nunca saí muito da área financeira e das fintechs. E por vezes o facto de sermos mulheres até facilita o contacto.”

A empreendedora defende ser “inevitável” que mais mulheres comecem a trabalhar em fintech. “O mundo está a ir muito para a área da informática e das novas tecnologias. Será inevitável as raparigas encaminharem-se para esse meio. Não é que note que há mais, porque não há. Na Loqr, não temos essa distinção: uma rapariga com bom currículo entra. Mas ainda não aparecem – é uma questão de tempo… esta é a área do futuro.”

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