Ele veste os atletas dos Paralímpicos

Gabriel Potra, medalhado paralímpico
Gabriel Potra, medalhado paralímpico

Há 12 anos, trouxe a medalha de ouro e o recorde dos 200 m nos
Jogos Paralímpicos de Sydney. O atleta Gabriel Potra é cego e é um
dos 44 portugueses que vão competir em Londres vestidos pela Udu.

A encomenda do Comité Paralímpico de Portugal não podia ter
vindo em melhor altura. “É com grande orgulho” que Luís
Abreu, de 36 anos, está a fazer o equipamento da seleção de
atletismo que, entre 29 de agosto e 9 de setembro, vai representar
Portugal nos Jogos Paralímpicos de Londres. “É muito
importante pelo que pode trazer à nossa marca de roupa desportiva
personalizada. E é uma honra servir o País”, diz.

Há dois anos, abriu a empresa de artigos desportivos Pedalabem,
em Balazar, Póvoa de Varzim. A sorte bateu-lhe à porta no início
deste ano, quando enviou um orçamento e uma amostra de um fato de
atletismo de lycra ao comité, para participar no concurso que
escolheria o equipamento oficial. “Gostaram da qualidade da
lycra e dos acabamentos, da leveza e do conforto do equipamento, que
obedece aos requisitos exigidos para competição.” E gostaram
tanto que Luís fechou logo contrato para o Europeu de Atletismo que
decorreu em junho e para os Paralímpicos.

Eram duas encomendas de cem peças cada, entre fatos e tops de
lycra, camisas de competição, calção-cueca, etc., com desenhos
diferentes para cada um dos eventos desportivos. “A primeira
entrega correu bem” e Luís e os seus três funcionários até
tiveram o gosto de ver alguns dos atletas que vestiram subir ao pódio
com o logótipo da marca – o pássaro da Udu.

Por estes dias, a equipa anda ocupada a terminar a nova encomenda.
Na fábrica de Balazar corta-se tecidos, faz-se acabamentos e
serigrafias. A confeção é subcontratada a pequenas empresas e nada
pode falhar. Com a presença nos Paralímpicos, a Udu pode alcançar
visibilidade e internacionalização ao lado de marcas tão famosas
como a Adidas.

O gosto de Luís pela área do desporto vem do tempo em que
dividia o tempo entre as aulas e o trabalho na antiga empresa têxtil
do pai, em Barcelos. Produzia roupa desportiva para alguns clubes de
futebol e foi ganhando know-how. O curso de Marketing e os dois anos
de pós-graduação em Propaganda, no Brasil, também ajudaram a
desenhar a marca. Dinheiro, não precisou de muito: investiu seis mil
euros em burocracia e maquinaria para tratamento de imagem e tecidos.
Recuperou as máquinas de costura e a secção de corte de um amigo e
arrendou a fábrica em Balazar, onde lidera a área administrativa e
comercial. As encomendas não tardaram: além dos Paralímpicos,
fornece a Federação de Ginástica de Portugal e já exporta para a
Federação de Basquetebol espanhola e para o clube de basquetebol de
Badajoz.

Retrato

Luís investiu seis mil euros na criação da empresa de roupa
desportiva personalizada Pedalabem, que detém a marca Udu. O volume
de vendas anual ronda os 200 mil euros. Em 2011, produziu sete mil
peças de roupa, a maioria de atletismo. Mas também vende
equipamento de basquetebol, futebol, BTT, etc., para clubes,
associações desportivas e escolas. Tem uma carteira de cerca de 80
clientes. www.udu.pt

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