EmotAI. Uma banda que quer ajudar a mudar muito mais do que os eSports

A startup portuguesa desenvolveu uma solução que ajuda jogadores de eSports a aumentar o foco e o envolvimento no jogo. Mas no futuro esta solução pode ter outras utilizações.

O mercado dos eSports, competições desportivas que usam jogos de vídeo, tem vindo a crescer muito nos últimos anos, valendo já centenas de milhões de dólares. Com um número cada vez maior de adeptos e o reconhecimento em alguns países de que é verdadeiramente uma atividade desportiva, os nervos e a pressão dos atletas ficam muitas vezes à flor da pele. Tal como outros desportistas, a vida destes atletas pauta-se por muitos treinos mentais. Ajudar a melhorar o desempenho nas competições é hoje a missão da startup portuguesa EmotAI.

Carolina Amorim tem formação em Engenharia Biomédica e estava a trabalhar numa investigação na área de computação afetiva, que tem em conta as emoções para a criação de software. O trabalho desenvolvido com crianças foi bem-sucedido e permitiu-lhe perceber que a utilização de uma banda na cabeça seria uma das formas de “identificar mais coisas acerca das emoções e como é que isso iria conseguir ajudar as pessoas”. A partir daí, pôs mãos à obra e decidiu lançar o projeto. Para ajudar nos primeiros meses, candidatou-se ao Startup Voucher - uma das medidas da estratégia de empreendedorismo e que dá uma bolsa mensal para que os fundadores possam trabalhar no desenvolvimento do negócio.

O apoio financeiro foi conseguido. A ideia inicial era utilizar estas bandas no desporto tradicional. “Apercebemo-nos de que era muito complicado, muitos regulamentos; decidimos que o melhor era os eSports porque não existem tantos regulamentos. Sendo mais fácil colocar a banda e é, por outro lado, mais importante estarmos a dar informação durante os treinos porque é um jogo essencialmente mental.”

Estas bandas gravam as ondas cerebrais e o ritmo cardíaco do atleta. Emitem os dados via bluethooth para uma plataforma desenvolvida pela startup e os algoritmos - que foram desenvolvidos pela equipa - “vão determinar o nível de foco, de envolvimento, as emoções que são positivas ou negativas. Com essa informação produzimos relatórios que estão em correlação com o jogo”. Os relatórios são gráficos que, acompanhados por imagens do jogo, permitem aos atletas perceber em que fase tiveram um desempenho melhor ou pior “e depois damos treinos. Imaginemos que o jogador não estava focado durante o jogo. No final, damos um treino de foco, ou se não estava relaxado, damos um de relaxamento”. Treinos esses que são guiados e desenvolvidos por um psicólogo especializado em terapia comportamental e que estão numa aplicação.

Outros caminhos

O objetivo de tornar a banda mais confortável levou a equipa a avançar para uma outra, tendo já feito um pedido de patente. “Também vai ser de tecido, mas de um material mais respirável. Não queremos que seja complicado pôr na cabeça. Essencialmente, vai ser mais conforto e facilidade”, explica Carolina Amorim.

Até porque os dados que são recolhidos por esta banda podem ter outras utilizações. “O nosso slogan é boosting the human performance . Não queremos só ajudar os gamers, mas toda a gente que queira melhorar o seu desempenho. Os gamers são um começo: ficam horas a jogar, o que significa milhões de horas em dados aos quais podemos aplicar os nossos algoritmos de machine learning e conseguir identificar cada vez mais mais padrões. Com essa melhoria dos algoritmos podemos aperfeiçoar e ir para mercados em que seria mais difícil, como educação, saúde, day traders, desporto tradicional e call centers.”

A Emotai, até ao momento, captou uma ronda de financiamento seed que foi canalizado para o desenvolvimento de hardware e estudo de mercados.

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