Startup Portugal

Empreendedores em missão no exterior para abrir novas portas

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A Startup Portugal já organizou várias missões ao estrangeiro. A última foi ao Canadá. As startups trouxeram contactos que lhes podem abrir portas.

Na mala que levou para o Canadá, Aalok Y Shukla trouxe contactos. E não perdeu tempo a passar à fase seguinte. Poucos dias depois de ter aterrado em Portugal, o líder da Straight Teeth Direct, startup que opera na área dentária, estava já a dar seguimento a essas ligações. Um relacionamento que foi criado porque Aalok Y Shukla participou, tal como três outras startups, na missão ao Canadá promovida pela Startup Portugal.

Não é a primeira vez que a entidade que gere a estratégia nacional de empreendedorismo realiza uma missão ao estrangeiro. Nem é a primeira que coincide com uma deslocação do governo. “A Startup Portugal tem iniciativas que apoiam desde a fase da ideia até à da internacionalização. Esta [missão ao estrangeiro] é uma das iniciativas que apoia as startups na fase de abordagem aos mercados externos”, explica Maria Miguel Ferreira, diretora da Startup Portugal. O calendário das viagens ao estrangeiro foi traçado no ano passado, incluindo a passagem por alguns dos principais eventos de tecnologia do mundo. Contudo, vai sendo atualizado, nomeadamente em função das necessidades que chegam dos empreendedores, a quem apresentam a cada quatro meses um inquérito para perceberem “que mercados estão a abordar e onde é que precisam de mais ajuda”. “Há também outro fator que determina que haja algumas alterações ao que foi planeado: as missões de Estado”, diz.

O governo português deslocou-se no início deste mês ao Canadá para aferir as potencialidades deste mercado depois da assinatura do acordo de livre comércio entre a Comissão Europeia e este país. A Startup Portugal consultou o ecossistema e “percebemos que havia massa crítica para organizar uma missão”. Colocaram mãos à obra, e com ajuda do AICEP, “prepararam uma missão que tinha como objetivo que as empresas percebessem” quais as condições para, se quiserem, começarem a sua atividade naquele mercado.

A Straight Teeth Direct, a Beeverycreative, a Uphill e a Virtusai foram as quatro startups que percorreram mais de cinco mil quilómetros para conhecerem o ecossistema em Toronto. Visitaram incubadoras, marcaram presença numa conferência onde estava tanto o primeiro-ministro português como o homólogo do Canadá. No último dia, o jantar organizado pela Startup Portugal tinha, como aconteceu já em outras missões, um convidado especial. Além dos empreendedores portugueses e dos investidores locais, como é hábito, o ministro da Economia esteve também presente e fez um pitch sobre Portugal.

No âmbito destas missões ao exterior, além de organizar várias visitas e encontros – incluindo com investidores – a Startup Portugal explica que apoia também as empresas em termos logísticos – ajudando-as a encontrar, por exemplo, alojamento – e comparticipando uma parte das despesas.

Os empreendedores que rumaram ao Canadá – que tem mais de 35 milhões de habitantes – tinham objetivos claros: conhecerem o mercado, explorarem a possibilidade de encontrarem parceiros de negócio e potenciais investidores. Com o primeiro passo dado, os empreendedores vão agora continuar a desenvolver as ligações já criadas.

Straight Teeth Direct. Olhar para fora a partir de Portugal

Aalok Y Shukla e Lucie Marchelot Shukla fundaram no Reino Unido a Straight Teeth Direct, uma startup que tem uma solução que visa corrigir o alinhamento dos dentes, socorrendo-se de uma espécie de prótese que é impressa em 3D. Com o brexit, Aalok e Lucie decidiram vir para Portugal, tendo chegado em janeiro do ano passado. A produção desta solução continua no Reino Unido, mas os empreendedores estão a estudar a possibilidade de a transferir para a ilha Terceira (Açores). Sobre a missão ao Canadá, Aalok descreve-a em três aspetos: extremamente produtivo, estando já a dar seguimento a encontros que teve; inspiradora porque Toronto tem um ambiente dinâmico; e permitiu várias ligações, incluindo com portugueses, que nunca teriam acontecido de outra forma.

Uphill. Porta de entrada na América do Norte

A missão da Uphill é permitir aos profissionais de saúde treinarem protocolos clínicos e avaliar o seu grau de proximidade com as melhores práticas. Para isso criaram um software as service. A startup foi criada há dois anos por três médicos. Em Portugal, tem como clientes as principais operadoras de saúde e ambiciona agora internacionalizar. “Nesta fase, vamos levantar uma ronda de investimento com o objetivo de consolidar o produto e explorar outros mercados. A viagem ao Canadá foi importante para conhecer o mercado”, conta Eduardo Freire Rodrigues, CEO. “O Canadá apresenta-se como sendo um local muito adequado a entrar na América do Norte. O sistema de saúde é muito rico em provedores de saúde e tem cidades ricas em recursos humanos, com o perfil que procuramos”.

Virtusai. Oportunidade para passar mensagem

A Virtusai é uma startup que desenvolve soluções de Internet of Things que ajudam as empresas a obterem dados que podem ser úteis para o desenvolvimento do negócio. A missão ao Canadá da Startup Portugal foi a primeira em que participaram. Ricardo Teixeira, diretor da empresa, conta ao Dinheiro Vivo que acharam “interessante colocarem-nos em contacto com pessoas do ecossistema que estão interessadas nomeadamente em investir em projetos. Sentimos que havia uma boa oportunidade de passarmos a nossa mensagem e de sermos ouvidos”. A empresa partiu para aquele país da América do Norte com a ambição de conseguir angariar eventuais parceiros de forma a conseguir exportar a sua atividade. Fez contatos e já esteve da fazer follow-up de um dos que conseguiu em Toronto.

Beeverycreative. À procura de parceiros

Aurora Baptista, CEO da Beeverycreative, uma startup que produz impressoras 3D, era a única “repetente” neste tipo de missões. A viagem ao Canadá foi a terceira missão em que participou. “O meu interesse era o mesmo que para todas as nossas viagens que é encontrar distribuidores/parceiros potenciais, de preferência para a distribuição, e potenciais investidores”. Louvando o trabalho feito pelo AICEP, que ajudou na preparação da missão, Aurora Baptista lembra que a visita terminou com “um jantar com o ministro da Economia e uma séria de investidores locais que nos apoiaram e receberam com muito entusiasmo. O ministro da Economia deu-lhes confiança e isso ajudou imenso. São coisas que vão começar agora: começaram lá mas agora iniciam as trocas de informação”.

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