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Empreendedorismo Social. Tornar o mundo num lugar melhor de forma rentável

Filipe Santos, professor catedrático de empreendedorismo social. Fotografia: Pedro Rocha / Global Imagens
Filipe Santos, professor catedrático de empreendedorismo social. Fotografia: Pedro Rocha / Global Imagens

Nascem cada vez mais projetos para combater a desigualdade e a discriminação. Para serem sustentáveis, são necessárias novas formas de financiamento

160 mil pessoas em Portugal que estão a lançar projetos com a missão de tornar o mundo um lugar melhor, o que equivale a 3,2% da população portuguesa, segundo o inquérito Global Entrepreneurship Monitor.

Mas muitas destas pessoas ainda não sabem que é possível desenvolver uma startup de inovação social de forma rentável. Por causa disso, a Católica Lisbon Business & Economics está a desenvolver uma cátedra, unidade de investigação e ensino, dedicada ao empreendedorismo social e liderada pelo professor Filipe Santos.

“Nas startups com missão comercial há várias formas de financiar o negócio, através de business angels, fundos de capital de risco, aceleradoras e incubadoras. O empreendedor procura problemas e áreas de atuação em que seja mais fácil fazer dinheiro, gerar lucros e criar uma empresa com muito valor”.

Só que nestas empresas acabam por ser ignoradas “áreas mais difíceis de trabalhar como modelo de negócio” e que são trabalhadas nos projetos de impacto social.

Neste tipo de projetos, o empreendedor social “foca-se em problemas com mais impacto na sociedade, como exclusão social, discriminação e necessidades especiais de educação. Estas pessoas resolvem problemas ignorados pelo Estado e pela sociedade”.

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Para responder a este desafio, há três modelos de financiamento que poderão ser usados pelos empreendedores sociais: através de títulos de impacto social, de investimento convertível ou a partilha de receita e risco com os financiadores. O professor catedrático lembra que o lucro, no empreendedorismo social, “é um mecanismo necessário para que o projeto seja sustentável e possa ter mais impacto na sociedade”.

Nos títulos de impacto social, “existe um investidor privado que vai financiar um projeto para que se desenvolva e que sabe que vai reduzir os encargos para o Estado”. Se o projeto correr bem, o Estado, que faz o investimento com dinheiros públicos, paga ao investidor pelo impacto gerado. O risco está concentrado no setor privado, sobretudo nas entidades filantrópicas. Estes títulos poderão, no futuro, ter uma taxa de retorno para atrair investidores comerciais.

No modelo de investimento convertível, os donativos podem ser convertidos, posteriormente, em ações. “Se o projeto correr mal, o investidor perde o dinheiro; se correr bem, a garantia converte-se em ações nas mesmas condições do financiador que venha a seguir. Isto desonera o risco de quem está a aplicar o projeto.”

Há ainda o financiamento através da partilha de receita e risco com financiadores. O projeto só reembolsa o investidor na medida em que o projeto estiver a correr bem; se o projeto não gerar receitas, há uma partilha de risco entre banco e investidor. Para o professor catedrático, este modelo só pode ser seguido por bancos de cariz social, como Montepio Geral e Crédito Agrícola ou novos investidores sociais.

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A função de um académico também passa por “olhar para muitos casos práticos e extrair ensinamentos gerais sobre o tema e traduzi-los para que outras pessoas, mesmo sem capacidades inatas, os possam utilizar. Desta forma, podem ensinar e inspirar pessoas para criar os próprios projetos de impacto social”, diz Filipe Santos.

Mulheres lideram
As gomas saudáveis da Dr. Gummy, os barcos solares elétricos da Sun Concept ou o código universal de cores para daltónicos da ColorAdd são alguns dos projetos de empreendedorismo social nascidos em Portugal nos últimos anos. Nasceram através de novas startups sociais e não foram incubados numa organização já existente na economia social, porque “terem mais dificuldade em separar-se das próprias organizações”.

Ao contrário do que acontece nas startups comerciais, são as mulheres que mais lideram os projetos de impacto social. “As empreendedoras femininas têm mais sensibilidade para as áreas sociais e mais conexão emocional e anímica”, assinala Filipe Santos. Estes projetos são fundados sobretudo por pessoas entre os 25 e 35 anos e que já tenham trabalhado “numa empresa na área da responsabilidade social”.

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