Empresa portuguesa de relva vai ajudar Ronaldo e Messi a brilhar no Brasil

Relvado do Maracanã teve a mão da Vasverde

Ronaldo, Messi e Neymar vão passear a sua classe pelo campeonato do mundo este verão. Os craques vão encantar os fãs do jogo bonito com os seus golos nos estádios brasileiros.

Mas sem um relvado
à sua altura, dificilmente as estrelas mundiais vão
conseguir brilhar. Foi para elevar a qualidade do futebol durante a
Copa que a Vasverde entrou em campo no ano passado.

A empresa portuguesa produtora de relva integra um consórcio europeu que atravessou o Atlântico para produzir, instalar e gerir os relvados de sete estádios
do Campeonato do Mundo, incluindo o mítico Maracanã que vai ser o palco da final.

“Foi uma
aventura no ano passado, uma semana por mês a correr o Brasil de fio
a pavio”, disse Ana Caldeira Cabral, presidente da Vasverde, ao
Dinheiro Vivo.

“A dormir uma
noite em cada cidade. Eu só conheci os aeroportos e os relvados”,
relembra a empresária que integrou a equipa internacional na
qualidade de consultora.

A responsável
teve de se certificar que o relvado dos estádios estava a 100% no
ano passado, um ano antes do Mundial, porque teve lugar a Copa das
Confederações.

“Tivemos que terminar as arenas todas para a copa das confederaçõe e tivemos que ter os técnicos brasileiros a manter durante o campeonato brasileiro, que é muito intenso, porque tem campeonato estadual e federal.É muito intenso, milhares de jogos, durante o ano inteiro”, conta.

Ana Caldeira
Cabral regressou ao Brasil este ano, mas não foi para fazer turismo. A melhor prova do bom trabalho é a relva não ser mencionada.
“Eu vou garantir que está tudo bem para estar entregue e depois
saio de cena”.

Uma das dificuldades com que se deparou em terras de Vera Cruz foi com a inexistência de produção de relva. “O Brasil em termos de produção de relva é muito obsoleto ainda, não tem a ver com o nosso nível de qualidade. Se acontecer alguma coisa com aqueles relvados, nós não temos onde ir buscar relva para substituir”, aponta.

A criação de um plano B para a relva em vários dos estádios vai ser essencial para que tudo corra sem incidentes, afirma a engenheira. “Como nós não somos brasileiros, e tínhamos alguma dificuldade em acreditar que Deus era brasileiro, temos sempre um plano B e convencemos a Greenleaf que havia 3 arenas – Maracanã, Brasília e Recife – que tinham que ter um plano B”.

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Com o seu saber e experiência, a portuguesa foi responsável por criar vários viveiros de relva no Brasil, algo que praticamente não existia no país. “Nós fomos produzir lá com qualidade europeia. Os brasileiros nem queriam acreditar, eles demoram um ano a tirar de lá um tapete de relva, e nós em três meses estávamos a recolher relva para o Maracanã”, afirma.

A Vasverde tem entre mãos sete dos doze estádios do Mundial: Arena de Maracanã no Rio de Janeiro, Arena de Pernambuco
no Recife, Arena de Fonte Nova em Salvador, Arena do Castelão em
Fortaleza, Arena do Mineirão em Belo Horizonte, Estádio Nacional
Mané Garrincha em Brasília e a Arena do Amazonas em Manaus.

Da Expo 98 para o Mundial

A experiência na Copa do Mundo foi única, mas esta engenheira das relvas trata de relvados em eventos internacionais há mais de quinze anos. Após terminar a
licenciatura em engenharia agrónoma, Ana rumou aos Estados Unidos
para se especializar em gestão e maneio de relvas, tendo-se dedicado
à consultoria nesta área quando regressou.

Pelas suas mãos
já passou um pedaço da história recente de Portugal, desde os
relvados da Expo 98 a estádios do Euro 2004, como o do Dragão e da
Luz, ou do festival Optimus Alive. A empresa foi responsável pela concepção, instalação e
manutenção dos relvados da Expo 98, e do posterior Parque das
Nações. A relação teve início em 1997, mas 17 anos depois a
relação vai terminar, com o fim do contrato.

A empresa localizada em Benfica do Ribatejo tem atualmente 63 hectares em produção e para este ano o “objetivo é crescer mais 20 hectares, para o ano mais 20 ou 30 hectares.”

A empresa vai exportar 20% da sua produção este ano, principalmente para Espanha. Para o futuro, a ambição é entrar no mercado do norte de África, revela Ana Caldeira Cabral.

“Neste momento, o nosso mercado principal é o mercado espanhol. Estamos a tentar arranjar um parceiro para entrar no mercado marroquino. Mas não só Marrocos, queremos avançar para toda a zona do Magrebe”.

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