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Ename. Mirtilos dão novo sabor ao negócio da tecnologia

Mara Almeida, CEO do grupo Ename, do qual fazem parte a Acegrow e a Greenela. Fotografia: Miguel Pereira da Silva/Global Imagens
Mara Almeida, CEO do grupo Ename, do qual fazem parte a Acegrow e a Greenela. Fotografia: Miguel Pereira da Silva/Global Imagens

Mara Almeida, CEO do grupo Ename, de Viseu, começou na tecnologia e já vai no agroalimentar. Prepara um encontro de produtores de mirtilo.

Mara Almeida, uma das empresárias incumbidas de organizar o VIII Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo, nos próximos dias 15 e 16, em Viseu, talvez nunca se tenha imaginado nesse papel, sobretudo, há 19 anos quando foi cofundadora da Ename, uma empresa de assistência técnica no mercado das tecnologias de informação, hoje presente noutros países e à qual se juntaram, há três anos, mais duas empresas, mas do setor agroalimentar.

No princípio era a reparação de equipamentos eletrónicos, eletromecânicos e informáticos. “Era uma lacuna no mercado”, refere Mara Almeida ao recordar como os três fundadores da Ename se tinham de multiplicar para conseguir um lugar no mercado, afinal, rapidamente conquistado: ao fim de dois anos já tinham o primeiro contrato com uma marca para fazer as reparações a nível nacional.

A partir daí, passaram a trabalhar diretamente com os fabricantes, a nível ibérico. Abriram uma estrutura em Madrid, outra nas Canárias e ainda em Paris.

Pelo caminho, além das reparações, passaram a inclui serviços de call center, logística, controlo de qualidade, assemblagem e produção de equipamentos, como uma impressora 3D das mais recentes no mercado, para responder a clientes (fabricantes) europeus, americanos e, sobretudo, asiáticos.

Com a marca consolidada, há cerca de três anos viram uma nova oportunidade: levar as tecnologias ao setor agroalimentar. E assim nasceu a Acegrow, dedicada à compra e exportação de frutos vermelhos aos produtores nacionais, com quem estabelecem parcerias que podem incluir consultoria de todo o processo produtivo, “de forma a garantir uma colheita bem sucedida”.

A empresa está na iminência de construir um grande pavilhão para instalar uma máquina de triagem dos pequenos frutos, onde cada baga é verificável individualmente e selecionada, “para evitar rejeições quando chegar ao cliente final”, assim espera a empresária.

A Acegrow está também envolvida num consórcio internacional para estudar formas de promover o desperdício zero. Ao nível do mirtilo, por exemplo, está prevista a investigação, com o Instituto Politécnico de Viseu, da secagem da baga para consumo direto, bem como a transformação do fruto em pó, para suplementação alimentar, aproveitando a semente para produção de óleos.

Mas, para garantir que não há falta de produto no circuito da exportação, o grupo criou a Greenela, vocacionada para a produção própria de mirtilos. Em perspetiva está a criação de morangos em hidroponia, um investimento de “vários milhões de euros”.

Todo o crescimento do grupo, sempre com recurso a capitais próprios, traduz-se agora no emprego de 140 pessoas e numa faturação acima de cinco milhões.

Para chegar aqui, Mara Almeida, que nasceu em Luanda há 45 anos, viveu na África do Sul, de onde saiu para Viseu com 14 anos. Foi na cidade beirã que se formou em Contabilidade e Administração. Tirou um curso de Gestão na Universidade Católica e uma pós-graduação em Coimbra, em investimentos financeiros.

Em 2016, ajudou a lançar a Rede Mulher Líder, uma iniciativa do IAPMEI, hoje com uma centena de empresárias, da qual se orgulha: “É um conforto perceber, com as pessoas do meu universo, quais as suas preocupações, as suas virtudes, as suas experiências e partilhar informação.”

Afinal, Mara Almeida não só “Encontrou a Melhor Equipa” na Ename (eis a origem do nome, na versão para os amigos) como personifica a vontade de a replicar.

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