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Entre o preto e o branco das dietas há 1001 combinações de cinzentos saudáveis

Entre dietas e corridas, Maria Gray deu-se conta de que perdia energia quando retirava alguns alimentos da sua alimentação.

Mãe de cinco filhos, Maria Gray, 44 anos, fez dezenas de dietas durante a vida. Apesar de gostar de correr, sempre foi curiosa sobre tipos de alimentos e das suas implicações no corpo. Mas os picos de energia coincidiam sempre com as épocas em que não estava de dieta ou, por outra, sentia a energia diminuir sempre que reduzia alimentos e quantidades. Foi a pensar nestes cinzentos entre os extremos de branco e preto que, com os filhos maiores e o marido fora do país, decidiu dedicar-se a criar um negócio próprio. A 26 de novembro, inaugurava o primeiro restaurante da marca Local, no Mercado da Vila, em Cascais.

Maria estudou num colégio inglês em Lisboa e, por ter sido mãe muito cedo, decidiu ficar por casa a tratar dos filhos e do lar, enquanto o marido trabalhava fora. Outra carreira, portanto. “Basicamente dediquei-me aos filhos e à família enquanto o meu marido fazia a carreira profissional dele. Se o casamento é um trabalho de equipa, perfeito. Nessa equipa há duas pessoas e, quando as crianças ficaram crescidas e o meu marido começou a trabalhar em Londres, achei que estava na altura de lançar um projeto meu”, conta Maria.

(Orlando Almeida / Global Imagens)

(Orlando Almeida / Global Imagens)

A ideia do negócio surgiu por entusiasmo. “Sempre adorei cozinhar e costumo ter a casa cheia de amigos desde que me lembro. Às tantas, dei por mim a preparar receitas em papel, a tirar fotocópias e a distribuí-las pelos amigos. Isto não é vida para ninguém, então no século XXI, tudo digital…”, lamenta. Nessa altura, com tempo livre, decidiu começar um blogue quase por brincadeira, numa tentativa de partilhar as suas melhores receitas com os amigos, seguidores e fãs dos seus pratos. Um dia, disseram-lhe que havia um espaço livre no mercado em Cascais. “Cheguei lá e achei que tinha tudo a ver comigo. Pensei: olha, vamos!”, conta. A oportunidade do primeiro Local, no Mercado da Vila em Cascais, parecia feita por encomenda. “Sou sempre um bocadinho surpreendida pela vida e vou aceitando desafios”, relata.

“O crescimento para um negócio negócio pode fazer-me tremer um bocadinho, mas não me assusta nada. Gosto de desafios.”, diz Maria Gray

Apaixonada pela alimentação saudável, Maria sempre experimentou de tudo. Ingredientes exóticos, novidades das lojas biológicas, receitas com legumes quase nunca usados nas cozinhas nacionais. “Achava sempre que as dietas deitavam muito abaixo os meus níveis de energia, deixavam-me com mudanças de humor a mais. E às tantas, por experiência, temos tendência para ver as coisas um bocadinho preto ou branco, e raramente se olha para o cinzento. Andei à procura de uma fórmula mais equilibrada de ter uma alimentação dita saudável, com os pressupostos universais. Mas assumindo que não precisamos de ser sempre aquilo: nem 100% biológico, nem 100% sem glúten, nem livre de lactose”, detalha. Foi assim que chegou ao conceito do Local, um restaurante feito à medida das suas experiências gastronómicas e com a ambição de surpreender os clientes, mesmo que eles voltem todos os dias. “Sabemos que ninguém na sua vida do dia-a-dia consegue comer 100% biológico, sem trigo, sem lactose. Decidimos posicionar-nos em toda esta área cinzenta, que é a que mais me atrai. Tendo a ser muito criativa em termos de receitas – é essa a minha paixão – e isso ajuda a equilibrar a chatice que é tratar de papéis. Eu estou na parte mais criativa das receitas, que mudam todos os dias.”
E se, com o primeiro restaurante em Cascais, o número de refeições diárias estabilizou nas 50, em média (podendo chegar facilmente às 70), o número chegou rapidamente às 140, com a abertura do segundo espaço da marca, no Palácio Chiado, em Lisboa, no início de maio, uma forma de rentabilizar as horas mortas da cozinha de Cascais, onde o restaurante produz todas as refeições.

Cascais, 07/03/2016 - Esta manhã, no mercado de Cascais fotografamos Maria Gray Pereira, fundador do restaurante mercearia LOCAL Kitchen, um dos espaços do mercado de Cascais. (Orlando Almeida / Global Imagens)

(Orlando Almeida / Global Imagens)

“É um enorme desafio. O crescimento para um negócio negócio pode fazer-me tremer um bocadinho, mas não me assusta nada. Gosto de desafios. Assusta-me apenas a racionalização na minha cozinha porque sou uma pessoa muito intuitiva. De repente, adoro os dias de mercado, gosto de uma coisa e depois não posso escolhê-la porque não chega ou não se adequa. Assusta-me essa racionalização e tento ser o mais criativa possível na construção das receitas, para terem sempre um elemento diferente, que é o que caracteriza o Local”, esclarece Maria. Por estar no controlo das operações, há sempre dedo da fundadora nos pratos preparados pela equipa de 12 pessoas. O Local tem também um serviço de take away, que já representa cerca de 5% das vendas. “Acredito que no verão pode aumentar para 20%”, conta. Criar um serviço de entregas está, por enquanto, fora dos planos. “Somos um sítio de passagem, mas pode ser que um dia cresça.” O plano de negócios estima que a empresa deva fechar o ano com 700 mil euros de faturação, somando as contas dos espaços de Cascais e Lisboa.

° Local ° Marca foi criada em novembro de 2015. Primeiro espaço abriu nesse mês, no Mercado de Cascais ° Maria Gray, a fundadora, investiu cerca de 150 mil euros para criar a estrutura que assegura a operação em Cascais e no Palácio Chiado, em Lisboa ° Empresa deverá faturar cerca de 450 mil euros até final deste ano.

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