Equador: Chocolates com design

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O chocolate é uma arte. Uma bela arte – pelo menos para Teresa Almeida e Celestino Fonseca. Ela é escultora, ele designer gráfico e juntos criaram a chocolataria Equador, que já tem duas lojas no Porto e neste mês abriu em Lisboa, no Chiado.
“Tudo começou espontaneamente”, conta Celestino. “Eu trabalhava numa multinacional com sede em Hong Kong, viajava muito e visitava muitas fábricas de cerâmica e têxteis, de forma que fui ganhando uma experiência diferente como designer gráfico. Mas sentia-me um bocado limitado e comecei, com a Teresa, a minha mulher, à procura de um negócio a que pudesse aplicar uma ideia e construir um produto na totalidade.” Numa viagem a Alcobaça, uma paragem em Leiria cruzou no seu caminho Alex, um mestre chocolateiro que estudara em Toulouse e apresentou um novo mundo a Celestino.
Estávamos em 2008, no rebentar da crise, mas o gosto e o interesse de Tersa e Celestino pelo chocolate e pelo cacau, e a vontade de criar algo novo, sobrepuseram-se a dúvidas e reticências. “Ambos estávamos a trabalhar, ganhávamos bem e tínhamos segurança, por isso fomos criando a Equador como um part time. Procurámos mestres chocolateiros em Portugal que tivessem produção artesanal e ainda não comunicassem e identificámos dois, o Rui Costa e o Miguel Tedim, formados em França, com quem trabalhamos até hoje.”
Entretanto, Teresa e Celestino sentiram a necessidade de controlar todo o processo e por isso montaram uma oficina de chocolate em Leça do Balio.
Todos os produtos da Equador têm “um elevado teor de cacau e uma puríssima manteiga de cacau, que lhes conferem grande qualidade”, numa seleção alargada que inclui uma coleção de tabletes Grand Cru, feitas a partir de favas de cacau de Madagáscar, Equador, Brasil, Cuba e Venezuela, com e sem recheios. Além dos pirulitos de chocolate, bombons, trufas, cacos (pedaços de chocolate partidos que se vendem a peso), pauzinhos de chocolate, sombrinhas e macarons.
Com um investimento que já chega a meio milhão de euros, hoje a chocolataria Equador conta com três lojas: na Rua das Flores (2012) e na Rua Sá da Bandeira (2010), no Porto, e desde este mês na Rua da Misericórdia, em Lisboa. Todas lojas de rua, em bairros chiques mas que mantêm as fachadas das cidades de outros tempos. O que liga perfeitamente com o visual da marca e as suas embalagens rétro, que nos surpreendem com ilustrações impressas em cartazes e postais a acompanhar caixas de bombons e trufas.
“Já nos convidaram para abrir em shoppings, até a custo zero, mas não queremos. Queremos manter este perfil que são as lojas de rua, localizadas na Baixa , em edifícios que nos inspiram. Os ambientes criados nas lojas, são o resultado de um olhar atento às tendências, que ganha forma na mistura de diferentes influências, que vão desde os armazéns de cacau de São Tomé, num imaginário de um mundo português revisitado, combinado com elementos de carácter industrial, mobiliário original da década de 1950, de objettrouvé e de outros objetos criados por designers contemporâneos, como os nossos candeeiros Tom Dixon.”
Para completar o cenário, ao chocolate juntaram-se as histórias da Vila do Lago, criadas e “contadas pelo Álvaro”. São pequenas aventuras, que enquadram cada novo produto da chocolataria na vida de personagens ilustradas pelo próprio Celestino Fonseca. A Vila do Lago existe também em chocolate, numa escultura de Pascal Ferreira. De resto, as embalagens e todo o grafismo usado nas lojas e produtos tem “um traço rétro reinterpretado, atento às décadas de 40 e 50 do século xx”.
Mas há mais traços da formação profissional de Teresa Almeida e Celestino Fonseca na Equador. E talvez o mais óbvio seja a forma escolhida para apresentar novidades com alguma regularidade: os chocolates são trabalhados por coleções, como acontece na moda, por exemplo, realçadas por ingredientes sazonais e incluindo até um toque de “alta-costura” com alguns produtos de edição limitada. Presença obrigatória na Equador tem uma seleção de clássicos que inclui chocolate negro com laranja, vinho do Porto, ginja ou menta. Mas se prefere arriscar em experiências mais exóticas pode optar por sabores como caril, pimenta-rosa, gengibre, chilli ou goji.
Entre estas misturas, há que destacar a combinação do chocolate com o vinho, uma parceria que tem ganho peso entre os gourmands e em que Celestino Fonseca e Teresa Almeida apostaram “porque bons vinhos e bom chocolate são dois ingredientes de momentos inesquecíveis”. No ano passado, a Equador abriu um corner nas caves Ramos Pinto, em Gaia, onde desenvolveu, em conjunto com a produtora de vinho, uma prova especial Porto e Chocolate.
Já este ano, a marca de chocolates artesanais criou uma nova parceria, desta vez com os cafés Torrié, que criaram um lote especial para a Equador, “concebido para ser degustado com chocolate”. “Foi também desenvolvida uma tablete Equador/ /Torrié, que consiste numa barra de chocolate negro com uma ganache de café acompanhada por um catálogo descritivo com as características e notas aromáticas destes dois ingredientes.”
“Quisemos ligar-nos a outras marcas nacionais, fizemos questão de que fossem marcas portuguesas com as quais conseguíssemos criar reciprocamente valor acrescido.”
Em cinco anos, a ideia que começou como um part time deu origem a duas dezenas de novos postos de trabalho e cresceu ao ponto de “nos dar condições para nos dedicarmos a cem por cento a este negócio”, conta Celestino Fonseca. Mas a que se deve o sucesso da Equador? “A uma energia muito própria e ao espírito de missão de toda a equipa. Funcionamos todos nessa lógica de missão. Não estamos aqui para ficar ricos mas para construir algo que tem valor. E tem corrido muito bem.”

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