Era uma vez um livro inspirado na criança a quem se destina

Pode escolher-se nome, género, brincadeiras e até alterar a história. É o caso da Your Story, de Diogo Oliveira Santos, ou da Lost My Name, livros ilustrados por Pedro Serapicos

Personalização. Dito assim parece um palavrão mas, enquadrado no negócio dos livros infantis, pode significar a “proximidade ao cliente”. E, num registo mais didático, a identificação da criança com a história que está a ler e até com as personagens. É o caso dos livros da Your Story, criados por Diogo Oliveira Santos, que além de permitirem "personalizar alguns pormenores do texto, como o nome e o género das personagens, a sua relação pessoal ou as suas brincadeiras favoritas", o cliente decide também o que pretende que aconteça em alguns momentos da história. “Um destes pontos refere-se à escolha do final ou moral”, explica o engenheiro eletrónico e de computadores, frisando que é “desta forma que a criança irá identificar-se ainda mais com a história que foi idealizada e personalizada para si.”

Diogo Oliveira Santos, fundador da Your Story, diz que um em cada cinco clientes repete a compra. (Fotografia: D.R.) Diogo Oliveira Santos, fundador da Your Story, diz que um em cada cinco clientes repete a compra. (Fotografia: D.R.)

Este é também, aliás, o objetivo do projeto Lost My Name, que publica a coleção “Ai! Perdi o meu Nome!”. Com cerca de 250 histórias, o projeto que conta com o ilustrador português Pedro Serapicos já vendeu 850 mil exemplares em 162 países, desde o seu lançamento em 2013. A empresa que se assume de integração vertical (como a Apple, Uber ou Netflix) porque “controla todos os aspetos do negócio, desde a criação das histórias às ilustrações, do desenvolvimento da tecnologia à impressão dos livros”, promete oferecer ao mercado a “personalização a um nível nunca antes atingido em produtos para crianças”.

“Ai! Perdi o meu nome!” conjuga modernas tecnologias na recriação do produto tradicional que é o livro, através de um algoritmo especialmente criado para o efeito. O resultado é uma história ilustrada personalizada que se desenvolve a partir das letras de um nome permitindo a cada criança criar a sua própria aventura, com o preço de 26,99 euros e envio internacional gratuito.

lostmyname2480

Por exemplo, para que Maria possa recuperar o seu nome vai contar com a ajuda de um Macaco, de um Anjo, de uma Rainha, de uma Iguana e de uma Arara.

O projeto está em constante desenvolvimento. “Isto quer dizer que ainda não chegámos ao fim” pois, “à medida que vamos crescendo para novas línguas, temos necessidade de criar novas histórias”, diz Pedro Serapicos. E com as novas histórias surgem novas ilustrações. “Mas, desde que começámos até nos lançarmos — sobretudo no Reino Unido — demorei cerca de ano e meio até garantir 70% das combinações possíveis para nomes ingleses”, diz o ilustrador.

Já a coleção da Your Story conta com quatro histórias em quatro idiomas (português, inglês, espanhol): duas escritas pela Joana Ribeiro Rebelo – “A Aventura no Parque” e “O Jardim Encantado” - e as outras duas pela Patrícia Protásio – “Quero ser Crescido, Já!” e “Que Curioso!”. “Gostamos de trabalhar com vários autores, de forma a tornar mais rica e diversificada a nossa coleção, em virtude de cada um ter o seu próprio estilo literário”, diz Diogo Santos. Quanto à ilustração, com o objetivo de tornar a coleção mais rica e diversificada, a editora trabalha com vários ilustradores, cada qual com o seu estilo próprio.

Indicados para crianças entre os 3 e 9 anos, os livros (24,95 euros) surgem de uma forma curiosa. “Certo Certo dia estava a ler uma história à minha filha Rita, na altura com 2 anos, e nessa história, um tio oferecia ao seu sobrinho, como prenda de aniversário, um livro. Mais interessado em brincar com os seus amigos, o sobrinho não queria ouvir a história que o seu tio, logo se tinha prontificado a ler. O tio não desistiu. Começou a ler, e num ápice, os meninos juntaram-se a ele para ouvir a história. Com muita atenção, os meninos escutaram e viveram as peripécias como se fossem deles. A história contada pelo tio estava efetivamente escrita no livro, mas este tinha 'rebatizado' as personagens: a personagem principal era o seu sobrinho e os seus amigos, os fiéis compinchas de aventuras”, conta Diogo Santos.

O projeto Lost My Name nasce na vida de Pedro Serapicos através de um convite de colaboração inesperado para um livro de ilustração infantil, feito pelo grupo de amigos Asi Sharabi, David Cadji-Newbi (guionista da BBC), que mais tarde o convidariam a integrar a fundação do projeto. “Tudo começou através de um contacto via email, reuniões preliminares, e como todos tínhamos atividades profissionais das quais dependíamos para subsistir, o projeto foi crescendo em formato part-time”, conta. Demorou quase dois anos de “trabalho árduo, muita dedicação, afeto, e algum investimento financeiro, até todas as componentes do produto estarem em condições para serem lançadas no mercado (escrita, ilustração, programação) em versão beta”, adianta.

Assumindo o objetivo da internacionalização, Pedro Serapicos aponta os países da lusofonia. “Em primeiro lugar existe uma relação afetiva, uma vez que está envolvida, desde o início, mão de obra e criatividade portuguesa, em todo o projeto”, diz.

Já a Your Story, que está no seu primeiro ano de atividade, tem expetativas muito positivas para este Natal, tendo reforçado a coleção com mais histórias e melhorado a loja online. Em termos de sazonalidade, Natal, Páscoa, Dia da Criança e Dias do Pai e da Mãe são muito importantes para a Your Story, representando cerca de 65% da faturação da empresa. No entanto, “aprofundando a análise, concluímos que um número crescente de clientes tem vindo a adquirir os nossos livros para oferecer em aniversários das suas crianças ou dos seus amigos”, explica Diogo Oliveira. Mas, para o criador da Your Story, há um indicador da qualidade do produto e da adequação da estratégia: um em cada cinco clientes repetiu a compra. O responsável revela que as encomendas de março deste ano superaram largamente o número de unidades vendidas no Natal de 2014. Só a primeira semana de novembro já representou o quádruplo das encomendas relativamente à semana homóloga de 2014.

Quem também procura aumentar vendas nesta altura do ano é a cadeia de brinquedos Imaginarium, curiosamente, recorrendo também à estratégia da personalização da mensagem por forma a cativar o seu principal target: a criança, embora seja o pai ou outro qualquer familiar que assume o ato da compra. Assim, recorrendo ao seu catálogo, dirigido à criança (que o adulto previamente inscreveu na loja), a Imaginarium criou no início desta peça de comunicação uma carta ao Pai Natal, que depois de preenchida pode ser entregue na loja.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de