esolidar. O "OLX solidário" português que vai à conquista do mundo

Há um iPad 4 por 389 euros que vai doar diretamente 23,34 euros à associação Helpo quando for vendido. Há um par de botas de montar para senhora, Ary Boots, que custam 275 euros e irão significar uma doação de 110 euros à Operação Nariz Vermelho.

Na eSolidar é assim: pode vender,

trocar e comprar artigos como num site normal de comércio eletrónico,

mas ajudando uma causa social pelo caminho. E até ganhar comissões com

isso, só por partilhar as vendas. É a segunda vida da Bewarket, uma

plataforma de e-commerce social, que mudou de nome e encontrou na

solidariedade a sua diferenciação.

"Olhavam sempre para nós como mais um OLX, mais um eBay. Como é que nos podíamos diferenciar no mercado, além de termos a parte social dos amigos em comum e as recomendações?", explica ao Dinheiro Vivo o fundador e CEO, Marco Barbosa. Quando a empresa recebeu investimento de uma capital de risco portuguesa, disseram-lhes que deviam reposicionar o produto e torná--lo mais valioso para a sociedade, em vez de ter apenas transações comerciais. "Foi aí que surgiu o conceito de aliar a solidariedade ao comércio eletrónico e manter a parte social das redes sociais, com recomendações de amigos e a confiança inerente."

O eSolidar está a funcionar nestes moldes desde o final de maio e já angariou quase quatro mil euros para as organizações afiliadas, entre as quais se encontram desde as mais conhecidas, como a Ajuda de Berço e a Associação Salvador, até às mais desconhecidas, como a WelcomeHome, no Porto, ou a Associação Juvenil, em Braga. "Queremos chegar aos 100 mil utilizadores registados até ao final do ano e juntar em donativos entre 150 e 200 mil euros", estabelece Marco Barbosa.

A plataforma tem cerca de mil utilizadores e encontra--se ainda numa fase incipiente, pelo que está a usar os "leilões solidários" como forma de chamar a atenção do público. Estes leilões são organizados com celebridades que doam objetos ou experiências. Já foi leiloada a bola do último jogo que deu o título ao Benfica - foram angariados 2800 euros para o Mundo da Carolina - e está agora a ser leiloado o quinto disco de platina de Tony Carreira, O Mesmo de Sempre, que vai reverter para a Associação Nacional de Combate à Pobreza. "Cerca de 75% do tempo das organizações é passado a tentar angariar fundos e não focado na sua missão. Queremos reduzir este tempo", frisa Marco Barbosa.

Não é obrigatório a quem vende os seus produtos destinar uma percentagem do lucro para instituições de solidariedade - cerca de metade não o faz. "Mas quando perguntamos aos consumidores, 83% preferem comprar um produto associado a uma causa. Mesmo que o preço seja diferente, 50% prefere comprar um pouco mais caro", adianta o mesmo responsável. A média de preços ronda os 40 a 50 euros e demora entre uma a duas semanas a concretizar a venda. A rede incentiva o uso de PayPal, para poder cancelar um pagamento no caso de a encomenda não ser o que esperava, mas também se pode pagar com cartão de crédito ou à cobrança. O sistema de recomendação de amigos e a ligação ao Facebook normalmente aumenta a confiança.

"É muito difícil competir com um OLX, que tem milhões de pessoas, e a partir do momento em que se põe alguma coisa à venda recebe-se logo propostas e consegue-se vender rapidamente", admite o CEO. "Mas também pode ir ao CustoJusto, ao eBay. Neste caso, existe esta componente solidária e também a parte social: poder ver quem é a pessoa e os amigos em comum, aumenta o nível de confiança."

O modelo de negócio da eSolidar passa pela comissão fixa de 5% por transação, embora por vezes esta percentagem possa ser inferior. É que existe um sistema de comissões que incentiva as pessoas a partilharem as vendas em curso na plataforma: se alguém partilhar e o comprador final vier através desse link, o autor da partilha recebe 1% de comissão. "É uma forma de estimular a comunidade a partilhar", explica Marco Barbosa, e também de crescer organicamente. "Mas se a venda não tiver doação, essa funcionalidade não existe."

Como a intenção da eSolidar é ganhar escala e renome internacional, está já a trabalhar na sua expansão. De outubro a novembro vai abrir uma empresa no Reino Unido, estando também a estabelecer contactos nos Estados Unidos. Precisa, obviamente, de mais uma ronda de investimento. A primeira foi ainda com a Bewarket, o conceito anterior, no valor de 30 mil euros iniciais. Depois houve fundos do QREN e mais uma ronda, que elevou o total angariado pela equipa para 200 mil euros. Agora, Marco Barbosa fala na ideia de usar a plataforma Seedrs, também portuguesa, para conseguir mais fundos - a empresa precisa de cerca de meio milhão de euros. O break-even deverá ser conseguido até ao final de 2015.

"Somos uma plataforma de angariação de fundos de impacto social para empresas com fins não lucrativos", resume o CEO. "Quase como um canivete suíço de angariação de fundos, que permite aumentar a visibilidade das organizações e angariar mais fundos."

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