Arte

Espelho d”Água. A ponte Lisboa-Luanda-São Paulo

O empresário luso-angolano Mário Almeida deu nova vida ao Espelho d'Água
O empresário luso-angolano Mário Almeida deu nova vida ao Espelho d'Água

Na mesa do restaurante há coxinhas de galinha, atum mal passado e coberto de sementes de sésamo, chamuças amarelas do caril e recheadas com cogumelos e banana, galinha ao leite com tapioca.

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A carta do novo Espelho d”Água tem como entrada uma galeria de arte. Mas não se assuste. A sala abre e cresce para uma cafetaria, uma loja e até quatro quartos que servirão para residências artísticas. O projeto, a partir de uma concessão ganha pelo empresário luso-angolano Mário Almeida, 52 anos, dá nova vida ao edifício.

A carta do restaurante é inspirada mas viagens dos portugueses para o mundo. A ideia é, de facto, trazer um pouco as influências portuguesas na cozinha do mundo. Faz sentido a gente trazer de volta e evidenciar o que as culturas se influenciaram umas às outras com base na cozinha portuguesa. E complementar a cozinha não tendo como base a ideia das caravelas que partiam à descoberta, mas acolhendo exposições de artistas do mundo – Macau, Brasil, Angola, Índia – mantendo Lisboa como casa. Basicamente, trazer o que é nosso de uma forma mais contemporânea“, conta Mário Almeida ao Dinheiro Vivo.

Há 75 anos em frente ao Museu de Arte Popular, o edifício do Espelho d”Água é um dos que restam da Exposição do Mundo Português de 1940, organizada para celebrar a nacionalidade e o império. Desde que foi construído, o edifício serviu de casa a muitos conceitos e até a intervenções de arquitetos como Manuel Graça Dias ou Cotinelli Telmo. Na parede do restaurante, um painel do pintor americano Sol Lewitt, pioneiro do Minimalismo – cuja existência pouca gente conhecia por ter sido tapado por algum dos antigos exploradores do edifício – faz as delícias e serve para ilustrar o projeto. “O triângulo parece até ser o desenho da minha ligação aos três lugares: Lisboa, Luanda e São Paulo”, explica Mário.

O empresário nasceu em Angola mas viajou para Portugal com apenas um mês. Entre idas e voltas ao país africano, Mário acabou por estudar Gestão em Lisboa. No entanto, a vontade de trabalhar fora de Portugal fê-lo regressar às raízes: depois de ter passado pela direção financeira de uma construtora, há 15 anos abriu oEspaço Bahia, um projeto ligado às artes na capital angolana e o segundo em nome individual, depois da inauguração de um dos primeiros bares pós-guerra, o Havana Club. A ideia de voltar para Lisboa e poder criar um projeto semelhante com base num restaurante inspirado na comida portuguesa e nas influências da culinária lusa no mundo – graças aos Descobrimentos – surgiu através de uma irmã de Mário, que lhe deu conta da oportunidade do concurso público. Com ele veio a mulher, a brasileira Mona Camargo, que Mário conheceu em São Paulo. Com experiência na área da cultura, Mona é o braço direito do luso-angolano. Juntos pensaram no espaço, planeiam a programação para a galeria, a ocupação da loja e até as residências artísticas. “A ideia é que seja uma área de alguma forma sustentável, que quem entre para propor projetos também procure, juntamente connosco, financiamento para esses projetos. Partimos de uma base de parceria, de trabalho de equipa”, esclarece Mona, 35 anos.

Mas adaptar um edifício frente ao rio Tejo que já foi armazém, discoteca e até um restaurante chinês tem muito de complexo. Que o conte Mário: o projeto de arquitetura de António Lino aproveitou apenas as paredes do espaço com cerca de 1300 metros quadrados. O resto não sobrou para contar a história. O investimento de Mário Almeida chegou aos 1,3 milhões de euros, parcialmente financiados entre a banca e com capitais próprios. “O lado negativo de olhar assim para os projetos – primeiro como objetivo pessoal e só depois como negócio – é que acabo por gastar muito e envolver-me mais do que deveria. No bar de Luanda, por exemplo, tive um retorno em dois meses. Este e o Baía são projetos a três, quatro anos. E precisam de ser bem geridos para que consigamos cumprir todas as obrigações”, diz.

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