Arquitectura

Esta arquitecta faz crachás e organiza festivais

Arquitectura é o ponto de partida
Arquitectura é o ponto de partida

Lara queria ser cabeleireira mas a mãe não deixou. A história podia ter sido mais dramática, mas Lara Seixo Rodrigues, 32 anos, seguiu os conselhos da mãe. Em 1997 mudou-se para Lisboa para estudar Arquitectura na Universidade Técnica de Lisboa, sem grandes certezas de que era arquitecta que queria ser.

O professor da cadeira de Projecto, o arquitecto Manuel Aires Mateus, trocou-lhe as voltas e convenceu-a a seguir a área com o entusiasmo de um “bom professor apaixonado pela profissão”. Lara terminou o curso em 2003, altura em que fundou, com o irmão, o atelier Seixo Rodrigues Arquitectos. Só que a arquitecta não queria construir apenas casas. Os projectos da cadeia Amo.te, lançada por Pedro Miguel Ramos, foram construídos pela dupla de arquitectos, que tratava “desde a escolha das cores de cada restaurante-bar aos copos usados em cada cidade”. Os Amo.te Braga, Açores, Covilhã e Viseu foram desenhados por Lara e Pedro.

Um dia, por brincadeira, os irmãos compraram uma máquina de fazer crachás. O investimento de 250 euros em equipamento e tecidos – que trazem muitas vezes do estrangeiro, quando viajam – marcou o arranque da Kraxas, uma empresa que faz crachás de tecido com colecções de vários países e tem quase lançadas duas linhas especiais: uma de crachás de cortiça e outra feita por artistas convidados, entre as quais Add Fuel to the Fire (Diogo Machado), Adres, Tosco, Mar, Min e Target.

“Não me consigo ver com uma profissão só. Quando me perguntam, digo que sou arquitecta. Mas nunca conseguiria ser só arquitecta”, explica.

O Wool Fest é a prova da vontade de nunca estar parada. No centro histórico da Covilhã, “as velhotas comentam” o retrato do homem, velho e apoiado num cajado, pintado numa casa, que a artista espanhola (catalã) BTOY esculpiu na parte lateral na parte lateral de uma casa “a cara de um velho, melancólico, sinal da desertificação do interior” entre 7 e 11 de Novembro. O festival de street art não passa despercebido. Lara diz que a cidade recebeu bem a “intrusão” e que o Wool é não só um festival mas um projecto artístico, tentativa de reabilitação e de intervenção no centro histórico da Covilhã. “As pessoas acarinham as peças e as velhotas juntam-se, à noite, a dar palpites e a ver os artistas trabalhar.”

O Wool é feito a três: ao irmão de Lara juntou-se a cunhada, a espanhola Elisabet Carceller. A primeira edição do festival, que inclui quatro eventos com quatro artistas diferentes, está a decorrer e a última acção ainda não tem data marcada [ver mais em www.woolfest.org]. O festival custou 10 mil euros, um investimento assegurado por uma parceria entre a Direcção-Geral das Artes e a Câmara Municipal da Covilhã.

Mas Lara não fica por aqui. O festival e a Kraxas dividem atenções com o projecto Balneário, um espaço no LX Factory onde Lara tem o atelier de arquitectura, no qual factura 30 mil euros por ano. O espaço é uma mistura de galeria de arte, da que Lara é presidente, e uma espécie de residência de artistas e outros profissionais que partilham o espaço em regime de co-working. “Eu e outras três empresas estávamos no LX Factory e queríamos mudar de espaço. Havia este, juntámo-nos todos.” À arquitecta juntaram-se um projecto de um músico e uma bailarina, uma oficina de bicicletas, outro atelier de arquitecta e uma empresa inglesa de animação em vídeo. Em Dezembro, junta-se aos residentes a equipa de um neurocientista que quer ter a “experiência” de trabalhar num espaço com tamanha diversidade de profissões. Sempre com exposições à mistura.

Afinal, Lara é o quê? Não importa. Lara faz.

Retrato

Lara Seixo Rodrigues é licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa. Começou a trabalhar por conta própria em 2003. Participou na construção e decoração dos espaços Amo.te franchisados. Investiu 250 euros na criação da empresa Kraxas. É presidente do projecto de “promoção e divulgação artística” Balneário e fundadora do Wool Fest, na Covilhã. www.woolfest.org

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Fotografia: EPA/DAVE HUNT

Uber perde mais de mil milhões de euros no primeiro semestre

Reino Unido precisa de enfermeiros

Enfermeiros do Hospital de Viseu exigem as 35 horas

WhatsApp foi comprado pelo Facebook em fevereiro de 2014.

WhatsApp vai partilhar números de telefone com o Facebook

internet-old-school

Meo lidera acesso à internet fixo e móvel

Foto: DR

Galaxy Note7 já esgotou mas ainda não está à venda

14 hábitos

Vídeo. 14 dicas para conseguir um aumento

Conteúdo Patrocinado
Esta arquitecta faz crachás e organiza festivais