Estas bolsas são para miúdos bons de bola

João Pedro Carvalho, diretor da Next Level Sports Europa
João Pedro Carvalho, diretor da Next Level Sports Europa

Alguns inscrevem-se sem dizer nada aos pais, fascinados pela ideia de irem estudar para os Estados Unidos através do que mais gostam de fazer: jogar à bola. O futebol ainda é um desporto de segunda linha no panorama desportivo norte-americano, mas é precisamente por isso que as universidades estão sedentas de alunos portugueses. Vêm buscar técnica, talento e versatilidade. Os primeiros dois alunos portugueses a seguirem para universidades norte-americanas com bolsas de futebol partem já em setembro e janeiro. O objetivo é levar 20 por ano letivo.

“Eles querem ir jogar futebol, mas jogar e estudar nos Estados Unidos não tem comparação. Viver nos EUA é um sonho para todos eles, mais que viver em Espanha ou outro país da Europa”, explica ao Dinheiro Vivo João Pedro Carvalho, diretor-geral da recém criada Next Level Sports Europa. Esta é a empresa responsável pela captação de talentos nacionais e a sua preparação para conseguirem a bolsa. Tem acordos com 40 universidades norte-americanas e, em média, consegue que as bolsas cubram 75% dos custos totais – propinas, habitação e alimentação. A generosidade da bolsa depende de vários fatores, desde o talento técnico do aluno ao seu historial académico, espírito de equipa, nível de inglês e postura em campo.

Os objetivos da empresa, que tem apenas três colaboradores neste momento, passam por estabelecer-se com credibilidade no mercado português. “Quando se fala de atribuir bolsas que incluem habitação, propinas e alimentação, as pessoas desconfiam porque parece que é demasiado fácil”, indica o responsável. Não é fácil, nem gratuito, mas eles garantem que vale a pena. O primeiro passo para dar a conhecer a empresa é um protocolo com a Fundação Sporting, através do qual já estão escolhidos dois jovens carenciados que irão com bolsas totais para os Estados Unidos. O acordo foi assinado esta semana e determina que um irá em agosto de 2015 e o outro em 2016, devido às idades – ainda estão no liceu. Com este protocolo, a empresa levará dois estudantes da Fundação Sporting por ano.

Como tentar a sorte

A Next Level Sports está a usar sobretudo as redes sociais e as escolas secundárias para dar a conhecer as oportunidades que tem para os Estados Unidos, dirigidas a jovens dos 13 aos 21 anos, do sexo feminino e masculino. Quem estiver interessado em ir a um jogo de captação, o primeiro passo para tentar obter uma bolsa, deve inscrever-se no site da empresa. O próximo jogo de captação é a 26 de julho, em Lisboa. A empresa já fez quatro. “Em Lisboa e Porto temos tido uma média de 25 atletas inscritos”, diz o diretor-geral, “mas na última já tivemos 33 atletas presentes”, sobretudo entre os 17 e 19 anos. Destes atletas, a média de selecionados é 30%. Em dois meses, a Next Level recebeu 140 inscrições, observou 80 atletas, selecionou 30 e já tem 18 no programa. Os primeiros dois alunos vão já em setembro e em janeiro. A avaliação é feita pelo treinador Emanuel Ferrão, que fez formação com o Sporting e é licenciado em Educação Física. Para entrarem neste jogo de captação, os jovens têm de pagar uma taxa de inscrição de 123 euros. “Nós não somos um clube de futebol e não vamos dar uma bolsa naquele momento, vamos avaliar um processo. Temos uma série de custos, incluindo uma equipa que filma o jogo todo e faz a edição das imagens”, justifica João Pedro Carvalho. “Para a empresa é importante saber, porque se os interessados não têm a capacidade de pagar 123 euros logo de início, mais à frente não vão poder comportar mais custos.”

Estes custos são os seguintes: uma taxa mensal de 100 euros se o atleta for selecionado, que dará acesso a todas as ferramentas de preparação para a entrada na universidade norte-americana, e uma taxa final de 2500 euros, quando é atribuída a bolsa. Depois, dependendo da generosidade da bolsa, os pais terão de completar o montante que falta por ano (o que poderá rondar os dois ou três mil euros). Enquanto dura a preparação, o atleta vai receber preparação para o SAT (Scholastic Assessment Test ) e formação de inglês através da EnglishTown, que o preparará para o exame obrigatório Toefl. Terá também de fazer treinos mensais e estar presente nos jogos de captação.

De onde vem o interesse

Porque é que as universidades norte-americanas estão interessadas em jogadores de futebol internacionais? “A Major League Soccer será o terceiro maior campeonato do mundo em 2022, em qualidade e na atração de jogadores”, revela o diretor, citando a previsão da própria liga. “As universidades americanas querem reforçar as equipas técnicas”, daí o interesse por jogadores brasileiros e portugueses (a Next Level Sports abriu primeiro no Brasil). Também recebem a dobrar por alunos estrangeiros, e se conseguirem destacar-se nas competições entre si, poderão justificar melhor as bolsas elevadas que foram buscar. Entre dinheiro, prestígio e aspirações, não há aqui nenhum mistério: é só futebol, e eles gostam.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
IMG_0868-min

Agricultura bate recordes no Alentejo. “Mais houvesse, mais se vendia”

Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras
Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens

Isaltino Morais “Nos próximos anos, Oeiras vai precisar de 12 500 engenheiros”

Aeroporto do Montijo 2

Portela+? Aquilo que separa os partidos, o Montijo não consegue unir

Outros conteúdos GMG
Estas bolsas são para miúdos bons de bola